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A Semana Revista

08.02.2004 | Fonte de informações:

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Quem cospe para o vento…

Inquéritos independentes foram lançados esta semana em Washington e Londres para investigar os eventos que antecederam a decisão de lançar uma guerra contra o Iraque baseada na presunção que o Iraque tinham Armas de Destruição Maciça que constituíam uma ameaça séria e imediata à segurança dos EUA, Reino Unido e seus aliados.

Depois das equipas da ONU (UNMOVIC e AIEA) serem esforçados a se retirarem prematuramente do Iraque, por um Washington prepotente e arrogante, que afirmou que sabia onde o armamento estava escondido, e depois dum ataque selvático em que foi perpetrado a pior chacina de seres humanas na história recente, em que foram deliberadamente escolhidas como alvos militares as estruturas civis, em que morreram dez milhares de civis e em que foram mutiladas mais dezasseis milhares de pessoas inocentes, os regimes de Bush e Blair foram esforçados a reagir à opinião pública que tanto desrespeitaram.

Depois de terem mentido à comunidade internacional, à ONU e às suas populações, os regimes de Bush e Blair vêem as mesas voltadas pela primeira vez contra eles: primeiro David Kelly, perito britânico nas ADM do Iraque (que se suicidou em Julho passado) e agora o norte-americano David Kay, inspector principal da CIA e perito em ADM, declararam que não havia Armas de Destruição Maciça no Iraque, insinuando que os seus governos ou estavam enganados ou enganaram suas populações, e o mundo, sobre o causus belli.

Hoje, Hans Blix, ex-director das equipas UNMOVIC, declarou à imprensa que o causus belli foi “dramatizado” pelos regimes de Bush e Blair e que a afirmação que as ADM poderiam ser prontas a utilizar dentro de 45 minutos foi um exagero.

Sobre este assunto, o Primeiro-ministro britânico Tony Blair, admitiu esta semana que nem sabia que esta afirmação, sobre os 45 minutos, se referia somente ao armamento utilizado em campo de batalha (artilharia, neste caso, que nem precisava de 45 minutos, basta colocar o obus e carregar no botão).

No entanto, se as investigações independentes irão incomodar seus governos ou não, é outro assunto. Se forem instruídos a investigar uma linha de pensamento meramente académica e teórica, por exemplo, se os serviços de inteligência apresentaram os factos de maneira enganosa ou não, e caso sim, quem culpar?

Os próprios serviços, ilibando Bush e Blair e seus regimes criminosos de qualquer culpa. Quem consegue violar todas as normas da lei internacional, cometer assassínio em grande escala e destruir as infra-estruturas dum país e calmamente encomendar um inquérito para ver onde se enganou, tem o descaramento de se esquivar ao acto de mea culpa.

Quem pela espada vive…

Os terroristas chechenos, aqueles elementos chamados “separatistas” pela imprensa pró-Washington (demonstrando logo as tendências a favor do desmembramento da Federação Russa e ao saque dos seus recursos), fizeram outro ultraje no metro de Moscovo, bem no coração da cidade, na sexta-feira, matando 39 pessoas e ferindo 365.

O ataque, provavelmente levado a cabo por uma bombista suicida, é mais um numa série de chacinas perpetrada por esses elementos desde Julho de 2000, em que cerca de 300 pessoas perderam suas vidas.

Presidente Vladimir Putin afirmou muitas vezes que não irá negociar com os terroristas, que não gozam de qualquer apoio significativo na Chechénia, onde a população não deixou dúvidas no referendo em 2003 que quer ficar dentro da Federação Russa mas com certa autonomia.

Com terroristas, não se pode falar como se fossem pessoas normais, porque não o são. São assassinos. Como Bush e Blair, desrespeitam as regras. Como Bush e Blair, quebram as leis. Como Bush e Blair, matam pessoas inocentes. Mulheres. Idosos. Crianças. Bebés. Indefesos. E ironicamente, mal passa um dia em que Bush e Blair e seus regimes sangrentos não falam do terrorismo internacional.

Contra o terrorismo se luta com uma mão de ferro e outra de aço. Os elementos que perpetram esses ultrajes têm de ser exterminados e suas linhas de apoio têm de ser cortadas. Visto que esses elementos não gozam do apoio da população civil, são esforçados a se esconderem nas montanhas da Chechénia e da Geórgia, onde podem receber abastecimento de fora, da rede de Al-Qaeda e de outros extremistas islâmicos. Curiosamente, quem está presente na Geórgia também são os norte-americanos. Que coincidência.

Enquanto há esperança…

Seis dias após o colapso do bloco de apartamentos em Konya, Turquia, em que 66 pessoas perderam a vida, as equipas de salvamento tiraram um rapaz de 16 anos com vida.

A família de Muhammet Kalem assim pode celebrar o dom mais precioso, que é a vida humana, que as forças do Mal teimam em ceifar. A vida de Muhammet é preciosa, tão preciosa para a sua família, tão preciosa como a vida dum civil iraquiano, um utente do Metro de Moscovo durante a hora de ponta perto dum final de semana, tão preciosa como a vida dum soldado norte-americano e num plano humano, tão preciosa como a vida dum terrorista.

Pena é que dois países supostamente civilizados e um bando de nojentos sicofantas decidiram iniciar o milénio com um acto colectivo de loucura, de chacina, do ultraje da própria civilização, tal como qualquer grupo terrorista. A diferença é meramente na definição de quem são.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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