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PRESIDENTE DO COFECON CONCEDE ENTREVISTA À TV SENADO

30.01.2006 | Fonte de informações:

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Em entrevista concedida à TV Senado, na tarde desta quinta-feira, 26, o economista Synésio Batista da Costa, presidente do Conselho Federal de Economia (COFECON), declarou ao jornalista Carlos Alberto Almeida – no programa Entrevista – que a economia brasileira não agüenta crescer mais que 4% ao ano. “Do jeito como vai – disse ele – vai faltar eletricidade, estrada, aviação, logística e uma quantidade considerável de infra-estrutura que o governo acabou não fazendo, ele próprio, ou não deixando fazer”. No entanto, garante Synésio, há recursos disponíveis.

Synésio afirma que os investidores internacionais têm dificuldade de assimilar as leis da economia nacional. Em sua opinião, para por fim no entrave – o que permitiria o aporte de investimento com muito mais velocidade – seria necessário eliminar algumas questões jurídicas, sem o que não haverá investimento estrangeiro. “Dinheiro não agüenta desaforo”, dispara ele.

VARA DE CONDÃO

Sobre o porquê das coisas não andarem a contento, no país, Synésio argumenta que o presidente da República não tem varinha de condão – não dependendo apenas dele decidir o rumo das ações. “Quem decide é o ambiente político”, afirma.

Para o presidente do COFECON, a sociedade brasileira, a indústria, o setor de comércio e o setor de serviços já estão maduros o suficiente para a mudança. “O setor bancário, então – diz ele – dá show de modernidade.

Apesar disto, parece haver uma obsessão com o pagamento de dívidas. Em sua opinião, o credor não quer o dinheiro da dívida, mas a certeza de que o compromisso será honrado. Isto vale para o ambiente interno e para o externo também. “Nós, economistas, entendemos que dívida não se paga; rola-se”

SALÁRIO MÍNIMO

Questionado pelo entrevistador, Synésio Batista repetiu o que já havia dito anteriormente, quando de sua entrevista à Globo News. Segundo ele, o salário mínimo brasileiro é vergonhoso. Ele argumenta que a sociedade mudou, desde que foi criado, em 1940, e que embora a demanda das famílias seja outra – uma vez que passaram a ter hábitos de consumo e de comportamento diferentes daqueles verificados há mais de 60 anos – ao menos teoricamente a função do salário mínimo continua a mesma.

“Este é um entulho que foi ficando e ninguém teve coragem de removê-lo”, afirma Synésio. Em nome dele, segundo o presidente do COFECON, lastrea-se a chamada Previdência Pública. Ele argumenta, ainda, que no ambiente industrial este tipo de salário não mais existe.

Por esta razão, propõe a extinção do salário mínimo, nos moldes como hoje vigora. “Isto libertaria a economia brasileira deste jugo”, acredita. Lamentavelmente, segundo ele, “a cabeça da população brasileira está indexada a um produto chamado salário mínimo, que não representa mais nada”. Por fim, argumenta que “embora as peculiaridades regionais devam ser respeitadas, quando da extinção do salário mínimo, o que se verifica, atualmente, é o cidadão não terá chance de crescer a renda caso a situação permaneça a mesma”.

BANCO CENTRAL

Na opinião de Synésio, cabe ao Banco Central libertar a economia nacional – que hoje está engessada. Ele pondera que o COPOM (Comitê de Políticas Monetárias), acabou virando “instituição nacional”. Quando de sua reunião mensal, o país pára, aguardando o resultado, quando o aumento das taxas de juros (Selic) é anunciado. Para Synésio, não há razão para o COPOM ter tanto receio da volta da inflação.

Rita de Cássia Arruda

 
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