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A Semana Revista

11.07.2005 | Fonte de informações:

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MOSCOVO CONGRATULA LONDRES

Moscovo ganhou muito com esta experiência Yuri Luzhkov, Presidente da Câmara de Moscovo, foi peremptório na sua mensagem de parabéns a Londres, cidade escolhida para ser anfitriã dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2012.

“Queremos oferecer nossos parabéns mais calorosos e sinceros a Londres e temos a certeza que irão organizar uns Jogos memoráveis do 30º Olimpíada.

“A campanha para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2012 juntou muitos concorrentes poderosos e estamos honrados por termos participado nessa corrida. Ganhámos considerável experiência e aprendemos como se atinge os padrões olímpicos mais altos. Prometemos desenvolver nosso desporto e a infra-estrutura da nossa cidade seja qual for o resultado da votação de hoje e iremos respeitar essa promessa.

“Não estamos desapontados, pelo contrário, descobrimos que Moscovo é uma cidade verdadeiramente moderna e em desenvolvimento, que consegue competir com as maiores cidades capitais do resto do mundo, e organizar eventos internacionais de destaque e do nível mais alto”.

Delegação de Moscovo 2012 em Singapura

VIOLÊNCIA DEMENTE

Fazer sentido da loucura As cenas horríficas em Londres hoje, onde 41 mortes e 700 feridos foram confirmados, cifras que tendem a aumentar com o passar do tempo, são uma lembrança fria da pura loucura que faz parte da vida quotidiana de hoje, no ano 2005.

A tendência de empacotar as notícias em rótulos fáceis de digerir são perigosos nesse momento que é um hiato, um cruzamento no nosso progresso como espécie. Dizer que os terroristas são uns covardes e uns cabrões, uns incultos e incivilizados, sabe bem, sabe tão bem quanto defender a culinária nacional contra um grupo de estrangeiros que dizem que o prato nacional é desenxabida ou insossa.

No entanto, em momentos desses, temos de chegar ao cerne do assunto e ver a questão dum ponto de vista objectivo, global e impessoal, para chegarmos à verdade.

Primeiro, o terrorismo é a forma mais covarde e demente de aplicar a força, porque escolha como alvos pessoas inocentes que tentam seguir suas vidas quotidianas e não toma em conta sua idade, género, raça ou religião e em nenhuma religião ou sociedade se pode justificar ceifar vidas inocentes duma maneira tão injusta e com tamanha brutalidade.

Se as pessoas (?) que cometeram os crimes de hoje são islamistas, como justificar a inclusão de muçulmanos entre os vítimas? No Qu´ran, onde é que justifica a matança de mulheres e crianças? Esses não são libertadores, nem a causa deles vale mais nada do que desprezo porque um herói, um combatente, um militante, um soldado, nunca se esconde atrás da morte de civis. Quem mata mulheres e crianças é um covarde, um criminoso, um assassino, um demente e um traidor a qualquer causa.

Porém, o terrorismo não é nada de novo. Terroristas judeus lutaram contra os militares britânicos na Palestina há 60 anos. Terroristas irlandeses, alguns apoiados pelo NORAID, muito popular em Nova Iorque, projectaram civis ingleses e não só através das montras nas Ilhas Britânicas durante uma década de violência, muito antes do bin Laden ter virado as mesas contra os interesses dos EUA – e depois dos EUA terem apoiado e ajudado o terrorismo fundamentalista islâmica em Afeganistão contra as Forças Armadas Soviéticas.

Agora que o cachorro morde a mão daquele que o alimentava e os que cospem para o vento aprendem que o que semeia, colhe, vemos que todas as formas de terrorismo produzem o mesmo resultado.

Seja quem for o perpetrador e seja onde for que perpetra seus actos de maldade, o assassino é sempre a acção que provoca a reacção, o desafiador à autoridade, procurando testar as regras.

As regras foram expressas por milhões de pessoas antes do ataque bárbaro, terrorista, assassina e cruel contra os civis e infra-estruturas do Iraque pelas forças armadas dos EUA e uma mão cheia de aliados sedentos pelo protagonismo. Foram muitas milhões que marcharam contra a guerra, apoiados pelas formações políticas da esquerda, enquanto os partidos da direita ou foram covardes demais para tomarem uma posição contra, ou então apoiaram de facto a chacina de uma centena de milhar de pessoas.

Mas as autoridades desse clique de protagonistas, levados a cometer um acto de matança pela elite neo-conservador que gravita a volta da Casa Branca, não quiseram ouvir. Nessas páginas da PRAVDA.Ru, cinco meses antes do ataque contra o Iraque, lançámos o aviso que quem queria ligar o Iraque ao terrorismo internacional iria criar um problema que não existia antes.

O terrorismo internacional não existia no Iraque antes da invasão e essa invasão deu a luz verde a qualquer pessoa com tendências extremistas vangloriar-se numa onda de vingança. Como se pode responder a essa pergunta:

Qual é a diferença entre o assassínio dum civil londrino ou nova-iorquino por um fanático islamista e o assassino dum civil iraquiano em Bagdade por um piloto norte-americano ou britânico?

