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Nazistas Letões

03.06.2004 | Fonte de informações:

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Em Setembro de 2003, alguns visitantes letões e estrangeiros compareceram à cerimônia de memória pelos judeus letões vitimados na floresta de Rumbula, onde 25.000 judeus foram massacrados no fim de 1941, principalmente pela polícia letã. Apenas uma semana depois, o governo letão inaugurou outro memorial - este dedicado à memória dos membros letões da Waffen SS.

Naquele mesmo mês, a Letônia conseguiu pacificar a sua pequena população judia remanescente, ao mesmo tempo que se fazia sentir melhor em relação à sua colaboração com a Alemanha nazista. Duas semanas, dois memoriais: um às vítimas do Holocausto, e o outro aos realizadores do Holocausto.

O memorial da SS foi inaugurado na cidade letã de Lestene. O evento teve a presença do governo do país, religiosos e oficiais militares. Três orquestras militares do Ministério de Defesa letão tocaram músicas para comemorar as "conquistas e sacrifícios" da SS e sua divisão letã em nome do Führer e da Pátria.

Exceto por alguns jornais russos e israelenses, os meios de comunicação mundiais ignoraram o evento e se mantiveram silenciosos.

Os sobreviventes da legião letã da SS marcharam orgulhosos em Lestene, tendo suas "conquistas" apreciadas por seu novo governo. A SS letã exterminou dezenas de milhares de judeus, eslavos e compatriotas letões há sessenta anos, e hoje o governo letão os considera veteranos de guerra, paga-lhes pensões militares, ergue monumentos em seu nome e celebra sua causa e feitos sangrentos com paradas patrocinadas pelo Estado.

As escolas letãs ensinam que a SS defendeu heroicamente seu país contra as hordas bolcheviques e buscaram um lugar apropriado para os "überman" letões no futuro brilhante do Reich de Mil Anos.

Incapaz de aceitar a responsabilidade por seu passado nazista, a Letônia busca reescrever as páginas sangrentas da história. Isso é feito silenciosa e gradualmente. As três orquestras militares que tocaram no memorial da SS em Setembro tiveram que manter baixo seu fortissimo para não perturbar a adormecida opinião pública das nações que sacrificaram milhões de vidas para derrotar o monstro do fascismo.

Hoje, a Letônia não está apenas reescrevendo sua história, mas a nossa também. Nós tornamos isso possível ao ignorar a marcha da SS em Lestene; ao tentar não nos darmos conta dos memoriais aos assassinos nazistas que se espalham pela Letônia, Lituânia e Estônia; e ao tapar nossos ouvidos para não escutarmos as legiões da SS marchando em Riga e Tallinn.

Em 1946, o Tribunal Militar Internacional em Nuremberg considerou a Waffen SS uma organização criminosa. Desde 1997, milhares de criminosos da SS vivendo nos EUA, Grã Bretanha, Letônia e outros países, ganham uma pensão militar mensal paga pela Alemanha e pelos governos nacionais, no caso da Letônia.

Este revisionismo histórico revoltante, erguendo sua terrível cabeça com nossa aprovação silenciosa, é um insulto à memória dos milhões que deram suas vidas para salvar as nossas.

A tentativa da Letônia de reescrever a história da Segunda Guerra Mundial tem sido objeto de centenas de novos artigos, livros e discussões públicas. O Centro Jerusalém para Assuntos Públicos chamou a política revisionista da Letônia em relação a sua colaboração com a Alemanha nazista de "um dos piores casos de falsificação da história." Alguns países têm que lidar com o problema do renascimento do fascismo. O que torna o neonazismo letão mais assustador é o apoio oficial aberto que ele recebe do governo.

Durante a guerra, a Waffen Schutzstaffel (Waffen SS) formou duas divisões de voluntários letões - a 15a e 19a Divisão de Granadeiros da Waffen. No ápice de seu poder, a SS cresceu de quatro divisões totalmente alemãs para 41 divisões totalizando 900.000 membros dos países ocupados, incluso mais de 150.000 voluntários da Letônia - a maior contribuição de voluntários da SS de qualquer nação ocupada pela Alemanha.

