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Liberdade?

17.11.2003 | Fonte de informações:

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Até agora esse tema, por razões por mim desconhecidas, foi evitado, e quando alguém escrevia ou falava sobre assunto, limitava-se exclusivamente à critica.

Mas, nos últimos meses, as coisas mudaram. Talvez, por causa da onda da nostalgia, que atravessa as sociedades ligadas ao passado socialista.

Um dos assuntos discutidos amplamente é sobre a liberdade. Muitos perguntam: afinal que tipo de liberdade alcançamos com a mudança do regime político? Era essa liberdade que almejávamos?

A resposta vem rápida e taxativa: a única liberdade que realmente conseguimos foi a de ter os supermercados e lojas cheias de mercadorias. Só, que com essa liberdade, não veio junto a liberdade de podermos adquirir essas mercadorias, pois 80% do povo, não tem dinheiro para isso.

Vou estender um pouco mais esse assunto, porque foi muito importante, no meu ponto de vista, na aceitação das mudanças pelo povo polonês. Últimos anos antes da queda do socialismo não foram fácies. A maioria do povo sofria muito com a falta dos produtos básicos do consumo.

Pessoas passavam varias horas nas filas para comprar coisas prosaicas como por ex. papel higiênico ou pasta dental.

Por acaso conheço as razões que provocaram o sumiço do último produto e como a estória é bastante curiosa, vou descrevê-la, também porque o quê aconteceu com a pasta aconteceu com a maioria dos bens produzidos na Polônia.

A pasta dental, até certa época, foi produzida com ingredientes 100% fabricados na Polônia. Nos anos setenta, Gierek foi eleito como I Secretario do Partido Unificado Operário Polonês, o quê na pratica significava, que era ele quem tomava decisões importantes para o país. Como tinha fortes ligações com a França, onde trabalhou como mineiro antes da segunda Guerra Mundial, logo que tomou posse, foram lhe oferecidos, pelo governo deste país, amplas facilidades de credito. Empréstimos de baixo custo e longo prazo foram uma tentação para governo da Polônia. Gierek aceitou as facilidades de bom grado, sem desconfiar que elas faziam parte de plano maquiavélico para desestabilizar a economia polonesa. Com dinheiro fácil e barato, o governo começou comprar loucamente no Ocidente (não sei se essas compras faziam parte das exigências para concessão dos créditos) e ali entra a pasta dental. Como alguns ingredientes para fabricação dela, produzidos no Ocidente, eram de qualidade superior (ou talvez entrou no meio a corrupção) dos produzidos na Polônia, estes ingredientes começaram a ser importados.

Chegou o fim dos anos setenta e os empréstimos, que iam ser pagos em “leves prestações”, começaram servir como a arma política para pressionar o governo polonês, no sentido, que sem mudanças não haveria mais dinheiro.

E a nossa pasta dental? O credito acabou e não foi mais possível comprar os ingredientes necessários para produção dela e a pasta sumiu das prateleiras dos supermercados. O mesmo aconteceu com milhares dos outros produtos.

O povo nas filas começou ficar sem paciência e logo ficou colérico, procurando o culpado, que foi achado logo: o governo, o sistema. Depois, para revolta total, faltou só um passo.

Mas, talvez o governo foi culpado mesmo, porque acreditou nas boas intenções do Ocidente. Talvez, se conhecesse o ditado: “Quando a esmola é grande, o pobre desconfia”, nada teria acontecido! Renata Kuszak-Rocha

 
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