Perpetrar actos de chacina, como se viu hoje, não coloca bem o que está mal e há que realçar que qualquer morte dum ser humano é uma tragédia, seja quem ou onde for; há que realçar que um acto de assassínio é assassínio, pura e simplesmente, seja rotulado por libertação, terrorismo ou danos colaterais.

A verdade é que o terrorismo internacional existe e vai ficar por algum tempo, consegue golpear onde e quando quer e o ataque de hoje foi uma mensagem clara aos líderes dos G8: estamos aqui, estamos vivos.

E a seguir?

O ataque de hoje é mais um sinal do poder do indivíduo contra o estado e por isso, se o estado utilizar os seus recursos (de estado) contra o indivíduo, não resulta, porque pode lançar um exército ou dois ou três em Londres mas lutar contra quem ou o quê?

Algures, num determinado ponto da linha da hierarquia, tem de haver uma reunião, abrindo um processo de diálogo para estabelecer qual é o jogo, quais são as regras e quem são os jogadores.

Quanto mais sofisticados as autoridades, mais sofisticados tornar-se-ão os terroristas e assim começa o espiral de violência, por isso o acto de combater o terrorismo não é a solução final. A solução final é aquela que corta definitivamente a única linha de alimentação dos terroristas internacionais – operacionais que têm vontade de participar nesses actos de violência, mesmo quando isso envolve o suicídio.

Esses indivíduos se juntam à causa porque recebem mais dinheiro nesse tipo de actividade do que estarem parados no desemprego, ou porque simplesmente gostam da violência e utilizam qualquer causa para atingir seus fins dementes. Ou porque são dementes, ponto final.

Tirar a causa duma organização terrorista e o quê é que resta? Um bando de criminosos. Tratar as questões sociais subjacentes, examinar a causa de forma objectiva e decidir quais os pontos que podem ser levados à mesa de discussão num processo de diálogo (mesmo que seja em segredo) parece ser uma abordagem realista.

Os que estão envolvidos em actos terroristas, sejam aqueles que colocam bombas em transportes públicos, sejam aqueles que deitam bombas em civis de aviões militares, têm de saber que a humanidade não aceita mais violência deste tipo. É perfeitamente inaceitável que um ser humano não possa viver seu dia-a-dia sem segurança. Não foi por isso que milhões de pessoas lutaram durante tantos anos.

A liberdade não pode existir quando as pessoas não sentem a segurança de seguir as suas vidas diárias. No nome da Humanidade, se pede a todos esses perpetradores de mortandade de resolverem suas diferenças. Não foi esse o início do terceiro milénio com que todos nós sonhámos.

CABO VERDE: 3 DÉCADAS DE INDEPENDÊNCIA

5 de Julho – 30º Aniversário da Independência Nacional

A cultura singular de Cabo Verde, a africanidade especial das nossas ilhas, a sodade dos cidadãos desta pérola no Atlântico, banhada pelas águas mornas, criaram um coração quente e morno que deu origem à Morna, canção-espelho das nossas almas. Hoje se sente com um sabor especial ser Cabo-Verdeano, africano, quanto baste, e com grande gosto e orgulho.

Cabo Verde assinala três décadas de Independência

A cultura singular de Cabo Verde, a africanidade especial das nossas ilhas, a sodade dos cidadãos desta pérola no Atlântico, banhada pelas águas mornas, criaram um coração quente e morno que deu origem à Morna, canção-espelho das nossas almas. Hoje se sente com um sabor especial ser Cabo-Verdeano, africano, quanto baste, e com grande gosto e orgulho.

Celebrámos 30 anos de independência não com rancor de Portugal, país colonizador, mas com reconhecimento que juntamente com outros países, conseguimos fazer parte, criar nosso cantinho duma comunidade que é a CPLP, Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, e sermos membro daquela comunidade que se chama Lusófona.

Cabe Verde soube utilizar os consideráveis recursos humanos numas ilhas quase sem recursos naturais, construir uma alternativa interessante em termos de turismo e crescer até atingir o rótulo de País de Desenvolvimento Médio neste percurso de 30 anos, que viu tantos filhos de Cabo Verde partir para Europa e América mas sem deixar por trás suas raízes, suas famílias, suas almas cabo-verdeanas.

São esses filhos que hoje em dia estão a regressar, construindo um país sem vergonha de existir mas simultaneamente de se assumir como diferente, mas um país africano, africano assumido, e nunca europeu.

Muitos foram os eventos no dia 5 de Julho para comemorar os 30 anos de Independência, o mais sentido dos quais foi talvez o depositar duma coroa de flores no mausoléu de Amílcar Cabral pelo Presidente Pedro Pires.

Entre os presentes na parada militar, à tarde, na Av. Cidade de Lisboa, foram Fradique de Meneses, Presidente de São Tomé e Príncipe, juntamente com os Presidentes dos Parlamentos dos CPLP.