Diferentemente de outros voluntários das divisões Waffen SS criadas durante a guerra, as divisões letãs eram conhecidas por sua eficiência em combate e seu compromisso com o nazismo. Em 1945, depois de terem sido dizimadas pelo exército soviético, os sobreviventes das duas divisões letãs da SS se reagruparam sob o comando do Waffen-Standartenführer Villus Janums para a defesa de Berlim. Eles depois se renderam aos norte-americanos em Güterglück, perto do rio Elba.

Na primavera de 1998, os sobreviventes dessa força marcharam pelas ruas da capital letã, carregando bandeiras com suásticas e insígnias da SS. A marcha foi autorizada pelo governo letão, e teve a presença do Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas letãs, apesar dos protestos da Rússia, França e Israel.

Apenas duas semanas antes da parada nazista em Riga, a polícia letã dispersou brutalmente uma demonstração pacífica de veteranos de guerra russos. Alguns dias depois da parada nazista em Riga, duas bombas danificaram uma sinagoga e a embaixada russa.

Naquele mesmo ano, a Rússia ameaçou impor sanções econômicas contra a Letônia, em resposta ao apoio oficial do país ao ressurgimento do nazismo, mas essa ameaça nunca se concretizou. Infelizmente, a política oficial da Letônia de lidar com o passado nazista permanece, através de negações e revisionismo histórico.

Ao comparecer à cerimônia de Setembro do ano passado na inauguração memorial às vítimas judias letãs do Holocausto, o porta-voz do Knesset israelense, Ruby Rivlin, afirmou: "Nós lembraremos seus crimes - cada um deles. Nós lembraremos, e continuaremos a lembrar o mundo do maior crime contra a humanidade, dos criminosos que o cometeram, e das pessoas que o tornaram possível. Nós não aceitamos, nem aceitaremos jamais, a tentativa de limpar a consciência de uma nação simplesmente culpando a ocupação nazista. A Letônia, assim como outras jovens democracias européias, ainda tem que encarar seu passado, a terrível verdade. O povo letão tem muito pelo que responder. Perdoar os piores criminosos, tratando-os como heróis, guerreiros da liberdade, deixá-los marchar orgulhosamente pelas ruas, é cuspir no rosto das mulheres, crianças e bebês que foram massacrados aqui."

A porta-voz do parlamento letão, Ingrida Udre, respondeu com lágrimas nos olhos: "Nós lembraremos este crime terrível, para que nunca mais possamos repeti-lo. Devemos continuar a investigar nosso papel, e assim o faremos, e enfatizar quem são os culpados, e quem são as vítimas inocentes." No fim de semana seguinte, Ingrida Udre celebrou a abertura do cemitério da Waffen SS letã. A cerimônia teve a presença da ministra da cultura, Inguna Ribena, membros do parlamento, representantes da igreja, e oficiais militares.

Reescrever a história e o ressurgimento do fascismo é apenas possível com nossa aprovação silenciosa. Não sabemos, não nos importamos, estamos muito ocupados. Alguns pensam que o nazismo se trata de matar judeus, e que a Segunda Guerra Mundial foi uma rixa privada entre Hitler e Stalin. Gostamos de simplificar as coisas.

Cerca de seis milhões de judeus foram exterminados pelos nazistas. Mais de trinta milhões de soviéticos e vinte milhões de chineses foram mortos durante a guerra. Mais de cem milhões de pessoas morreram por causa das batalhas e da fome trazidas pela Segunda Guerra Mundial.

O legado do nazismo não é o Holocausto; não é o extermínio de eslavos, ciganos, chineses, homossexuais e deficientes mentais; não são as grandes batalhas em Kursk, Stalingrado ou Normandia. O legado do nazismo é o extermínio indiscriminado da vida humana.

Adotar essa visão a respeito da Segunda Guerra Mundial é essencial para todos. Todos nós temos pontos de vista políticas e agendas pessoais. Tendemos a olhar para a história da guerra e tentar achar pontos bons nela. Alguns odeiam judeus, outros odeiam russos ou norte-americanos.

