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A SEXTA EXTINÇÃO

17.11.2003 | Fonte de informações:

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Estamos vivendo um período de extinção em massa, o mais agressivo ocorrido durante os 4,5 bilhões de anos da história do nosso planeta, e muitos cientistas classificam a nossa era como a “sexta extinção”, que será mais acelerada do que o colapso ocorrido quando os dinossauros desapareceram, há cerca de 65 milhões de anos.

Existem provas paleontológicas do desaparecimento de milhares de espécies de diferentes grupos de organismos, ao longo da história do nosso planeta. A maior extinção em massa ocorreu no final do período Permiano, na passagem da era Paleozóica para a Mesozóica, há 250 milhões de anos, onde 95% das espécies foram extintas, e a mais recente há 65 milhões de anos, no período Cretáceo, onde foram extintos os dinossauros e mais de 90% das espécies terrestres e marinhas.

A maior catástrofe da história do nosso planeta, ocorrida há 250 milhões de anos, pode ter sido causada pelo movimento das placas tectônicas, que uniu todos os continentes em um único supercontinente, conhecido como Pangea. A maior parte da superfície da terra foi ocupada por um único oceano, o Panthalassa, e um mar menor ao leste de Pangea, o Tethys. Os mares internos secaram, e a Pangea transformou-se num imenso deserto. O aumento da temperatura na Terra fez com que uma grande quantidade de calcário existente ao longo do litoral se dissolvesse na água do mar, transformando-se em ácido carbônico, e a acidez da água foi a causa da extinção de 95% das espécies marinhas. O ácido carbônico, evaporando-se, transformava-se em gás carbônico, causando o efeito estufa, com o aquecimento ainda maior do planeta, levando à extinção quase todas as espécies terrestres.

Existem ainda outras duas hipóteses para esta extinção, a primeira associada à enormes erupções vulcânicas que teriam ocorrido na região da atual Sibéria, e que teriam durado cerca de 800 mil anos, onde poeira e partículas foram lançadas na atmosfera, bloqueando a luz solar, e causando um intenso esfriamento global. Com a queda de temperatura, a água do mar ficou aprisionada como gelo nas calotas polares, e o nível dos oceanos e mares interiores baixou significativamente, modificando os hábitats marítimos. Outra hipótese é a explosão de uma supernova muito próximo ao sistema Solar, que banhou a Terra com a sua radiação, provocando a destruição da camada de ozônio, e eliminando as principais formas de vida do nosso planeta.

A extinção ocorrida há 65 milhões de anos, que eliminou não apenas os dinossauros, mas também os pterossauros, plessiossauros, mossassauros, muitas famílias de pássaros, peixes e mamíferos marsupiais, e mais da metade dos grupos de plânctons, ainda é bastante discutida, existindo várias teorias, sendo uma delas a da colisão de um meteorito com a superfície do nosso planeta, mais precisamente na ponta da península de Yucatán, no golfo do México.

O impacto teria causado uma enorme onda sísmica, que varreu a superfície do planeta, como explosões simultâneas de várias bombas nucleares, e estas ondas deram origem à erupções vulcânicas, com enormes quantidades de material vulcânico sendo lançados na atmosfera, e que permaneceram em suspensão por muito tempo, o suficiente para que o enxofre reagisse com outros elementos da atmosfera, e se transformasse em ácido sulfúrico, criando uma densa névoa que bloqueou a luz do Sol durante meses, ocasionando uma queda abrupta da temperatura em todo o planeta.

Os organismos que não conseguiram se adaptar às súbitas mudanças de luminosidade e temperatura logo morreram, como milhares de espécies vegetais. Conseqüentemente, os níveis de oxigênio no planeta diminuíram dramaticamente, causando a morte de milhares de organismos incapazes de lidar com baixos níveis de oxigênio. A cadeia alimentar sofria desta forma, severas conseqüências negativas, pois com a extinção de espécies vegetais, os animais herbívoros, que se alimentavam delas, começam a morrer de fome. No topo da cadeia alimentar, os animais carnívoros, tendo perdido suas presas, passam a se devorar e a morrer de fome. Suas enormes carcaças servirão de alimento durante algum tempo para os animais menores, e este quadro dramático durará ainda bastante tempo, até que a maioria das espécies desapareçam.

Diferente das cinco grandes eras de extinção em massa ocorridas do passado, a atual é causada pela atividade humana, e não por fenômenos naturais.