Após os vários eventos culturais dos dias 4, 5 e 6, haverá no próximo final de semana um evento de ciclismo, a Prova Internacional de Ciclismo São Domingos Assomada, dia 9/10 e também uma Prova Internacional de Atletismo.

Hoje, na ocasião do 30º Aniversário da Independência, Cabo Verde se conta e se assume como membro da CPLP com muito orgulho. Será que vai continuar assim daqui a cem anos?

Atenção, que a Lusofonia é um conceito mais conhecido em Lisboa do que em qualquer outra cidade da comunidade CPLP, a Lusofonia passa pela condição da Lusografia. Para isso tem de haver um esforço constante da parte de todos os intervenientes em termos de educação e programas educativos e tem de valer a pena para todos, pois a lusofonia e a lusografia não podem constituir só um orgasmo português na sombra dos sonhos do passado.

Passam por um programa válido que liga gentes e povos mas com algum sentido de serem ligados, não por vontade dum elemento complexado pelo passado a impor uma ideia que é difícil de entender nas ex-colónias. Portugal não soube criar um Commonwealth, basicamente porque entendeu destruir 15 anos de entendimento quando o resto do mundo dizia ao contrário. Casmurrice, ou estupidez?

Por isso a Lusofonia e a Lusografia têm de passar pelas mãos de todos os intervenientes, não só um Portugal com problemas digestivos relativamente à sua história e com hérnias constantes relativamente à sua integridade.

John LOPES PRAVDA.Ru PRAIA CABO VERDE

G8: UM PRIMEIRO PASSO

Blair: Não é tudo que todo o mundo queria mas é progresso

As palavras do Primeiro-ministro do Reino Unido descrevem habilmente a Cimeira dos G8 em Gleneagles, interrompida tragicamente pelos incidentes horríficos em Londres.

As palavras do Primeiro-ministro do Reino Unido descrevem habilmente a Cimeira dos G8 em Gleneagles, interrompida tragicamente pelos incidentes horríficos em Londres. Contudo, pela primeira vez, África e pobreza estão na mira das nações desenvolvidas e na Escócia esta semana, a boa vontade colectiva daqueles que têm o poder para fazer uma diferença foi evidente.

Apesar do facto que muitas ONGs reclamam que o resultado foi longe do esperado e que Gleneagles foi uma oportunidade perdida, é verdade que a dívida dos 18 países mais pobres em África foi cancelada e que se fez um compromisso a incrementar o AOD em 50 bilhões de USD. Nunca se pode descrever como um falhanço um acordo que duplica apoio aos países em vias de desenvolvimento, que perdoa a dívida de quase duas dezenas de países e que faz progresso significativo na perdão de dívida de outros Países Pobres Altamente Endividados.

O acordo

As dívidas dos 18 países mais pobres da África foram canceladas; Os outros países africanos endividados podem candidatar-se para a perdão da dívida; 50 bilhões de USD vão ser atribuídos em programas de apoio; A União Europeia compromete-se a atribuir 0,56% do PIB para apoio até 2010 e 0,7% até 2015; A Autoridade Palestiniana recebe 3 bilhões de USD para infra-estruturas; Serão treinados 20.000 soldados de paz para África; Até 2010, toda a África terá acesso a medicamentos anti-retrovirais;

É importante realçar o facto que a Cimeira dos G8 foi o primeiro passo numa linha de iniciativas que continuarão durante este ano e que irão dar seguimento a aquilo que foi conseguido em Gleneagles.

A reunião em Hong Kong ainda em 2005 sobre os subsídios aos agricultores será um primeiro passo no empenho a acabar com a política injusta de impor subsídios e tarifas, beneficiando o mais rico e castigando o mais pobre, enquanto na OMC se fala de práticas comerciais justas.

Ambientalistas desapontados

Para aqueles que queriam um acordo significativo sobre a mudança do clima, ainda há muito por fazer, pois os EUA estão entrincheirados contra Kyoto, afirmando que seria ruinoso para a sua economia. Contudo, em Gleneagles, o aquecimento global foi aceite como um assunto urgente, que é causado pela actividade humana e que terá de ser resolvido pelo ser humano.

Gleneagles foi um exemplo brilhante daquilo que pode ser conseguido quando a comunidade internacional se junta a volta duma mesa e fala positivamente acerca daquilo que pode ser feito para melhorar as condições de vida de seres humanos, em vez de deitar bombas em cima de civis, destruir intra-estruturas e cometer actos de chacina em grande escala.

As nações que se envolveram nessa actividade no Iraque não podem justificar-se por se mostrarem chocados pelos eventos indescritíveis em Londres mas Gleneagles marcou um contraste significativo entre os atitudes daqueles que se juntam em nome do bem e aqueles que persistem em cometer actos de maldade.

Nota máxima aos G8 pelo seu empenho e pela sua boa vontade, nota mínima para os assassinos que estragaram as vidas de dúzias de famílias em Londres e centenas de milhares de famílias no Iraque. O novo milénio pelo qual estávamos à espera com tanto entusiasmo se viu em Gleneagles. Em Londres, revimos nosso pior pesadelo.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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