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A Semana Revista

09.04.2005 | Fonte de informações:

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Funeral do Papa João Paulo II

Entre quatro e cinco milhões de pessoas assistiram ao funeral do falecido Papa João Paulo II, o que quer dizer tudo. Há quem tenha quatro ou cinco pessoas no funeral.

Há questões a resolver entre a igreja católica romana e a igreja ortodoxa cristão, há problemas históricas a serem discutidos, mas ninguém pode negar que o Papa João Paulo II tentou fomentar uma aproximação entre as igrejas, uma abordagem que tem de ser seguida e prosseguida pelos homens que ocupam seu lugar posteriormente.

João Paulo II era herdeiro dum sistema que defende um pacote, que defende a vida humana, que defende a união entre seres humanos do sexo oposto no amor de Jesus Cristo, que defende a não interferência do ser humano no reino de Deus, que defende a opção para práticas sexuais dentro do casamento e que defende relações monógamas, dentro dum matrimónio único e singular.

Normas para seguir. Quem as segue à letra evita outro tipo de problemas. Porém, há que evitar a tentação de politizar a religião. Deixemos cada um seguir o seu caminho, quer na direcção a Deus, quer na direcção ao bem, ou aquilo que cada um quiser chamar a essa procura/união.

João Paulo II defendeu as normas da sua igreja. Não atacou as crenças dos outros credos, antes pelo contrário.

Por isso, vamos lembrá-lo como homem de paz, de diálogo…de bem. Para aqueles que não seguem a linha católica romana, têm outras igrejas, que procuram o mesmo deus. O legado do Papa João Paulo II é que não há estigma negativa a pertencer a essas igrejas.

Príncipe Rainier III 1923 - 2005

Sua Alteza Serena, o Príncipe do Mónaco, morreu no dia 6 de Abril de 2005. Foi filho do Príncipe Pierre de Mónaco, Duque de Valentinois e a mulher, Princesa Charlote, Duquesa de Valentinois, a filha única de Príncipe Louis II e sua amante, Marie Juliette Louvet.

Conseguiu expandir as bases financeiras do seu principado e conseguiu garantir que continuasse como micro-estado.

Blair – lutar para todos os votos

39% para New Labour, 33% para os Conservadores (Tories) e 21% para os Liberais Democratas. São os resultados das sondagens britânicas e vão de mãos dadas com as informações que PRAVDA.Ru tem recebido.

As sondagens apontam para um governo liderado por Primeiro-ministro Blair, a primeira vez que um governo Socialista vence por três vezes seguidas. Tony Blair deverá permanecer no seu lugar como Primeiro-ministro durante alguns anos e depois ver se ocupe um lugar como por exemplo o Presidente da Comissão Europeia, ou outro lugar de destaque na comunidade internacional.

Mugabe

O partido de Robert Mugabe ganhou as eleições legislativas de Zimbabwe. Assim foi declarado pela equipa da União Africana e da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral.

Ponto final.

Quem é que tem o direito de chamar de mentirosos os representantes destes organismos?

Príncipe Carlos e Camila

Finalmente esses dois seres humanos conseguiram por fim a um sonho que existia há 30 anos. Muito bem. Se tivessem deixado essas duas pessoas a seguirem os seus desejos desde o início, nenhum daqueles escândalos teria acontecido. É o que acontece quando se interfere com a vontade particular das pessoas.

A importância de Gorbachev

Quanto a Mikhail Sergeyevich (Gorbachev, pronunciado Gor-ba-tchOF), a perestroika (re-estruturação) e glasnost (abertura) foram uma tentativa de mudar o sistema de cima para baixo, de dentro para fora, e não de baixo para cima e de fora para dentro, o que aconteceu com o bêbado Boris Nikolaievich (Eltsin, uma vergonha nacional, cuja obra foi destruir um país em dez anos e quase entregá-lo aos Estados Unidos).

Gorbachev, no meu entender, estava a tentar abrir o comunismo e o sistema soviético, não entendendo que a sua boa vontade não estava ser reciprocado do outro lado da muralha de desinformação construído pelo Ocidente. Penso que ele não estava tentando construir um sistema capitalista porque ele entendeu, e bem, que se o sistema soviético tinha problemas, então também o sistema capitalista os tem – basta dizer que no último ano da URSS em 1990, o PIB da Rússia era o dobro do que era em 2000, por isso, não vamos ser duros demais com o sistema soviético.

