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O Céu fica mais rico

03.07.2004 | Fonte de informações:

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Sophia de Mello Breyner Andresen pode já não estar aqui mas a sua obra permanece viva entre nós, iluminando a vida daqueles que gostam da língua portuguesa e guiando os que querem fazer algo mais do que simplesmente escrever. Deixou sua marca na sociedade e na cultura portuguesa como escritora mas não é de esquecer a sua passagem pela política, na Comissão Nacional de Apoio aos Presos Políticos e Deputada pelo Partido Socialista (1975).

Aprendi meu português com esta senhora, sem que ela soubesse, a ler e ficar encantado com um compêndio dos Contos (Contos Exemplares, publicado em 1962) nos anos setenta na Universidade de Leeds na Inglaterra. Encantado pela magia das palavras, pela simplicidade da mensagem, pela coragem de ir para além duma simples descrição, de chegar à alma dum diálogo, de ensinar, encantando.

Obrigado a ler os Lusíadas, frustrado com o riquíssimo vocabulário de Eça, confuso com os Autos de Gil Vicente, eu, enquanto estudante de português, respirei de alívio quando apresentaram a obra do quarto trimestre, os Contos de Sophia de Mello Breyner Andresen, nome que para mim toca um sino na minha memória de alegria, de respeito e que representa a primeira vez que gostei de estudar por estudar, ler só pelo prazer de ler…curiosamente poucas vezes precisei de dicionário ou de ir à gramática porque as palavras fluíam, pintando e esculpindo as imagens, talhando as histórias e construindo os sonhos.

Ler Sophia de Mello Breyner Andresen foi sempre para mim aquele tipo de sonho que nunca se quer que acabe, longe do pesadelo da literatura obrigatória, imposta. Por isso mesmo, Sophia de Mello Breyner Andresen deve ficar entre nós de forma permanente como marca de referência na língua portuguesa em especial e na literatura em geral.

Mais que poetisa, mais de prosadora e mais que ensaísta, Sophia de Mello Breyner Andresen é uma escultora de palavras, uma pintora de imagens em letras, uma luz que guia todos que se mergulham na língua desta senhora e de Camões.

Por isso a longa lista de prémios ao longo de 40 anos não surpreende ninguém (Grande Prémio de Poesia da Sociedade Portuguesa de Escritores, 1964; Prémio da Crítica do Centro Português da Associação de Críticos Literários, 1983; Prémio D. Dinis, Prémio da Fundação Casa de Mateus, Prémio Inasset-INAPA, 1989; Grande Prémio de Poesia do Pen Club, 1990; Grande Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças, 1992; o Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores, 1994; a Placa de Honra do Prémio Petrarca, da Associação de Editores italianos, 1995; o Prémio Camões, 1999; o Prémio Max Jacob de Poesia, 2001; o Prémio Rainha Sofia, 2003 e a medalha de Honra do Presidente do Chile, 2004.

Filha da cidade do Porto, nasceu a 6 de Novembro em 1919, ficando marcada pela literatura aos três anos quando uma criada lhe recitou A Nau Catrineta. Foi a faísca que despertou em Sophia de Mello Breyner Andresen a chama incandescente, o fogo eterno que é a necessidade de esculpir palavras e pintar imagens lindas e claras com letras. Começou a escrever poemas quando criança, publicando o primeiro livro, “Poesia” em 1944.

Nunca mais parou. Dos seus dedos nasceram milhares de páginas de poemas, de contos, de histórias para crianças, de ensaios, de prosa, de traduções…enriquecendo a cultura portuguesa para sempre, deixando uma obra que nunca será esquecida e servindo de Embaixatriz da cultura portuguesa para o resto da eternidade.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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