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Lula quer investimento espanhol em infra-estrutura

17.07.2003 | Fonte de informações:

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Durante reunião com um grupo destacado de executivos de grandes conglomerados do país, Lula teria explicado seu programa de reformas sociais e convidado todas as empresas espanholas a se unirem no esforço de construção de infra-estrutura. "Não vão se arrepender de acreditar no Brasil. Farão um bom negócio", disse Lula, de acordo com o site do jornal econômico Cinco Dias.

"Podem ter certeza que vamos fazer a economia brasileira voltar a crescer e que vamos fazer as políticas sociais que nosso povo tanto precisa", destacou Lula. O presidente explicou que são estas políticas sociais que criam mercado e "com mercado não há empresário que não se interesse em investir no Brasil".

O presidente da Confederação Espanhola das Organizações Empresariais (CEOE), José Maria Cuevas, afirmou um compromisso de investimentos de longo prazo dos empresários espanhóis no Brasil.

De acordo com dados da Agência Espanhola de Cooperação Internacional (AECI), o orçamento total de ajuda oficial da Espanha ao Brasil em 2002 foi mas de 6,6 milhões de euros e, no momento, existem 30 convênios em vigor. Os investimentos espanhóis no Brasil na última década cresceram significativamente, segundo o "Cinco Dias", passando de apenas 1% do total que o País recebe para 25%, transformando a Espanha no segundo investidor mais importante, com US$ 25 bilhões, atrás só dos Estados Unidos.

Distorções comerciais O presidente Lula voltou a pedir nesta terça-feira, durante encontro empresarial, o fim das "distorções" do comércio internacional. Segundo ele, o discurso dos países ricos em favor do livre comércio peca por defender a abertura do mercado dos países pobres, "sem a necessária contrapartida". "Temos instado nossos parceiros a assumirem compromissos no sentido de remover o arsenal de medidas que distorcem o comércio internacional e negam aos países em desenvolvimento o fruto de seu trabalho", disse Lula na sede da Confederação Espanhola de Organizações Empresariais (CEOE), durante o encontro empresarial Brasil-Espanha, que teve participação do vice-presidente da entidade, Jesús Barcena, e do secretário de Estado de Comércio e Turismo, Juan Costa.

O presidente reiterou o apelo feito em Lisboa para que os empresários brasileiros deixem de ter medo de se tornarem empresários multinacionais.

Em seu discurso, Lula disse que a Espanha "joga um papel extraordinário" na relação da União Européia (UE) com o Mercosul. Lula afirmou que durante séculos se falou na integração da América do Sul, mas que também durante séculos, pouco foi feito.

Por conta disso, o presidente afirmou que seu governo tomou duas medidas. A primeira é um avanço com o Mercosul, pois dele depende o sucesso da América do Sul e vice-versa. A segunda medida é apresentar projeto de integração física da América do Sul, começando por recuperar a relação com a Argentina, parceiro mais importante do bloco, e depois estabelecer relações com outros países da América do Sul.

Segundo Lula, é possível que a partir de 8 de agosto estejam organizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pela Coporação Andina Fomento (CAF), que é a instituição financeira da comunidade andina, os projetos de maior interesse de integração física do continente americano, como estradas, hidrelétricas, e outras áreas de serviço. A partir daí, o governo brasileiro espera conseguir novas parcerias no mundo.

Compromissos Mais cedo, Lula participou da cerimônia oficial de chegada, no palácio El Pardo, onde está hospedado. Acompanhado de sua mulher, Marisa Letícia, Lula foi recebido pelo rei Juan Carlos e esposa, rainha Sofia, e pelo presidente de governo da Espanha, José Maria Aznar.

Após a execução dos hinos nacionais dos dois países tendo ao fundo uma salva de tiros de canhão, o presidente e seu anfitrião passaram em revista um grupo de cerca de 200 soldados da Guarda de Honra da Guarda Real. Depois, dirigiram-se a um palanque, onde assistiram a um pequeno desfile militar. No terceiro compromisso do dia, Lula e Marisa almoçaram com o rei Juan Carlos.

Lula também teve audiências com o secretário-geral do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), José Luiz Rodriguez Zapatero, e com sindicalistas espanhóis. O presidente ainda se encontrou com representantes de ONGs e recebeu o prêmio Cipriano García, no Palácio Real El Pardo.

O prêmio é um reconhecimento ao presidente brasileiro por sua dimensão como líder social e político, bem como ao seu empenho na luta contra a pobreza e a exclusão social. Cipriano García foi um sindicalista e político-chave no movimento operário da Catalunha, além de fundador do sindicato das Comissões Operárias. Este prêmio é concedido anualmente pelo partido Iniciativa per Catalunya Verds a pessoas, entidades ou grupos que se tenham destacado por iniciativas de caráter social ou político em prol da melhora de condições de vida e de trabalho.

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