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Boletim Eletrônico do Deputado Federal Babá – PT/PA

19.10.2003 | Fonte de informações:

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01 de Setembro de 2003

1) Consideramos que os oito meses do governo Lula são fartos em demonstrações de que a política do núcleo dirigente do PT provocou uma mudança brusca no partido. De oposição mais ou menos firme ao neoliberalismo, o partido tem sido transformado em pilar principal de sustentação dos planos capitalistas. Tem se integrado completamente ao regime político burguês brasileiro, um regime anti-popular, marcado pelo fisiologismo e pela sustentação de relações dependentes com os banqueiros internacionais e com o sistema capitalista imperialista dominado pela burguesia norte-americana. 2) Consideramos esse curso do partido irreversível porque a decisão do núcleo dirigente não é expressão apenas de um erro de percurso, de uma tática mal pensada ou de uma correlação de forças impeditiva de outro rumo, mas uma estratégia consciente, assumida, correspondente à defesa de interesses e privilégios de uma casta burocrática, uma casta na qual seus principais setores, via a gestão de distintas esferas do estado burguês, a administração dos fundos de pensão e as relações com os grandes empresários, buscam se converter diretamente em novos burgueses. Para isso precisam de um novo PT, como Tony Blair fez na Inglaterra montando o novo trabalhismo associado com os interesses de Washington.

3) Contribuiu na mudança irreversível do curso do partido a vergonhosa capitulação da maioria das direções da chamada esquerda petista. O exemplo maior dessa rendição se deu na votação da “reforma da previdência”, quando a maioria dos parlamentares da chamada esquerda votaram numa reforma, ou melhor dito, numa contra-reforma ditada pelo Fundo Monetário Internacional. Em alguns casos a capitulação foi patética. A simples ameaça de expulsão dobrou a espinha de políticos mais preocupados com suas carreiras políticas do que com a defesa de princípios, a exemplo de Lindberg Farias. Com o voto desta esquerda favorável a reforma, a possibilidade de uma resistência que detivesse a mão dura das expulsões foi desperdiçada, porque ao invés de dezenas de votos contrários à privatização da previdência e aos ataques aos servidores e aposentados – dezenas de votos que obviamente provocariam uma enorme e positiva crise – apenas três deputados petistas defenderam a orientação da greve nacional dos servidores e os direitos dos trabalhadores. No Senado, até agora a única que garantiu que não se curvará foi a Senadora Heloísa Helena, mantendo sua coerência com sua conhecida coragem. Coragem e coerência que a converteram na principal referência da esquerda brasileira depois que Lula começou seu governo burguês e, para completar, agora declarou que nunca foi de esquerda. As próximas “reformas”, em harmonia com a desastrosa política econômica de superávit primário e pagamento da dívida, seguirão na mesma linha neoliberal. Já está para ser votada a reforma tributária que transforma em permanente a CPMF, desvia os 20% da DRU para fazer superávit primário e concentra receita nas mãos da União, dificultando a vida de estados e municípios, não acabando com as desigualdades regionais tão prometidas pelo Presidente Lula. Vem aí, a Lei de Falência, a reforma trabalhista para privilegiar os mais ricos e autonomia do Banco Central, que de fato já é dominado pelos banqueiros via Henrique Meirelles. O desdobramento tem sido desemprego crônico, queda da renda, do consumo, arrocho salarial e aumento da dependência.

4) Como Tony Blair, para terminar de impor o New PT, o núcleo dirigente do partido decidiu expulsar a esquerda que resiste de modo decidido à política do governo de defesa dos interesses burgueses. Não se preocupam em desacatar e desrespeitar os próprios estatutos do partido para levar a cabo seu plano.

 
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