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Houzan Mahmoud: O povo iraquiano não está livre

04.10.2005 | Fonte de informações:

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Houzan Mahmoud é Representante da Organização pela Liberdade das Mulheres e da Federação de Sindicatos e Comissões de Trabalhadores no Iraque, Membro do Partido Comunista dos Trabalhadores do Iraque e Co-Fundadora do Congresso de Liberdade do Iraque.

PRAVDA.Ru: Houzan, você visitou o Iraque há poucos meses e viu com seus olhos a situação. Como iria comparar a situação antes e depois da queda do regime Ba’ath?

Houzan Mahmoud (HM): Há que lembrar que o regime de Saddam Hussein era um regime mau, era uma ditadura má que perseguia grupos políticos e indivíduos que tinham ideias contra o regime. No entanto, para os que não eram politicamente motivados, havia uma semblança de uma sociedade normal, havia segurança e estabilidade e os direitos das mulheres foram conseguidos por elas próprias sem interferência.

Conseguiam trabalhar livremente, conseguiam sair sem usarem o véu, podiam guiar um carro.

PRAVDA.Ru: E hoje não é o caso?

HM: Não, não é o caso. Até as crianças têm de sair de casa cobertas desde os pés até à cabeça e o país está cheio em cada esquina quase de gangsters armados que matam, violam, raptam, protegendo seus interesses e promovendo a ideia dum império islâmico. Há grupos de islamistas políticos que misturam a política e a religião e pregam um tipo de discurso que contraria a liberdade dos cidadãos e principalmente das mulheres.

As primeiras vítimas desta invasão do Iraque foram as mulheres.

PRAVDA.Ru: Poderíamos concluir então que a invasão norte-americana foi um desastre?

HM: Os EUA e Reino Unido foram à guerra para retirar um ditador do poder e o resultado é vários ditadores em vez de um. O estado entrou em colapso, não há lei, nem ordem. Ninguém se sente seguro e morreram mais que 100.000 civis em dois anos.

Eu tive de contratar guarda-costas e nem em casa me sentia segura. Tentaram esforçar-me a usar o véu, mas recusei. Há ameaças de morte feitas contra os membros da Organização de Liberdade da Mulher e de outras organizações.

PRAVDA.Ru: Pode dar-nos uma visão de como é lá dentro do Iraque?

HM: A corrupção começa nos postos de controlo. Paga-se USD para tudo. As mulheres têm de usar véus, há homens armados em toda a parte, todos estão frustrados porque a sociedade não funciona.

Os americanos só conseguem viajar em enormes comboios, tão nervosos que estão prontos a matar tudo que mexe e de vez em quando aparecem grupos armados que começam a abusar as pessoas nas ruas.

Há mais abusos agora que antes e podemos concluir que não há liberdade.

PRAVDA.Ru: Como assim?

HM: Porque quando uma pessoa nem pode sair de casa sem ser molestada porque está vestida desta ou de outra maneira, quando uma pessoa nem pode estar numa fila porque teme que vão rebentar uma bomba ao lado, não se chama liberdade e não se chama liberdade viver sob um jugo estrangeiro.

Houzan Mahmoud vem a Lisboa em Outubro, onde vai, entre outras acções, participar num debate promovido pela PRAVDA.Ru, dia 15 de Outubro (Sábado) 16.00 Biblioteca-Museu República e Resistência, Bairro do Rêgo, Rua Alberto de Sousa, Nº 10.

Estão todos convidados e bem-vindos.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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