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Quem é José Manuel Durão Barroso?

01.07.2004 | Fonte de informações:

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José Manuel Durão Barroso nasceu em Lisboa no dia 23 de Março de 1956. Envolveu-se cedo na actividade política, alistando-se no MRPP (Movimento Reorganizador do Partido do Proletariado), um movimento Maoista, antes da Revolução de 25 de Abril de 1974, que terminou o regime Fascista de Marcelo Caetano (que tinha sucedido a António Oliveira Salazar quando esse morreu em 1970).

A sua passagem na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa não passou despercebida, devido aos violentos confrontos entre grupos de estudantes de direita e esquerda, nos quais Barroso era um factor constante e uma figura central. Abandonou seu partido pouco antes de terminar seu curso (com um olho no futuro), em 1977, quando este alterou a denominação para PCTP/MRPP, acrescentando Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses, e depois foi estudar em Genebra, tirando um Mestrado em Ciências Políticas e Sociais e mais tarde, cursos de especialização em Georgetown University, Washington. De volta em Portugal, tornou-se professor na sua faculdade de Direito em Lisboa.

Juntou-se ao Partido Social Democrata, centro-direita, em 1980, associando-se mais tarde à ala mais a direita, liderada pelo professor Aníbal Cavaco Silva, que ficou líder do PSD em Maio de 1985. Nas eleições legislativas em Outubro do mesmo ano, José Barroso foi eleito Deputado na Assembleia Nacional com 29 anos de idade, tornando-se Sub-Secretário de Estado no Ministério de Assuntos Internos.

Em 1987, depois duma nova eleição e com o PSD a ganhar uma maioria absoluta, Barroso foi apontado Secretário de Estado para a Cooperação no Ministério de Negócios Estrangeiros, envolvendo-se desde o início com o processo de paz em Angola (onde o MPLA e UNITA tinham travado uma guerra civil desde 1975).

Em 1992, depois da reeleição do PSD, Cavaco Silva promoveu Barroso para Ministro de Negócios Estrangeiros. Continuou a trabalhar no Processo de Paz em Angola e seus esforços culminaram no Acordo de Bicesse (1991) que fez parar o conflito temporariamente. Sua passagem pelo governo terminou em 1995, quando o PSD perdeu a eleição contra o Partido Socialista (PS) de António Guterres.

Na oposição, José Barroso continuou a trabalhar na sua área escolhida, chefiando a Comissão Parlamentar sobre os Assuntos Estrangeiros e trabalhando como Director do Departamento de Relações Internacionais da Universidade Lusíada, Lisboa, contribuindo para o processo de independência de Timor Leste.

Em 1999, Barroso tirou vantagem duma luta interna no PSD (depois do líder anterior Marcelo Rebelo de Sousa ter sido esforçado a demitir-se depois de fazer uma aliança desastrosa com o Partido Popular de Paulo Portas (ultra-conservador). Candidato para a liderança do partido pela segunda vez (depois de ter perdido a batalha contra Fernando Nogueira em 1995), José Barroso venceu.

Como líder do partido, Barroso foi incapaz de fazer a revisão necessária por causa das suas fracas capacidades como orador e a noção percebida na praça pública duma falta de personalidade. O PSD perdeu as eleições para o Parlamento Europeu em 1999 (31,1% contra o 43% do PS), as eleições legislativas em Portugal no mesmo ano, com apenas 32,3% e a eleição presidencial de 2001, quando seu candidato Joaquim Amaral foi derrotado por Jorge Sampaio (PS). Barroso nem venceu, nem convenceu.

Em Dezembro de 2001, o Partido Socialista teve um resultado pouco positivo nas eleições municipais, mantendo-se no entanto como o partido mais votado. António Guterres, farto das intrigas que marcam a política interna, bateu com a porta, deixando o governo a meio e chamando eleições antecipadas. Eduardo Ferro Rodrigues foi eleito líder do PS para travar a batalha com Barroso.

Este adoptou um discurso de calamidade durante o processo eleitoral (“o país está de tanga” “Portugal está um caos” “O país não pode continuar assim”) que conseguiu ganhar a eleição (não muito convincentemente, com 40,1% contra 37,8% do PS) mas só em coligação com o pária do passado, Paulo Portas e seu Partido Popular.

Contudo, nos seus dois anos como chefe de governo, Barroso não conseguiu comunicar com seu povo, fazendo dele discutivelmente o pior Primeiro-ministro da história política recente de Portugal. Nestes dois anos, a taxa de desemprego duplicou e famílias sem emprego tinham (e têm) de esperar até sete meses para receber o subsídio. Da classe média para a prostituição, tráfico de drogas, roubo, ou para a rua pedir. O legado do PSD não uma vez, mas sempre.

Barroso e sua equipa, considerados como desumanos pela maioria da população, perderam de forma clara as eleições para o Parlamento Europeu este ano. Para Barroso, foi um cartão vermelho directo. Mas como sempre, Barroso agiu como protagonista e não como homem de integridade, aceitando o posto de Presidente da Comissão Europeia como terceira ou quarta escolha, não porque era o melhor candidato mas porque não havia mais ninguém e Barroso era percebido como candidato suficientemente fraco para não chatear ninguém.

É uma questão de quanto tempo vai passar até ele ser vítima da sua própria fraqueza, fazendo a mesma figura lá fora como fez em Portugal durante os últimos dois anos, tendo já chegado ao seu nível de incompetência sob o princípio de Peter.

Personagem aparentemente fraca, por causa da sua incapacidade total em termos de comunicação, sem carisma, José Barroso estaria muito melhor e muito mais feliz no posto de eurocrata cinzento trabalhando atrás das cenas na Comissão de Relações Exteriores. Aí seria excelente, porque apesar do erro de apoiar o regime de Bush no seu acto de chacina no Iraque, José Manuel Durão Barroso é excelente diplomata.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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