Desde que a espécie humana surgiu no nosso planeta, já ocorreram três grandes ondas de extinção. A primeira ocorreu com a expansão humana, num intervalo desde 40 mil anos atrás até o início do século XVI. Neste período foram extintos toda a megafauna da Europa e do norte da Ásia, incluindo os Neanderthais (Homo sapiens neanderthalensis), dezenas de espécies de marsupiais australianos, os grandes mamíferos das Américas, 80% de todos os mamíferos terrestres das ilhas do Caribe, os mamutes, os mastodontes, o urso das cavernas, o rinoceronte lanoso, o leão das cavernas, cerca de duas mil espécies de aves das ilhas do Pacífico, 15% das espécies de aves do planeta, uma dezena de espécies de moas gigantes da Nova Zelândia, dezenas de espécies da fauna da ilha de Madagascar, entre elas seis espécies de avestruzes gigantes do gênero Aepyornis, e 12 espécies de lêmures gigantes, como o Megaladapis edwardsi, que chegava a 2m de altura. A maior parte destes animais desapareceram há cerca de 10 mil anos, no período conhecido como da “matança do Pleistoceno”, porque a extinção destas espécies foi provavelmente acelerada pelas atividades de caça de seres humanos pré-históricos, num período de intensa mudança climática.

Um exemplo da ação antrópica neste período é a extinção dos moas da Nova Zelândia, que coincide com a chegada dos maoris às ilhas. Como provas fósseis, ossos quebrados por ferramentas humanas, carbonizados e com marcas de dentes humanos, demonstram serem os humanos responsáveis pela extinção destas enormes aves, que até então não possuíam predadores. O moa Dinornis maximus, que se parecia com um avestruz gigante, pesava 400 kg e e tinha 4m de altura.

A segunda onda de extinção ocorreu durante a expansão européia, período marcado pelas grandes navegações, colonialismo europeu, revolução industrial, e o advento do capitalismo, entre o início do século XVI até 1970, onde foram extintas centenas de espécies vegetais e da fauna caribenha, entre elas 36 espécies de mamíferos, como a foca monge do Caribe (Monachus tropicalis), que Cristóvão Colombo chamou de “lobo marinho”, e que era considerada um verdadeiro fóssil vivo, proveniente do período em que as Américas eram separadas, o que permitia a comunicação entre o Atlântico e Pacífico. Esta espécie foi caçada indiscriminadamente até a sua extinção em 1954.

Outro mamífero marinho americano a ser extinto pela caça, no século XVIII, foi a vaca marinha de Steller, que era uma espécie de peixe-boi gigante (Hydrodamalis stelleri), de 7m de comprimento, que vivia no Pacífico norte, entre as ilhas do estreito de Bering.

Dentre as aves extintas neste período, dezenas de espécies das ilhas do oceano Índico, o periquito das carolinas, que era a única espécie da família Psittacidae existente nos Estados Unidos, e o colorido pombo migrador (Ectopistes migratorius), cuja espécie, calculada em dois bilhões de indivíduos, no século XIX, foi extinta em 1914, pois durante décadas foi caçada para servir de alimento aos porcos dos colonos norte-americanos, e no treinamento de pontaria com arma de fogo.

Outros exemplos famosos da predação humana sobre espécies da avifauna, neste período, é o da huya, uma das dezenas de espécies de aves extintas na Nova Zelândia, e a alca gigante, que mais se parecia com um pingüim, e que vivia na Islândia. Ambas foram caçadas até o último indivíduo.

Dentre os mamíferos terrestres, massacrados pelos humanos, a quagga (Equus quagga) era uma zebra que só tinha listras na parte posterior do corpo. Endêmica de uma pequena porção de savana na África do Sul, foi caçada tanto pela sua carne como pela sua pele. Os últimos exemplares de quagga, que viviam livres na natureza, foram mortos por caçadores ingleses em 1872, e o último sobrevivente, prisioneiro do zoológico de Amsterdam, morreu em 1883.

Dentre as dezenas de espécies de mamíferos australianos extintas neste período, a mais famosa talvez seja o tigre da Tasmânia, também conhecido como tilacino (Thylacinus cynocephalus), era um marsupial carnívoro que se parecia com um cachorro vira-latas, mas, a partir do meio do dorso até a cauda, apresentava listras iguais às do tigre. Extinto na Austrália durante a “matança do Pleistoceno”, sobreviveu na ilha da Tasmânia, até 1936, quando o último indivíduo morreu prisioneiro num zoológico. Foi injustamente acusado de matar ovelhas, pois quem o fazia eram os cães dos bárbaros colonos ingleses, e por causa desta fama, o governo australiano lançou, em 1805, uma campanha para exterminar os “tigres”, oferecendo uma boa recompensa em dinheiro pela sua captura, e a partir desta data, foi caçado impiedosamente até a extinção.

