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Conferência de Bruxelas

12.06.2005 | Fonte de informações:

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A questão principal que dá dores de cabeça aos diplomatas de muitos países é o que é que preciso fazer para que esta iniciativa não redunde num show político, mas seja produtiva.

Os objectivos oficiais que este fórum se propõe, sugerido pelos Estados Unidos e a União Europeia, são prestar apoio à nova administração provisória iraquiana, consolidar os esforços da comunidade internacional concentrados em contribuir para o processo político e a recuperação económica do Iraque, melhorar a situação na área da segurança. Um seja, palavras e mais palavras!

Normalmente, todas as conferências são parecidas: primeiro são os discursos sem fim, seguidos de debates. Dum modo geral, a comunidade internacional quer ouvir a opinião das novas autoridades iraquianas acerca da situação no país e, se necessário, dar-lhes as suas recomendações. Todavia, o problema que se coloca é o seguinte: haverá ou não tempo para todas as 84 delegações manifestarem a sua opinião a respeito dos problemas relacionados com o Iraque? E outra questão: como considerar a opinião da maioria dos que se irão reunir em Bruxelas? Afinal, esta é uma questão da organização do fórum e depende dos objectivos que os organizadores se propõem.

Por isso, não é por acaso que está a ser dispensada especial atenção ao trabalho preparatório dos grupos de peritos. São precisamente estas pessoas que são responsáveis pela orientação da conferência e pelo acompanhamento da correlação das opiniões. Uma parte deste trabalho já foi feita e agora os peritos estão a avaliar o nível de preparação das reuniões.

Fontes governamentais informaram à RIA "Novosti" que duas semanas antes da conferência não há ainda uma visão clara sobre os resultados pretendidos. Os objectivos são os mesmos para todos - isto é, garantir a segurança pública no Iraque, alcançar a estabilidade política e económica. Mas as perspectivas, os prismas são diferentes. Digamos, os norte-americanos acentuam o aspecto da segurança, os europeus a supremacia da Lei.

Existe mais uma diferença patente nas abordagens. Washington prefere ver tudo cor de rosa no que concerne ao avanço do Iraque para a democracia, ao passo que Moscovo apela a não esquecer os aspectos negativos do processo político no Iraque. "Pois de contrário a conferência de Bruxelas pode transformar-se num show propagandístico", salientam fontes diplomáticas russas.

A Rússia, como um dos iniciadores da preparação da conferência, gostaria que o documento final do fórum contivesse "pontos de referência claros e unívocos para o Governo iraquiano",. Estes pontos de referência são o amplo diálogo intra-iraquiano e o consenso entre os diversos grupos do país. Não têm nada de novo e a conferência em Bruxelas proporciona uma boa oportunidade para a comunidade internacional discutir todos os problemas existentes.

Moscovo está de acordo que o processo político se desenvolva no Iraque em conformidade com o calendário estabelecido pela Resolução 1546 do Conselho de Segurança das Nações Unidas. "Não houve até agora grandes fracassos e as autoridades iraquianas têm cumprido as tarefas colocadas. No entanto, está ainda pela frente a fase de maior responsabilidade, que é a elaboração da Constituição, a transmissão do poder do Governo provisório para o Governo permanente, sendo este aspecto de suma importância a consolidação da sociedade iraquiana", destacam fontes diplomáticas russas. Caso o processo político venha a malograr, a comunidade internacional deve estar preparada não só para fazer recomendações, mas também para intervir na qualidade de mediador e organizador do diálogo intra-iraquiano.

Marianna Belenkaia observadora política RIA "Novosti"

 
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