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Caio, Bibelô do Morumbi, Conden

01.05.2020 | Fonte de informações:

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Antes de esportista, ídolo são-paulino e cidadão com direito a emitir opinião sensibilizado pelos hospitais públicos caóticos em tempos de pandemia, minimizada por Bolsonaro. Caio, o "não me toquem" tricolor, fala como bolsonarista que possui plano de saúde

Edu Montesanti

O ex-jogador de futebol Caio Ribeiro, hoje comentarista da TV Globo (e bolsonarista declarado), criticou fortemente o também ex-futebolista Raí por, na condição de coordenador técnico do Sao Paulo F.C., emitir opiniões poiticas - contra a atuação (ou a falta dela, omissão na realidade) do (des)governo brasieiro diante da curva crescentemente assustadora de infectados e mortos por COVID-19.

"Ele tem que falar de esporte", sentenciou bem ao estilo bolsonariata e milico em seu sentido mais amplo, o ex-atacante Caio no programa Redação SporTV.  “Não gostei do discurso do Raí, porque ele falou muito pouco de esporte e falou muito sobre política [grifo nosso]. Por mais que ele fale que é a opinião pessoal dele, ele hoje é o homem forte do São Paulo e as declarações e opiniões que emite respingam na instituição. Acho que ele tem que falar de esporte. Na hora que ele fala de renúncia, dos hospitais públicos [grifo nosso] e tudo isso, me parece que ele tem conotações políticas em relação a preferências [grifo nosso]”, acrescentou o comentarista.

Valendo-se da "filosofia" da mordaça de direita pateticamente em moda no Brasil nos anos últimos anos, coroada com a abertura da porteira para a Besta Nazista nas eleições presidencias de 2018, Caio qualificou a análise crítica de Raí em relação aos hospitais públicos e da ausencia de resposta dos poderes públicos federais à pandemia, em um momento dos mais graves da história do Brasil, de "conotacao politica", ou "ideologia". O que não vale quando se trata, para a direita burra tupiniquim como poucas no planeta, da defesa de suas imbecilidades mais toscas, que de uns anos para cá vem assombrando o mundo - e cada vez mais, motivo de chacota internacional.

Completamente no sentido oposto do que disse Caio, as opiniões do Rai nao vão ser, jamais, interpretadas como as do São Paulo Futebol Clube como instituição, comprometendo publicamente o clube, seus dirigentes, atletas das mais diversas modalidades, socios. Nada poderia estar mais distante da realidade. Bolsonaristas como o Caio estão, simplesmente, delirando.

Como bolsonarista roxo, achou-se no direito não de contra-argumentar pontual e democraticamente outra opinião, mas de tentar retirar do Raí o direito cidadão de emitir opinião - e Raí, antes de ser auxiliar técnico é cidadão, com todo o direito, em qualquer momento como qualquer outro cidadão em qualquer parte do mundo,, de falar sobre politica e do que quiser, seja para elogiar ou criticar. "Boleiro so fala de futebol, não se mete nos problemas sociais do Pais". Ou não deve fazer isso, quando se trata de criticar os protofascistas do País como Bolsonaro, apoiado pelo proprio Caio. Este sim, não deve interferir no direito a livre expressão do proximo.

O que ocorre e que falar em política no Brasil ainda e um tabu. A política anda tão criminalizada em um pais onde golpe militar esta e sempre esteve latente entre as classes dominantes, que muitas vezes apenas falar em assuntos sociais e politicos, ja e condenavel para certas mentalidades. Agravado com o emburrecimento social brasileiro, uma rede de ensino comecando pela privada estruturada para formar imbecis, com origem nas elites brasileiras. E Caio e, justamente, pertencente a elite paulistana, a mais agressiva, histerica, ignorante e discriminadora do Pais.

Particularmente, lamento muito a postura do Caio especialmente como integrante da equipe juvenil do São Paulo campeã paulista de 1991 da qual ele fez parte. Caio era, exatamente, o que não se enturmava com o restante da equipe. Durante meio semestre no clube paulistano, não vi Caio nenhuma vez, apos os treinamentos, almocando nem jantando no refeitorio do clube no Morumbi. Ele nunca fazia parte dos tão agradaveis papos, as famosas "conversas jogada fora" dos boleiros. Caio era o "não me toquem" do Morumbi.

Ate hoje, entre os jogadores que fizeram parte daquela equipe juvenil, na verdade todos que fizeram parte das categorias de base do São Paulo, de infantil a junior, Caio não e mencionado nas conversas entre as gratas lembrancas dos boleiros.

Lamento que o futebol, celeiro de mentalidades burras, siga sendo o velho amordacante de cabecas pensantes e criticas politicas providenciais, cujo grande exemplo foi a perseguicão a Afonsinho, "que se metia a falar de politica mas so tinha que falar de bola! [biquinho]". O proprio irmão do Rai, Socrates, o "doutor Magro", ou "Magrão", ou "doutor Socrates", medico e maior craque da historia do Corinthians, era uma mentalidade brilhante, sem exagero grande genio tambem fora dos gramados nao reconhecido como tal.  O doutor Magro liderou o movimento Democracia Corintiana, na luta por Diretas Ja no Brasil da ditadura militar. Ambos vem do acolhedor interior paulista, os caipiras simples que abracam todo mundo. Rai sempre foi tudo como um cara legal no São Paulo, a diferenca do Caio.

Rai, outra grande mente, sempre foi muito querido e exemplar no São Paulo, em todas as categorias, desde as de base ate os profissionais. Tanto que hoje e auxiliar tecnico do clube e vai brihar muito como treinador, e apenas uma questão de tempo.

Que a maioria dos jogadores siga seu caminho acritico, despolitizado, mas que nao se metam, eles sim, que nao se metam no exercicio da cidadania de seus colegas.

Os anos vão passar, e este ex-jogador fracassado que escrevem hoje na condicao de jornalista adianta: o legado que Rai deixara fara com que desservicos como este do bibelo do Morumbi, sejam completamente insignificantes. Assim como todos esses bolsonaristas, desmanchar-se-ão no ar da historia brasileira, nada a deixara não ser vergonha "ae, meu! E dai?!". Mas e realmente uma pena que, no Brasil, jogador de futebol seja sinonimo de ignorancia, analfabetismo politico e inacão total.
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Foto: Por Desconhecido - São Paulo Futebol Clube, Domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=7495020

 
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