O maior exemplo e símbolo da extinção deste período é o dodô (Raphus cuculatus), uma espécie de pombo frugívoro, que vivia nas ilhas Maurício, costa oriental da África. Pesava cerca de 25 kg, era lento e não voava, e por todos estes atributos, foi presa fácil para os primeiros europeus, que aportavam nestas ilhas durante os séculos XVI e XVII, para se abastecerem de carne fresca durante as viagens. Havia um grande número dessas aves nas ilhas, até a chegada dos seus primeiros predadores, o homem, que além de caçar impiedosamente esta simpática ave, introduziram animais exóticos no frágil e equilibrado ambiente, como cães, porcos e macacos, que comeram os últimos dodôs e seus ovos, que eram depositados nos nichos feitos no chão.

A terceira onda de extinção, também conhecida como a “sexta extinção”, iniciou-se em 1970, e a previsão é que durante os próximos 30 anos, cerca de 20% de todas as espécies vivas hoje no nosso planeta sejam extintas. Alguns cientistas mais pessimistas, ou realistas, acreditam que neste mesmo período, metade das espécies vivas hoje não existirão mais, ou estarão geneticamente extintas.

Entre os representantes mais ameaçados de extinção pela destruição dos ambientes naturais estão os grandes mamíferos, os grandes predadores, as espécies cinegéticas (utilizadas na caça), as grandes aves frugívoras, que vivem nas copas das árvores, e as espécies animais umbrófilas, que vivem do estrato inferior da mata, pois são maus colonizadores. A reprodução destas espécies diminui ao longo dos anos e não compensa mais a mortalidade dentro da população, levando-as sucessivamente à extinção, sem mesmo ter ocorrido eventos dramáticos, como a destruição total dos hábitats.

A composição da vida silvestre é alterada à medida que ocorrem mudanças na vegetação, que interferem diretamente na estrutura populacional da fauna, através das alterações na diversidade e densidade dos animais, principalmente entre as espécies mais especialistas e exigentes. As intervenções na vegetação produzem efeitos diretos na fauna, com a sua redução, pela alteração de dois atributos chaves, que são o alimento e o abrigo. A medida em que uma população se torna pequena, aumentam os riscos com a consangüinidade e perda da diversidade genética, tornando mais graves os problemas demográficos, conduzindo a população mais rapidamente para o vórtice da extinção.

As alterações antrópicas sobre um ambiente natural, como o desmatamento de áreas florestais, implica que o ambiente natural remanescente possa tornar-se pequeno demais para abrigar espécies que necessitam de grandes áreas para sobreviver. A fragmentação do ambiente natural afeta principalmente as espécies raras e de baixa densidade populacional.

A história da espécie humana mostra que o homem não consegue viver em equilíbrio com a natureza, e tem causado, ao longo dos tempos, irreversíveis danos ao ambiente, com a predação dos recursos naturais, levando à extinção inúmeras espécies vegetais, animais e populações humanas tradicionais, através do desmatamento, das queimadas, da exploração sistemática e criminosa dos ambientes naturais, da agricultura moderna altamente mecanizada, dos latifúndios e das monoculturas agrícolas, do uso extensivo de fertilizantes artificiais, de herbicidas e pesticidas, da biopirataria e comércio ilegal de material genético, plantas, animais vivos e peles, da poluição atmosférica, da erosão dos solos e sua desertificação gradativa, do assoreamento e envenenamento dos recursos hídricos com produtos tóxicos, da caça furtiva, da fragmentação, destruição dos ecossistemas e eliminação da biodiversidade do nosso planeta.

O principal fator que leva uma espécie ao declínio e a extinção é a alteração do habitat, ou seja, sua fragmentação ou destruição. A introdução de espécies exóticas ao ambiente natural também é um importante fator impactante, pois espécies exóticas podem predar e competir com alimento e abrigo com as espécies dos ambientes naturais. O introdução de animais exóticos em ambientes naturais pode estar implicado em cerca 40% das extinções históricas. A ação antrópica através da caça e pesca furtiva é outro fator freqüente de declínio, além da contaminação ambiental, principalmente dos recursos hídricos.

