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Álvaro Cunhal: Herói dos Direitos Humanos e da Humanidade 1914 - 2005

14.06.2005 | Fonte de informações:

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Álvaro Cunhal morreu na madrugada do dia 13 de Junho aos 91 anos de idade, tendo passado três quartos de século a lutar pelos direitos humanos, pela liberdade, pela democracia e contra forças fascistas e reaccionárias. O seu legado é visível hoje, pois seus sonhos continuam entre nós, seus ideais são mais claramente relevantes e sua palavra mais verdade agora que nunca.

O mundo de hoje é uma justificação de tudo o que representa Álvaro Cunhal e as linhas-guia do seu projecto continuam bem pertinente. Numa altura em que os serviços públicos entram em colapso no modelo capitalista-monetarista, numa altura em que as forças que detêm o poder lançam ataques assassinos para agarrarem as riquezas de povos alheios, numa altura em que a sociedade ocidental entra num cruzamento procurando valores, sem saber onde ir, o caminho que Álvaro Cunhal nos ensinou a seguir faz cada vez mais todo o sentido.

Álvaro Cunhal representa um ideal em que o Estado providencia serviços de saúde e de educação gratuitas e de excelente qualidade, representa emprego garantido, alojamento garantido, representa uma sociedade com todas as capacidades de oferecer grande mobilidade aos seus cidadãos, pensões dignas, ruas seguras e um aumento no nível cultural e professional do povo…eis o modelo comunista.

Nasceu em Coimbra em 1913 mas foi em Lisboa, na Faculdade de Direito, que Álvaro Cunhal iniciou a sua actividade revolucionária. Membro do Partido Comunista Português desde 1931, foi eleito Membro do Senado estudantil em 1934, e um ano mais tarde Secretário-Geral da Federação de Juventude Comunista, participando no IV Congresso Mundial da Juventude Comunista em Moscovo.

Foi preso em 1937 e em 1940, sendo torturado barbaramente pelas forças Fascistas do regime de Dr. António de Oliveira Salazar, entrando na clandestinidade outra vez para reorganizar o partido em 1940/1, sendo membro do Secretariado do PCP de 1942 a 1949, ano em que foi preso e encarcerado durante 11 anos em várias prisões, sendo submetido outra vez à tortura. Mas não vergou e nunca abandonou seus ideais.

Em 1960, escapou da prisão de Peniche, sendo eleito Secretário-Geral do PCP em 1961 e passando a viver no estrangeiro, encontrando-se com membros de formações políticas noutros países e mantendo viva a chama do Comunismo em Portugal.

De volta em Portugal para a Revolução de 25 de Abril de 1974, foi nomeado Ministro sem Pasta nos primeiros quatro governos e em 1975, foi eleito membro da Assembleia Constituinte. Foi eleito Deputado da Assembleia da República em 1976, 1979, 1980, 1983, 1985 e 1987, sendo também membro do Conselho de Estado.

Em 1992, num processo de renovação da estrutura do partido, passou a ser Presidente do Conselho Nacional do PCP, e Carlos Carvalhas assumiu o posto de Secretário-Geral (agora ocupado por Jerónimo de Sousa).

Deixa um vasto leque de publicações, quer no domínio político, quer na literatura (escrevia romances sob o pseudónimo de Manuel Tiago).

Álvaro Cunhal foi e continuará sempre a ser um exemplo de dedicação, de coerência política, de coragem, de sabedoria, de honestidade e de amor ao seu povo. Se todos os políticos hoje em dia fossem como ele, o mundo de hoje seria um paraíso.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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