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20 dias abalaram a vida do Greenhalgh “De herói a vilão”

27.07.2008 | Fonte de informações:

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20 dias abalaram a vida do Greenhalgh “De herói a vilão”

De acordo com o JB Online, os últimos 20 dias abalaram a vida do e ex-deputado paulista Luiz Eduardo Greenhalgh. De herói e escudeiro jurídico do PT e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos embates travados contra a ditadura e nas últimas cinco eleições presidenciais, esse advogado paulistano de 60 anos virou vilão ao se aliar a um dos homens mais odiados em seu partido, o banqueiro Daniel Dantas.

– Nessas horas os amigos desaparecem – desabafou, ao atender pelo telefone, na última quinta-feira à noite, o ex-deputado Airton Soares, um dos raros companheiros que o procuraram depois do vendaval da Operação Satiagraha para prestar solidariedade.

Apontado pela Polícia Federal como traficante de influência ou integrante do escalão especial que será investigado na segunda fase da operação, Grenhalgh está mais preocupado com o que ainda não apareceu nos grampos.

– Não tenho medo de ser processado – disse, ao Jornal do Brasil, ao revelar que sua rotina, de uma hora para outra, virou do lado avesso. – Acordo todos os dias às 4 da manhã para ver o que há contra mim nos jornais.

Ímpeto combativo

Até a Satiagraha, o que se conhecia da performance jurídica de Grenhalgh era o ímpeto combativo com que defendia perseguidos políticos, militantes dos direitos humanos do porte do padre Júlio Lancelotti ou movimentos sociais como o barulhento Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST).

Não há um caso policial envolvendo personagens do PT cuja defesa tenha sido exercida por outro advogado. Greenhalgh era o rosto jurídico de Lula e dos petistas. O advogado que ganhou na justiça a causa que obriga os generais e o governo a apontarem onde estão os corpos dos militantes desaparecidos na Guerrilha do Araguaia virou o “Gomes” carimbado pela polícia ao flagrá-lo em supostas pressões para favorecer o dono do Grupo Opportunity. O curioso é que a Polícia Federal que o investiga é a mesma que deverá ser convocada pela Justiça Federal para executar a sentença.

Até março deste ano, Greenhalgh não conhecia pessoalmente Dantas. Foi apresentado a ele pelo publicitário Guilherme Sodré, o Guiga, por ironia o mesmo amigo que o livrara, em janeiro de 2005, de entrar na lista dos mensaleiros ao alertá-lo sobre a roubada que seria deixar sua campanha à presidência da Câmara nas mãos do publicitário Marcos Valério. Atormentado por dezenas ações cíveis e criminais nos tribunais, o banqueiro queria os serviços de Grenhalgh para limpar o nome, retirar o dinheiro que tinha parado no Previ e fazer andar a fusão das operadoras de telefonia.

Limpar a pauta

O advogado petista analisou todos os processos e sugeriu que o cliente limpasse a pauta jurídica, pondo fim à contenda com adversários nos tribunais. Não era uma tarefa fácil porque, afinal, ninguém acreditava mais num Dantas estilo paz e amor. E não era só porque, a estas alturas, pessoas de sua confiança já tentavam corromper um delegado federal para livrá-lo do indiciamento na Satiagraha.

Dantas era mal visto no mercado e, no entendimento da cúpula do governo ao qual Greenhalgh também pertencia, seria o responsável pelo dossiê divulgado pela revista Veja com os nomes de Lula, dos ex-ministros Márcio Thomaz Bastos e Luiz Gushiken, e ainda o ex-diretor da Polícia Federal, Paulo Lacerda e o senador Romeu Tuma (PTB-SP) como titulares de contas secretas em paraísos fiscais.

Os nomes, conforme a versão de Dantas a Grenhalgh, foram introduzidos por maldade no dossiê por um hacker-espião que investigava, pela Telecom Itália, as atividades do banqueiro, e trombou com outro araponga a serviço da Kroll na rede de computadores de um hotel famoso no Rio. O problema é que ninguém acredita e, por essa razão, Dantas acabou indiciado pela Polícia Federal como responsável pelo dossiê fajuto.

– Falei a ele para retirar todas as ações do passado, do presente e do futuro – conta Grenhalgh que, a partir de abril, passou a trabalhar nos bastidores. Cometeu um erro que seria captado pelo grampo do delegado Protógenes Queiroz: como não queria aparecer, deixou de pedir a Daniel Dantas a procuração que lhe garantiria a imunidade de advogado.

O trabalho de consultor, assim como as entidades sem fins lucrativos que os políticos montam ao deixar o poder, geralmente são vistos como fachada. A polícia passou a tratá-lo como lobista e a enxergar tráfico de influência em suas ações. As conversas de Grenhalgh aparecem em pelo menos um terço do ano e meio em que os homems e mulheres que trabalham para Dantas foram monitorados.

Da espionagem autorizada pela justiça, não escaparam nem os e-mails. O ex-deputado aparece falando com o secretário do presidente, com ministros de tribunais, tentando emplacar as teorias de Dantas na Casa Civil, intercedendo para livrar o braço direito do banqueiro, Humberto Braz, de um suposto seqüestro no Rio e, o que é a principal suspeita da polícia, atuando na criação da supertele.

– Pode uma quadrilha pedir 260 milhões de dólares de propina? – pergunta, indignado, ao referir-se á interpretação dada pelo analista da Polícia Federal às conversas. Também não revela o custo de seus honorários.

Sem problemas

Grenhalgh acha que atuou como advogado e não vê problemas em ter feito a consultoria para Dantas. Acha que entrou na mira da polícia mais por ter atravessado a investigação do “descontrolado” delegado Queiroz.

 
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