As guerras também são um elemento bastante importante da degradação do planeta. Os Estados Unidos da América, protagonistas dos principais crimes contra a humanidade nos últimos séculos, também foram causadores de inúmeros crimes ambientais. Num covarde confronto contra a população do Vietnam, aviões ianques despejaram no país asiático, 14 milhões de toneladas de bombas, equivalentes a 720 bombas atômicas, 50 mil toneladas de desfolhantes e 200 mil toneladas de Napalm (gasolina gelatinosa), o que levou, além da morte de mais de 1,2 milhões de seres humanos, a destruição de dois milhões de hectares de matas tropicais, constituindo-se no maior desastre ecológico que a humanidade presenciou, onde dezenas de espécies de plantas e animais endêmicas foram levadas à extinção, e outras centenas tiveram suas populações drasticamente reduzidas. Um estudo realizado em 1985 pela União Internacional para a Conservação da Natureza e Recursos Naturais constatou que a Guerra do Vietnam transformou 30% do país em deserto.

A cada minuto, populações, espécies e comunidades ecológicas inteiras de valor imensurável estão sendo perdidas. A perda de populações geneticamente distintas dentro de uma determinada espécie é um problema tão grave quanto a extinção desta espécie. Uma vez que uma determinada espécie é reduzida a uma pequena população, a sua extinção total num futuro próximo torna-se muito mais provável.

Sabe-se que a composição das comunidades da fauna é produto do processo evolutivo, e que cada espécie é dependente de determinadas características da vegetação e das interações biológicas que determinam onde ela poderá existir. Um exemplo de co-evolução é o que existia entre o dodô e a calvária. O pombo dodô se alimentava basicamente do fruto da árvore calvária, cujas sementes, de tegumento bastante resistente, eram engolidas pela ave, passando pelo seu trato digestivo, onde eram escarificadas, e quando expelidas com as fezes, já estavam prontas para germinarem. O último dodô foi visto em 1681, e a calvária, que dependia da ajuda do simpático pombo para a dispersão de suas sementes, está prestes a se extinguir, existindo hoje apenas 13 exemplares, todas com mais de 300 anos de idade, pois há séculos a sua regeneração natural foi comprometida. A perda de uma espécie põe em risco as que dela dependiam.

As taxas de extinção são difíceis de serem estimadas, pois a maioria das extinções estão ocorrendo em ecossistemas bastante diversificados, como as florestas tropicais, onde não se conhece exatamente o número de espécies existentes, mas é bastante claro que estas extinções estão acontecendo atualmente num ritmo bastante acelerado. Estimativas otimistas mostram que estão sendo extintas entre 4 mil a 6 mil espécies anualmente, mas a realidade talvez seja um pouco mais cruel, como 100 espécies extintas diariamente, sendo a maior parte delas ainda desconhecidas pela ciência.

Organismos internacionais diariamente divulgam a situação catastrófica pela qual o planeta está passando, com extensas listas das espécies ameaçadas de extinção, como 3.500 espécies animais e 22 mil espécies de plantas. Alguns importantes biomas estão completamente degradados, como a Mata Atlântica brasileira, um dos mais importantes centros de evolução do planeta, que possui hoje apenas 7% da vegetação original, toda fragmentada e antropisada, e a sua destruição sistemática, ao longo de 500 anos, desde a invasão do Brasil pelos europeus, levou à extinção um grande número de espécies, populações e comunidades da fauna e flora.

O Brasil possui a maior biodiversidade do mundo, com cerca de 20% do número total de espécies existentes no planeta, entre milhões de espécies de fungos e microorganismos, cerca de 15 milhões de espécies de insetos catalogadas, mais de 500 espécies de mamíferos, mais de mil espécies da herpetofauna (répteis e anfíbios), três mil espécies de peixes, e mais de 1.600 espécies de aves. Das 240 mil espécies de vegetais catalogados no planeta, 55 mil são encontradas naturalmente nos ecossistemas brasileiros.

Infelizmente, grande parte desta biodiversidade está desaparecendo. As espécies mais ameaçadas de extinção são aquelas presentes no topo da pirâmide, espécies com dificuldades de dispersão, espécies endêmicas, migratórias e com hábitos gregários. Dentre elas as mais famosas são o mico leão dourado, o lobo guará, a onça parda, o gato maracajá, a onça pintada, a lontra, a ariranha, o cachorro vinagre, o tamanduá bandeira, o tatu canastra, o peixe boi, a baleia jubarte, o cervo do pantanal, o veado campeiro, o macuco, o guará, a harpia, várias espécies de mutum, jacu e jacutinga, diversas espécies de araras e papagaios, como a arara azul de Lear e a ararajuba, centenas de espécies de pássaros, dezenas de espécies da herpetofauna, como as tartarugas marinhas, o jacaré açu, cobras e lagartos, insetos, corais, e milhares de espécies vegetais. A população humana original também está desaparecendo. Os sobreviventes indígenas que, há 500 anos eram 8 milhões de seres humanos, distribuídos em 215 povos, hoje são apenas 315 mil testemunhos de tantos massacres e da destruição da floresta.

