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Portuguesmente escrevendo…quando cágado sai cagado

24.10.2004 | Fonte de informações:

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Tenham dó de nós, que aprendemos a língua de Camões e de Jorge Amado como língua estrangeira, e mesmo assim, 25 anos depois, ainda vamos tropeçando e soluçando, provocando múltiplas sugestões dos dois lados do Atlântico na nossa caixa de e-mail…ou seja, correio eletrônico, dizendo que haveria de escrever “lembrei-me” ou teria de botar “me lembrei”. Me acostumei a isso, acostumei-me mesmo.

Não fico chateado por isso, nem ninguém me enche o saco.

Tenham dó de nós, neo-lusófonos que vivemos nos dois lados do Atlântico, que temos de lembrar a pedir o cardápio ou ementa e pagar com a cédula ou nota, que temos de perguntar à menina de três anos “Você gostou do T-shirt vermelho” ou “Gostaste da camisola encarnada”, no sítio certo, para evitar um banho de choro. Isso para meninas mais pequenas ou seja, menores.

O T-shirt ou camisola em questão pode ser muita bacana ou bué de fixe, mas se for uma prenda (ou um presente) a uma rapariga (ai desculpem!) a uma moça mais velha, poder-se-ia, ou se podia, estar a falar ou estar falando dum fato, ou será facto, lingüística ou linguística?

O facto é que fato pode ser duas coisas, ou duas coisa, como se fala, ou se diz, em certas regiões do Brasil. Ou será que o fato é um acto ou ato de falar, ou dizer?

Cê Pede/Peça ao empregado de mesa ou ao garçom para trazer um sumo ou um suco, de limão ou de lima e depois veja a tamanha confusão a ver o que o coitado traz ao botar/por na mesa, dependendo em qual lado do Oceano ele estiver. Se estiver em Lisboa, poderá perguntar-lhe o que quer dizer o “bus” na faixa de trânsito. Ele diria “para os autocarros”, não “ônibus” e de qualquer forma a faixa de trânsito no Brasil é a passagem dos peões…desculpem, pedestres.

Resolvam lá essa/esta batalha, ponham fim a esse/este contendo, pelo amor de deus para sabermos como havemos de escrever e o que temos de dizer/falar às pessoas. Me dirijo/Dirijo-me à Academia Brasileira de Letras e à Academia das Ciências de Lisboa, que desde 1980 se vêem a braços com esse/este assunto.

Qual será o objetivo/objectivo do novo acordo? Dizermos que temos de escrever sem letras mudas/letra muda?

Como então é que havemos de saber se um facto é um fato ou um…fato, se o acto de atar é um ato de atar ou um…ato, ou então se o cágado que tenho no quintal sai cagado?

Seria então uma questão se irmos à casa de banho, ou ao banheiro?

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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