O que o Gorbachev entendeu, no meu ponto de vista, foi uma abertura do tipo experimentado pela RP China.

Quanto à democratização da URSS...temos aqui de ver o que é a democracia. Se a democracia no ocidente é as pessoas votarem por uns 200 ou 300 ou 400 pessoas que vão depois gerir o país no seu nome, então temos de ver que na URSS, as pessoas votaram para muito mais pessoas do que isso, para gerir o país no seu nome – o Partido Comunista tinha uns dez milhões de membros ativos.

O que havia era um controlo mais ativo que fazia com que a droga não estivesse presente nas ruas, que as pessoas poderiam passear a qualquer hora de dia ou noite sem qualquer problema, não havia pornografia exposta ao público. Os cidadãos tinham direito a uma casa, a uma pensão, a comida, a um emprego, a uma educação e um sistema de saúde excelente, dentro dum estado seguro e forte, e tudo isso gratuitamente. Até o direito a vodka tinham. Nada mau, no meu entender.

O que não havia era um sistema que recompensava o trabalho e o mérito individual, que o homem precisa para se motivar e aí é que foi a lacuna – o controlo de qualidade era fraco e também o Ocidente criou um clima de guerra e tudo fez para sabotar o projecto, pois contrariava os interesses dos que controlam a riqueza neste mundo.

De qualquer modo, não vamos ser demasiado saudosistas da União Soviética, pois já que tinha conseguido realizar todos os seus objectivos, estava na hora de partir para outro e é isso que foi continuado por Vladimir Vladimirovich (Putin).

No meu entender, Gorbachev apontou o caminho, Eltsin interrompeu-o tão barbaramente, como um bêbado que entra na igreja durante um casamento, arrota alto, para o som ecoar por todo o edifício, urina no chão e rouba a caixa do ofertório, depois cambaleia para fora, vomitando as escadas. A igreja limpa, o casamento prossegue normalmente e para mim é essa a imagem da Federação Russa de hoje.

Por isso acho que já que o Gorbachev estava alterando a URSS, que seu tempo útil já tinha expirado e que teria havido uma mudança com ele ou sem ele. É pena que a década de Eltsin fez com que houvesse tantos soluços pelo caminho e interferiu com o processo de mudança e alteração regrada.

No entanto, a Rússia está abordando seus problemas de forma eficaz e aborda a comunidade internacional do mesmo modo, utilizando um processo de diálogo, debate, discussão e democracia, enquanto outros estados gostam de utilizar tácticas de choque e pavor e ganhar corações e mentes, semeando liberdade e democracia por implantar bases militares e chacinar dezenas de milhares de pessoas. Mas que grande diferença!

QUANDO A LIBERDADE DE IMPRENSA SE TORNA INTRUSÃO

Muito se escreve na imprensa ocidental acerca da liberdade de imprensa na Federação Russa, muitas vezes por jornalistas que não entendem o que escrevem, nem sequer se maçam a pesquisar a área sobre a qual vão escrever, mesmo na Internet. A verdade crua e nua é que as coisas não são bem como andam a dizer por aí.

PRAVDA.Ru é um exemplo da imprensa livre na Federação Russa. Como um dos três directores e chefes de redacção (nesse caso da versão portuguesa) e sendo amigo pessoal dos directores e chefes de redacção da versão russa Vadim Gorshenin e da versão inglesa Inna Novikova, posso declarar que não há qualquer tipo de controlo, nem de influência exercida sobre nós, em qualquer das versões.

Quando iniciei o projecto da versão portuguesa em Setembro de 2002, tive reuniões em Moscovo com as autoridades competentes. Á pergunta se havia linhas-guia a seguir, veio a resposta: “Claro que não. Tem de colocar no jornal a verdade, mais nada. Se a verdade dói a quem for, assim seja”.