Olhe para qualquer foto de prisioneiros soviéticos executados, olhe para os corpos dos judeus e ciganos mortos nas câmaras de gás, olhe para os norte-americanos mortos enchendo as praias da Normandia, olhe para as fotos grotescas de camponeses ucranianos executados. Isto é extermínio indiscriminado da vida humana, e o que faz você se dar conta de algo crucial ao olhar essas imagens horríveis é que poderiam ter sido você, independente de quem você é ou no que você acredita.

Letões, lituanos e estonianos se uniram à SS acreditando que os nazistas iriam libertá-los da ocupação soviética; a Finlândia ofereceu-se como plataforma para a invasão alemã do norte da URSS acreditando que os nazistas a protegeriam de seu vizinho oriental; o governo iraquiano se alinhou com a Alemanha esperando que os nazistas livrariam o Iraque do controle britânico; os ucranianos se uniram à SS por seu ódio aos judeus e aos bolcheviques.

Milhões apoiaram a causa do nazismo, levados por suas razões pessoais, deixando de ver o quadro geral. No final, milhões deles morreram; mas eles não morreram logo, e levaram outras dezenas de milhões consigo.

Nós não podemos considerar todas as distorções da história. Estamos aqui para cuidar de um problema de cada vez, e o problema atual é o do ressurgimento do fascismo nos países bálticos. Letônia, Lituânia e Estônia entraram na União Européia. Eles querem juntar-se ao clube da imaginária superioridade moral da UE, com a qual eles julgam os russos, os norte-americanos e o resto do mundo.

Os governos, assim como as pessoas, unem-se por dois motivos: para sobreviver, e para absolver-se mutuamente de suas responsabilidades individuais. A UE deixou os países bálticos entrar, apesar de sua pesada bagagem de problemas suprimidos e história precipitadamente reescrita. Seu governo espera que essa bagagem se perca. Estamos aqui para assegurar-nos que isso não irá acontecer.

A seguir, estão os endereços de e-mail de órgãos governamentais dos países bálticos. A democracia tem um longo caminho pela frente na Letônia. Alguns podem questionar a eficácia de escrever para o governo letão. Efetivo ou não, é algo que precisa ser feito.

Que reação devemos esperar dos nossos protestos? A mais provável é o silêncio. Os erros de um país acerca de sua própria história não podem ser mudados da noite para o dia, principalmente quando tais erros são tão cômodos.

Nossos esforços seriam em vão? Definitivamente, não: emoções negativas tendem a acumular-se. Uma vez que você coloca na cabeça de alguém bastantes coisas desagradáveis para se pensar, um conflito certamente irá surgir, mais cedo ou mais tarde. E através do conflito vem a mudança.

Vamos investir cinco minutos de nosso tempo para preservar nossa história coletiva, e enviar algumas críticas à Letônia.

Letônia:

Escritório do presidente: chancery@president.lv

Escritório do primeiro-ministro: www.mk.gov.lv

Parlamento (Saeima): web@saeima.lv

Ministério das Relações Exteriores info@mfa.gov.lv

Ministério da Justiça: justice@latnet.lv

Estônia:

Escritório do presidente: sekretar@vkp.ee

Escritório do primeiro-ministro: peaminister@rk.ee

Parlamento (Riigikogu): riigikogu@riigikogu.ee

Ministério das Relações Exteriores: vminfo@vm.ee

Ministério da Justiça: sekretar@just.ee

Lituânia:

Escritório do presidente: info@president.lt

Governo da República da Lituânia: kanceliarja@lrvk.lt

Ministério da Defesa: vis@kam.kam.lt

Ministério das Relações Exteriores: urm@urm.lt

Ministério da Justiça: tminfo@tic.lt

Escrito por VENIK

Tirado de sua página www.aeronautics.ru

Endereço completo do artigo: www.aeronautics.ru/archive/wwii/baltic_nazis/latvia/index.htm

Reproduzido com permissão do autor

Traduzido por Carlo MOIANA PRAVDA.Ru BRASIL

 
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