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Manifestação de imigrantes em Lisboa

22.03.2005 | Fonte de informações:

Pravda.ru

 

Direitos iguais! Residência SIM!! Escravatura NÃO!! Foram as palavras de ordem na manifestação de Domingo em Martim Moniz, Lisboa, quando cerca de 1.200 imigrantes foram à rua protestar contra a abominável lei de imigração em Portugal.

A xenofobia do anterior governo PSD/PP foi conhecida. Para uma mudança desta política exclusiva e esclavagista, esta manifestação foi organizada por várias entidades portuguesas (CGTP-IN, ATTAC, SOS Racismo, Solidariedade Imigrante, Associação Olho Vivo, SOPOR, entre outras) e apoiada pelo Partido Comunista Português e o Bloco de Esquerda, com muitas associações e os jornais russos Pravda.Ru e Komsomolskaya Pravda na Ibéria.

Foi muito participada, com cerca de 1.200 pessoas dos vários continentes a manifestarem lado a lado, africanos, portugueses, ucranianos, russos, moldavos, paquistaneses, chineses, brasileiros, timorenses, a reclamarem por direitos iguais.

Foi uma prova viva que há muitos portugueses que trabalham voluntariamente para apoiar e integrar os imigrantes e que sentem o mesmo ultraje pela humilhação sentida pelo imigrante em Portugal, onde há um sistema que separa os imigrantes em dois grupos: os com “Residência” que são integrados, e os com “Permanência” que passam cinco anos a pagarem impostos e a fazerem contribuições à Segurança Social mas sem qualquer direito em retorno.

Outros estão apanhados sem a devida documentação, o que quer dizer que estão numa zona cinzenta, ilegais mas a trabalhar, a contribuírem para a economia mas sem reconhecimento, muitos já com laços familiares em Portugal.

João Silva, da Associação Olho Vivo, declarou à Pravda.Ru que “Este dia assume a maior importância para os direitos de todos os imigrantes e pela regularização de todos que vivem e trabalham em Portugal, já que existe uma situação extremamente difícil para eles, cujos direitos não são respeitados”.

Falando da necessidade de haver uma lei que acolhe a todos, João Silva declarou que “Infelizmente em Portugal, temos imigrantes de primeira, segunda, terceira e até quarta classe”.

Enquanto todos entendem que tem de haver uma política de imigração, onde está a justiça num sistema que obriga o imigrante com “Permanência” a perder meio dia para fazer o pedido de renovação, que é marcado para cinco meses depois, sem que ele possa viajar livremente durante esse tempo e depois, no acto de renovação, vai passar um dia inteiro e pagar 75 Euros para receber um carimbo no passaporte? Um dia inteiro…

Onde está a justiça num sistema em que alguns têm direitos e outros, não? Por quê é que um imigrante com Permanência não pode comprar uma casa? Por quê é que não pode montar uma firma? Por quê é que não pode empregar outras pessoas? Porém, Portugal exige destes imigrantes exatamente os mesmos deveres que impõe sobre o resto da população.

É escravatura.

“O imigrante que está aqui a trabalhar, a ajudar a construir o país, que desconta para o fisco, que desconta para a segurança social, e depois nem sequer tem o direito de se legalizar, onde está o direito nisso?” pergunta João Silva.

Os imigrantes não querem mais do que direitos iguais, integração na sociedade portuguesa e o fim desta política deplorável de escravatura nos nossos tempos.

Portugal passou do primeiro país a abandonar a escravatura para o único que ainda a pratica nos dias de hoje. Que vergonha!

Então José Sócrates…?

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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