O que não se pode fazer na Federação Russa é divulgar mentiras como se fossem a verdade ou providenciar informação gratuitamente a elementos subversivos que trabalham contra o Estado. Por exemplo, há restrições sobre o conteúdo das informações que podem ser divulgadas durante uma crise provocada pelas acções de terroristas. Logicamente.

Porém, há que traçar uma linha entre normas de funcionamento, como existem na Federação Russa, e normas repressivas, como existem hoje em dia na Argélia e em Tunísia, por exemplo, onde a imprensa não está totalmente livre e onde os jornalistas podem ser processados por dizerem a verdade simplesmente porque o Estado a entende como mentira.

Hoje surgiu um belíssimo exemplo duma imprensa intrusiva em Portugal, num dos jornais diários mais vendidos (nem interessa qual, porque esse jornal não interessa mesmo), onde veio na capa a revelação que nas escutas policiais ao telefone do senhor Jorge Nuno Pinto da Costa, Presidente do FC Porto, havia referências na gíria portuguesa a prostitutas.

Primeiro, o que isso tem a haver com notícias e segundo, quem passou a procuração a esse farrapo (que não se pode chamar de jornal) de falar da vida pessoal do Sr. Pinto da Costa (mesmo sendo verdade a peça)? Terceiro, se essas escutas estão incluídas no processo policial “apito dourado” que investiga a corrupção no futebol, como é que o conteúdo pode estar apresentado na praça pública, porque sendo parte do processo judicial, influencia o caso. Em muitos países o caso de investigação contra Sr. Pinto da Costa seria considerado nulo só por esse motivo.

Ora bem, o jornal em questão apresentou a cabeça no bloco, porque entre utilizar prostitutas (que não é crime) e utilizar palavras que referem a prostitutas, há uma grande diferença e fica aberto a um processo de calúnia e o devido pagamento duma multa elevadíssima. E merece.

Se um jornal serve para apresentar as notícias à população e se um jornalista serve para as escrever ou apresentar na televisão ou rádio, há que discernir entre o que constitui uma notícia no interesse público e o que constitui fofoqueira, coscuvilhice ou bisbilhotice, seja o que for, que pertence à sala do cabeleireiro ou nos bares, mas que só pertence à sarjeta do jornalismo.

Se Sr. Pinto da Costa utilizar/utilizou ou não prostitutas, o problema é dele e de mais ninguém. Se tivesse sido um caso de rapazes de 18 anos (que não foi), teria também sido uma questão particular. Contudo, se tratasse de rapazes ou moças de sete anos, seria sim uma questão que poderia ser apresentada como de interesse público, porque sendo uma figura pública, a cometer um crime, sujeita-se ao facto que o público tem o direito de exigir um comportamento pelo menos dentro dos limites legais.

Caso contrário, perde o direito. No entanto, o facto do Sr. Pinto da Costa estar sob investigação no processo “apito dourado” não quer dizer que é culpado de qualquer coisa que fosse, até ser julgado (e com essas manchas atiradas contra seu carácter, como é que o processo pode continuar de forma objectiva?) e o facto dele ser investigado não quer dizer que perdeu seus direitos como ser humano.

Imprimir na primeira página duma publicação diária que Senhor X. faz referências a prostitutas nos seus telefonemas (informação que de qualquer modo foi propriedade das autoridades policiais) é uma intrusão na vida pessoal, é interferir com a objectividade do processo legal e é uma expropriação do carácter judicial e fundamental do material em questão.

Isso não se trata da liberdade de expressão ou da imprensa. Trata-se de intrusão.

Há por isso três pontos a ter em consideração na questão da liberdade de divulgar (porque sendo jornalistas, assumimos uma certa responsabilidade e como chefes de redacção e directores, um grau de responsabilidade muito maior).

Primeiro, há normas deontológicas a seguir. Segundo, além de normas, há uma questão ética a respeitar. As normas passam pela representação da verdade na condição de ser de interesse público, e só nessa condição, e a questão ética tem a ver com o respeito pelo ser humano, providenciando-lhe o mesmo tratamento que nós queríamos receber se estivéssemos no lugar dele.

É basicamente uma questão de decência comum. Os leitores saberão discernir entre os órgãos que trazem notícias a eles, e os outros e depois questionar-se-ão se valeu a pena gastar o seu dinheiro do modo que gastaram.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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