Na enorme lista das espécies ameaçadas de extinção, temos o rinoceronte da ilha de Java, considerado o mais raro mamífero terrestre de grande porte do mundo, em virtude da caça para a retirada de seus chifres, que são utilizados na medicina oriental. A foca monge, que ocupava uma extensa área no Mediterrâneo, com uma população estimada aos milhares, foi reduzida a não mais que 300 indivíduos, devido à caça indiscriminada e à poluição dos mares. Outras espécies que encontram-se no limiar da extinção são o elefante indiano, o tigre de Bengala, o tigre siberiano, o irbis, o guepardo, o leão asiático, o jacaré chinês, o papagaio kakapo da Nova Zelândia, e o okapi, um raríssimo parente da girafa, que sobrevive nos últimos fragmentos florestais do Congo.

O urso polar, cuja pele já foi um tapete bastante cobiçado, possui uma população calculada em dez mil indivíduos, o que pode garantir a sobrevivência da espécie. O maior problema, no entanto, é o efeito estufa, que tem aumentado a temperatura do planeta e derretido o gelo da região de ocorrência desta espécie. Pesando cerca de 700 kg, o urso polar, que se alimenta de focas, teve sua área de movimentação para a caça bastante reduzida. Com a escassez de alimento, as fêmeas produzem pouco leite, causando uma taxa de mortalidade de 60% entre os filhotes.

A destruição dos hábitats naturais é uma das principais causas da extinção destas espécies. Muitos dos importantes ecossistemas tropicais apresentam altas taxas de endemicidade, e sua fragmentação e destruição tem levado à extinção um grande número de populações, espécies e comunidades de animais e vegetais. Ao derrubar as florestas, o homem remove sistemas biológicos complexos, multiestruturados, extremamente diversificados e estáveis.

A redução das florestas em Madagáscar vem causando a redução das populações de lêmures, que se tornaram cada dia mais difusos nos zoológicos do mundo, onde algumas espécies conseguem se reproduzir, mas estão quase extintos do ambiente natural, como é o caso da maior espécie de lêmure, o indri, que não sobrevive em zoológicos, pois alimenta-se apenas de folhas de certas árvores endêmicas de Madagáscar. A sua sobrevivência depende exclusivamente da sobrevivência das florestas da ilha do sudeste africano. Os koalas sofrem o mesmo drama, com a derrubada sistemática das florestas de eucaliptos da Austrália.

Símbolo da China e da extinção, o panda é um dos animais mais querido em todo o mundo. Cerca de mil pandas vivem livres nas florestas de bambu do sul da China. Apesar dos programas de proteção desta espécie, e das severas penas que o governo chinês infringe a quem mata ou maltrata um panda, o avanço da agricultura, porém, vem diminuindo cada vez mais o seu hábitat.

Até pouco tempo se pensava que as florestas eram vastas, inexauríveis e até mesmo perigosas, e em muitos casos, o desmatamento foi considerado necessário ao progresso. A destruição muitas vezes ocorreu por capricho ou descaso, sendo muito pouco o seu benefício para o desenvolvimento. Hoje, as causas fundamentais do desmatamento e da degradação das florestas tropicais são o avanço de uma agricultura insustentável, a pobreza, a injusta distribuição das terras, as políticas inadequadas de desenvolvimento, a debilidade das instituições e o rápido crescimento populacional, todos produtos de um sistema capitalista falido.

O mundo não seria capaz de suportar um crescimento no nível norte-americano, democraticamente para todos os seus 6 bilhões de habitantes, levando-se em conta a emissão de gás carbônico e a produção de lixo aos níveis norte-americanos. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos têm se recusado a assinar o Protocolo de Kyoto, um acordo internacional para a redução da emissão de poluentes na atmosfera, que são responsáveis pela destruição da camada de ozônio e o aquecimento do planeta.

Atendendo à sua escala e ao tempo necessário, o processo de extinção que estamos vivendo poderá representar um desastre maior que qualquer outra extinção ocorrida desde o início da vida no nosso planeta. Poderá exceder ao colapso ocorrido 65 milhões de anos, quando foram extintos os dinossauros e a maioria das espécies do planeta Terra.

Fabio Rossano Dario Pisa - Itália

 
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