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Haiti: Justiça!

01.02.2005 | Fonte de informações:

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As eleições providenciarão uma liderança definitiva no país desde que Presidente Jean-Bertrand Aristide foi retirado do país a força no ano passado no exemplo mais bradante da ingerência e intrusão dos Estados Unidos da América na região desde o falhado golpe de estado na Venezuela.

Com a informação das datas das eleições, vêm ataques contra membros do partido de Aristide, o Partido da Família Lavalas, cujos membros são detidos sem acusação pela oposição apoiada por Washington.

De facto, a história recente de Haiti é um estudo da interferência de Washington contra um governo progressivo e democraticamente eleito. Desde que Aristide foi eleito em 2000, os EUA lançou um embargo económico, apoiou grupos da oposição e providenciou fundos para planos de golpe de estado.

Este golpe de estado veio finalmente em 29 de Fevereiro de 2004, revelando grandes sinergias entre as forces militares invasores dos EUA e os membros da oposição. Mas não foi só um golpe de estado contra o Presidente, foi um golpe contra um programa político progressivo, tal como o falhado golpe contra Hugo Chavez tinha sido tão antidemocrático como inúmeros actos perpetrados pelos playboys de Washington, que insistem e tratar a América Latina como seu jardim de recreios.

De acordo com Washington, Aristide foi “removido” por causa do nível da “revolta popular” contra ele.

Mas será essa a verdade? Ou será, como tantas vezes, que a verdade é outra?

A verdade é que Washington estava a fundear e apoiar a milícia anti-Aristide e os ataques desta milícia estavam a ficar tão violentos que o governo deste país já era impossível. Com Aristide, saíram do país os programas de alfabetização, programas educativos, programas sociais e económicos progressivos, que visavam uma redistribuição de riqueza e oportunidades.

Tal como fez em Afeganistão, onde o governo progressivo e socialista de Dr. Najibullah foi subjugado pelas forças fora-de-lei dos Mujaheddin/Taleban, apoiados por Washington, os EUA demonstra mais uma vez um exemplo nítido do modus operandi não democrático, aliás, anti-democrático inato, que forma o cerne das instituições que ditam a política deste país.

Como sempre, os senadores e congressistas da ala direita da política de Washington, que têm ligações fortes com a elite super-rico de Haiti, ditam a política externa dos EUA que como sempre, vai contra o tecido dos preceitos estipulados na Constituição dos Estados Unidos da América.

Washington pretende apoiar os elitistas de direita em Haiti que nasceram com a colher de prata na boca, não se interessa pelo povo nem pelas forças que lutam para um Haiti mais pluralista e democrática.

Perversamente, foi o Instituto Republicano Internacional dos EUA, cujo lema é “promover a democracia internacional”, juntamente com a União Europeia, que canalizaram fundos para a oposição anti-Aristide, cujo líder por sua vez é André Apaid. Entre os amigos deste figuram ex-membros de esquadrões de morte e barões de drogas, amigos habituais de Washington.

André Apaid é um carácter interessante. Além de ser cidadão dos EUA, tem contactos estreitos com a comunidade de negócios de Haiti (e, de acordo com alguns, é dono de fábricas que têm condições deploráveis para os trabalhadores).

As próximas eleições serão interessantes, visto que antes do golpe de estado contra Aristide, a oposição nunca conseguiu angariar o apoio popular, apesar das histórias ao contrário na imprensa comprada. Por isso Aristide foi raptado por forças militares dos EUA, ameaçado de morte, juntamente com sua família e levado a África, onde permanece em exílio. Os que o substituíram, gritando slogans de apoio aos EUA, demoraram menos de 24 horas para começarem a cometer actos de chacina.

A ver, vamos… se o modelo das eleições imposto no povo de Haiti será igual a aquele adoptado nos EUA. De qualquer forma será uma oportunidade perfeita para aqueles que acreditam na liberdade e democracia, ganharem corações e mentes em Haiti, não através de campanhas de choque e pavor baseados em chacina em grande escala mas sim, no respeito pela lei, do qual o Washington de hoje aparentemente não tem nenhum.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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