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Personalidade da semana: Jan Egeland

24.01.2005 | Fonte de informações:

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Jan Egeland, o norueguês que coordena os programas de apoio humanitário na Ásia, é a imagem visível que lidera as equipas de milhares de trabalhadores humanitários e voluntários, canalizando o apoio aonde é mais preciso. Seu empenho e seus poderes de organização têm provado tão eficazes que o temido segundo tsunami, ou onda de doenças que era suposto reclamar tantas vidas como fez o maremoto de 26 de Dezembro, não vai aparecer.

De facto, os directores das agências no campo declararam recentemente que em algumas zonas a vida voltou à normalidade (além das cicatrizes psicológicas que muitos levarão consigo durante o resto das suas vidas) embora que na Sumatra persista um estado de emergência, pois há ainda mais que meio milhão de pessoas deslocadas.

Jan Egeland referiu recentemente ao trabalho da ONU no campo, nomeadamente o estabelecimento de centros para tratamento médico, a distribuição de bens alimentares e água potável, formação, a organização do programa de voltar às aulas e as equipas de reconstrução das infra-estruturas danificadas.

Jan Egeland considera que “Agora começa o trabalho realmente duro, que é dar uma vida às pessoas e não só alimentá-los e prevenir o contágio com as doenças”, enquanto ele trabalha contra o relógio e tenta negociar com o governo da Indonésia, que declarou que o pessoal militar estrangeiro terá de abandonar o país até 26 de Março. Jan Egeland é a imagem da ONU ao seu melhor, criando um elo entre as situações desesperadas no presente e uma vida melhor no futuro.

Se todos os membros da comunidade internacional respeitassem esta Organização, em vez de dizer que não tem espinha, enquanto se recusam a honrar a Carta que eles assinaram, a ONU teria a autoridade e músculo que precisa para gerir as crises com eficácia, não só casos de desastres naturais mas também crises políticas, tal como o caso do Iraque, onde o único crime das equipas de inspecção de UNMOVIC foi dizer a verdade, que não conseguiam encontrar as armas (porque não existiram).

“Sem espinha” “inútil” e “uma liga de nações” foram alguns tos termos atirados contra a ONU por um Washington desesperado para lançar as suas tropas em batalha, para depois descobrir que aquilo que a ONU dizia desde o início era verdade.

Jan Egeland é Sub-Secretário-Geral para Assuntos Humanitários e Coordenador para Apoio Humanitário (OCHA) da ONU desde Setembro de 2003. Trabalha em organizações humanitárias e de paz há 25 anos no governo da Noruega, na Cruz Vermelha, no Crescente Vermelho, ONGs e a ONU.

Com um Mestrado em Ciência Política da Universidade de Oslo, Jan Egeland foi Bolsista Fulbright na prestigiosa Universidade de Berkeley, California, Membro do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz, e do Instituto Truman para o Avanço de Paz, em Jerusalem. Foi Presidente da Amnestia Internacional na Noruega e Vice-Presidente da Comissão Internacional da mesma organização.

Jan Egeland foi Director dos Estudos de Desenvolvimento no Instituto Dunant em Genebra e trabalhou na Norwegian Broadcasting Corporation como repórter da rádio e de TV, sendo nomeado Secretário-Geral da Cruz Vermelha na Noruega.

Entre 1990 e 1997, foi Secretário de Estado no Ministério de Relações Exteriores da Noruega. Ao longo destes anos, estabeleceu dois Sistemas de Preparação de Emergência na Noruega, enviando mais que 2000 trabalhadores humanitários para organizações internacionais. Em 1992, ele participou no grupo que iniciou e organizou o Canal norueguês para a Paz no Médio Oriente, que resultou no Acordo de Oslo entre Israel e a OLP em Setembro de 1993. Jan Egeland liderou a delegação norueguesa que facilitou as conversações de paz na Guatemala entre o governo e as guerrilhas URNG, que levou à assinatura do acordo de paz em 1996. Em 1997, ele dirigiu a delegação norueguês na assinatura e implementação do Tratado de Otava sobre as Minas, em Oslo. Entre 1999 e 2002, ele foi Conselheiro Especial do Secretário-Geral na Colômbia.

Jan Egeland, um exemplo de empenho à causa humanitária, uma amostra brilhante da riqueza humana que abunda na Organização das Nações Unidas. Mesmo assim, há ainda quem desrespeite esta Organização e trabalhe contra ela.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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