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Personalidade da Semana: Sua Santidade o Papa João Paulo II

02.04.2005 | Fonte de informações:

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Karol Josef Wojtyla (Voi-TI-wa), Arcebispo de Cracóvia, foi nomeado Papa João Paulo II em Outubro de 1978, líder da maior comunidade cristão no mundo. Passou 27 anos, o terceiro pontificado mais longo da história, a trazer a Igreja Católica junto aos seus fiéis, ajoelhando-se para beijar a terra dos países que ele visitava como sinal de respeito e humildade e estreitando o espaço entre a hierarquia da igreja e seu povo.

Karol Wojtyla (o 264º Papa) nasceu em Wadowice perto de Cracóvia em 1920. Estudou teologia durante a segunda guerra mundial (clandestinamente durante a ocupação Fascista da polónia) e foi ordenado Padre em 1946, defendendo seu doutoramento em 1951 (a tese foi acerca do filósofo alemão, Max Scheler), sendo apontado Arcebispo de Cracóvia em 1964 e três anos mais tarde, Cardeal. Aos 58 anos de idade, foi proclamado o Papa mais jovem do século vinte.

A energia que ele revelou quando era novo, jogando futebol e esquiando, praticando canoagem e ciclismo, adorando o teatro, continuou durante seu pontificado, em que ficou o Papa que mais viajou na história, trazendo sua Igreja ao seu Povo, um bilhão de fiéis em visitas a 126 países, incluindo Angola (1992), Brasil (quatro vezes, em 1980, 1982, 1991 e 1997), Cabo Verde (1990), Guiné-Bissau (1990), Moçambique (1988), Portugal (quatro vezes, em 1982, 1983, 1991 e 2000), São Tomé e Príncipe (1992) e Timor-Leste (1989).

Durante estas visitas papais, demonstrou uma rara capacidade de comunicação, adaptando-se à sua audiência e sendo suficientemente flexivel para brincar, enquanto fazia suas tarefas. Por exemplo, em 1991, numa das suas visitas a Lisboa, percebendo que uma grande multidão tinha juntado perto do Consulado do Vaticano (a Nunciatura), foi para a varanda, sem quaisquer guarda-costas, a poucos metros da multidão, dizendo “Então, querem que eu diga boa noite? Então, boa noite!”

A multidão respondeu “Boa noite” e o Papa colocou sua mão na sua orelha, fingindo não ouvir. A multidão gritou, mais alto “Boa noite!” e o Papa repetiu o gesto. Outra vez, a multidão, berrando já, “Boa noite!!” e a resposta do papa: “Ah, OK; boa noite” e se retirou, causando uma risada geral nos fiéis.

É um exemplo típico da simplicidade deste homem, o génio que demonstrou nos seus contactos com os seus fiéis e seu desejo que trazer sua igreja aos seus crentes, em vez de estar retido nas muralhas do Vaticano, intocável.

Esse desejo de estar perto do seu povo quase causou sua morte – em 13 de Maio 1981, foi atingido a tiro por Mehmet Ali Agca na Praça de São Pedro, Roma. João Paulo II acreditou que sobreviveu porque foi no dia da aparição da Nossa Senhora de Fátima e por essa razão viajou a Portugal na primeira oportunidade que teve, no ano seguinte, para agradecer à Nossa Senhora de Fátima e colocar uma das balas na coroa da imagem. Mais tarde, visitou Agca no hospital e perdoou-o. Agca se converteu ao Catolicismo.

O pontificado do Papa João Paulo II foi marcado pela sua posição sobre o divórcio, a contracepção e o aborto, em que adoptou uma atitude conservadora. Porém, ele argumentaria que se foi nomeado Papa da Igreja Católica Romana, cuja obrigação e razão de ser é a protecção da vida, impedir a interferência do Homem no trabalho de Deus e defender a santidade das promessas matrimoniais perante Deus, como é que poderia defender outra posição, a não ser essa?

Sua nomeação como Papa teve consequências políticas tremendas na Europa de leste, visto que a Polónia estava no coração dos países COMECON e sua influência foi sentida de forma muito aguda no movimento anti-governo, Solidariedade.

Durante seu pontificado, patrocinou numerosas reuniões entre os líderes das principais religiões do mundo, procurando consenso e aceitação, tolerância e paz, pedindo desculpa pelos erros dos homens no passado em nome do catolicismo e esperando um futuro de amizade entre as religiões, respeito pela condição humana e uma irmandade de nações vivendo juntos em paz. Tentou construir pontes não só entre os vários ramos de Cristandade, mas também as outras religiões, tornando-se por exemplo o primeiro Papa a visitar um Sinagoga.

João Paulo II reinvigorou a Igreja Católica numa altura em que estava em declínio, deixando-a com uma explosão de novos membros na África e América Latina, trazendo-a para a primeira linha de cobertura mediática, tirando o pontificado do Vaticano para estar junto com os fieis na rua.

Karol Wojtyla, o Papa João Paulo II, foi a personificação da globalização da sua igreja e mais do que isso, a globalização dos valores religiosos e morais defendidos por ele e um bilhão de fiéis, uma luz numa altura de escuridão. Morreu, pacificamente no seu apartamento no Vaticano em 2 de Abril de 2005.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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