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O Mali pode condicionar África?

03.02.2013 | Fonte de informações:

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O Mali pode condicionar África?. 17846.jpeg

"Houve um período em que o Continente Africano esteve numa certa estranha acalmia político-militar, só entrecortada com as crises da Costa do Marfim e, do já rotineiro, Congo Democrático. Infelizmente, coisa de pouca duração. Desde que emergiu a chamada Primavera Árabe que o Continente, em particular a parte meridional, está em contínua convulsão. Foi - e é - a Líbia, é o Egipto e, mais recentemente, o Mali.


Na Líbia, como se previa, a queda de Kadhafi não seria sinónimo de paz e evolução político-militar. A situação no país está entrar numa rotina de preocupantes conflitos locais com os principais países ocidentais a mandarem sair os seus cidadãos, nomeadamente, da "pátria" da revolta líbia, Benghazi, em parte devido às ameaças dos grupos fundamentalistas islâmicos do Norte de África, ditos aliados da al-Qaeda.

No Egipto a oposição ao presidente islamita Morsi mantém o país sob um clima de forte tensão devido, segundo aqueles, ao facto dos islamitas da Irmandade Islâmica e de Morsi terem criado uma Constituição que fere os desejos libertadores constitucionalistas dos "fundadores" da alforria da Praça Tahrir, ou seja, igualdade entre os Povos e entre os Homens e as Mulheres.

Mas se nestes dois países a situação é crítica, no Mali a conjuntura é de guerra aberta entre uma certa legitimidade (não constitucional) e um déspota terrorismo. E porquê uma legitimidade não constitucional e um terrorismo? Recordemos a evolução.

O Mali, em Março de 2012, foi alvo de um Coup d'État (Golpe de Estado) levado a efeito por militares liderada pelo capitão Amadou Haya Sanogo (estranhamente e ao contrário das directrizes da União Africana (UA), esta reconheceu o novo Governo). Este golpe despoletou a crise subsequente levada a efeito por tuaregues e aproveitada pelos islamitas pró-al-Qaeda.

Os tuaregues liderados pelo Movimento Nacional para a Libertação d' Azawad (MNLA), um movimento laico que também agrupa islamitas não radicais defendeu a separação autonómica do Norte do Mali (Azawad) no que foi aproveitado por radicais islâmicos para declararem a secessão integral e respectiva independência do território.

Só que os independentistas não se ficaram pelo território secessionado. Quiseram progredir para sul o que levou o presidente interino, Dioncounda Traoré, ao abrigo da Resolução 2085 da ONU, sobre o Mali, solicitar ajuda à Comunidade internacional, leia-se, à França e à UA.

Recorde-se que Traoré ascendeu ao poder através de um novo Golpe contra Sanogo, evocando a retomada da legitimidade constitucional. Nada mais erróneo dado que desde 2002 que o Mali era governado por golpistas.

A aproximação dos golpistas terminou em Konna - na região de Mopti, que já não faz parte de Azawad -, a cerca de 300 quilómetros a norte da capital, Bamako, com a entrada na cena militar de forças francesas.

E aqui volta a velha questão da franconização de África que o presidente francês Hollande disse ter terminado. (...)" (continuar a ler aqui)

 

Publicado no semanário Novo Jornal, edição 263, de hoje, página 19 (1º caderno)

Eugénio Costa Almeida, Ph.D

Investigador/Researcher do CEA (ISCTE-IUL)

http://elcalmeida.net

 

 

 
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