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Cuba: Modelo neo-liberal fracassou claramente

06.06.2003 | Fonte de informações:

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Na sua entrevista com PRAVDA.Ru, Reinaldo Calviac Lafferté, o Embaixador da Cuba em Lisboa, disse que América do Sul está sujeita à mesma agressividade que os Estados Unidos da América pratica no resto do mundo para manter a sua hegemonia na região. Os Estados Unidos da América, na opinião do Senhor Embaixador, querem continuar a dominar os destinos deste continente, embora haja claras sinais que a política neo-liberal fracassou.

Relativamente a Cuba, os EUA mantém a sua posição de hostilidade porque não aceita, e nunca aceitou, que Cuba tivesse uma política independente. Os outros estados da América Latina têm mostrado uma posição coerente, apoiando a Cuba na ONU e condenando o bloqueio imposto pelos Estados Unidos da América. Porém, quando as suas economias estão tão totalmente dominadas e dependentes, o que mais podem fazer? A Cuba reconhece isso e agradece os países da América Latina pela sua solidariedade.

Reprodução do extracto da entrevista na íntegra:

PRAVDA.Ru: Com a administração de Bush, os EUA irá continuar uma política de ingerência nos assuntos da América Latina?

“É evidente que esta administração norte-americana está a agir também na América Latina porque os Estados Unidos querem manter o controlo do continente pela força, colocando e destituindo governos com a mesma agressividade com que age no resto do mundo.

A América Latina é um problema para eles porque a situação económica e social está grave e o modelo neo-liberal tem fracassado duma maneira muito clara; portanto as populações na maioria dos países na América Latina não acreditam nas diferentes fórmulas que os EUA quer continuar a implementar no continente.

O mais evidente de todos os casos foi Argentina, que foi apresentado pelos EUA e o FMI como um exemplo de democracia neo-liberal, como um sucesso das teorias económicas neo-liberais e todo o mundo está a ver a situação agora.

A Venezuela foi outro exemplo. Venezuela, que é um país muito rico, e um dos principais exportadores de petróleo, como é possível que 80% da população viva na pobreza?

No Brasil, o trunfo da Lula obedece ao fracasso da política tradicional, dos partidos tradicionais e resulta da população, completamente farta do modelo socio-económica, vivendo com cada vez mais pobreza e dificuldade, e é isso o cenário um pouco por toda a América Latina. Os EUA está a procurar por todos os meios ter domínio sobre a América Latina mas sabe que a situação social e política é muito explosivo.

Os EUA tenta através do ALCA, instalar um projecto neocolonial, um projecto que pretende consolidar ainda mais a dominação dos Estados Unidos sobre a América Latina do ponto de vista económico. Pretende fechar à União Europeia as possibilidades de incrementar as suas relações económicas com a América Latina”.

PRAVDA.Ru: Os EUA continua a encarar a Cuba como ameaça, como país inimigo?

“Cuba não constitui uma ameaça para os Estados Unidos. Cuba nunca foi uma ameaça para os Estados Unidos, que nunca aceitaram e continuam a não aceitar, que Cuba tenha uma política independente e portanto, mantém esta hostilidade em todas as áreas, continuando com o bloqueio económico.

Por outro lado, há uma pressão diplomática em várias organizações internacionais, como por exemplo a Comissão de Direitos Humanos em Genebra, e por outro lado Washington tenta justificar as suas acções dizendo que Cuba é uma ameaça para os Estados Unidos, que não tem o mínimo fundamento”.

PRAVDA.Ru: O quê é que os outros países da América Latina poderiam fazer para pressionar os EUA a levantar esse bloqueio? Poderiam fazer algo mais?

“É um pouco difícil porque para isso, é preciso ver que teriam de enfrentar o império mais poderoso que alguma vez existiu desde o Império Romano. Qualquer governante Latino Americano que contrarie os planos dos Estados Unidos está a correr riscos do ponto de vista que os EUA controla a situação financeira internacional, a Banca Mundial, portanto, os EUA chantaja constantemente, ameaça constantemente, com a suspensão de créditos, de comércio, enfim os estados da América Latina são dependentes financeira e economicamente dos EUA e do FMI.

Para eles por isso é difícil assumir uma atitude mais firme, mais aberta contra os Estados Unidos mas de qualquer maneira nós reconhecemos que a maioria dos estados da América Latina desde há muitos anos na Assembleia da ONU têm apoiado a resolução que condena o bloqueio dos EUA contra a Cuba.

É uma posição solidária e justa com a Cuba e com o direito internacional”.

PRAVDA.Ru

 
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