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ANTIBRASILEIRISMO

16.05.2005 | Fonte de informações:

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A forma de Chavez de auferir popularidade entre os seus invocando o nacionalismo e, principalmente, a confrontação ao poderoso presidente norte-americano, George W. Bush, tem feito com que Chavez seja cada vez mais visto por seu povo como um homem forte e digno de admiração. Obviamente que nada disto teria efeito se a economia venezuelana ainda estivesse em crise.

O presidente argentino Nestor Kirchner aparentemente, está rezando pela mesma cartilha, pois está tentando aumentar sua popularidade que está crescendo graças à recuperação da economia argentina, com atitudes que, ao menos para uma parte significativa do povo argentino, demonstram força e independência, como a convocação ao boicote aos produtos da empresa multinacional petrolífera norte-americana, Shell e o boicote a reunião de cúpula em Cuzco, que realmente pouco contribuiu para a integração sul-americana mas que não devia ser simplesmente desprezada ou ainda, a saída precoce da conferencia de cúpula Latino Americana - Países Árabes.

Talvez o que esteja motivando Kirchner acima de tudo, seja o sentimento antibrasileiro, pois o fato de o Brasil insistir na obtenção de um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU e através de ações como a mediação no conflito Venezuela – Colômbia e também pelos números de sua economia, pode significar que o mesmo esteja buscando uma posição de liderança na América Latina, o que talvez esteja insuflando o sentimento nacionalista na Argentina, de que não se pode admitir que este país esteja numa posição de inferioridade com relação ao Brasil e Kirchner como um líder forte, deve zelar pelos interesses da nação.

A relação Brasil – Argentina, foi sempre cordial e amistosa, em face da proximidade, obviamente e também, após o fim dos regimes militares em ambos os países, por causa dos problemas comuns, principalmente na economia, que envolviam, por exemplo, o combate a inflação. Neste campo, houve no Brasil, em 1986, o plano Cruzado que consistia no congelamento de preços e salários cuja contrapartida argentina, foi o plano Austral, implementado pelo então presidente Raul Alfonsin, mas tanto no Brasil, como na Argentina, o plano fracassou.

Então surgiu a bem sucedida indexação ao dólar da economia argentina, baseada na dolarização adotada pelo Equador, mas que na Argentina baseava-se na paridade peso-dólar e, embora o então Ministro da Fazenda brasileiro, Fernando Henrique Cardoso estivesse fazendo viagens regulares a Argentina para aprender as bases do plano para aplicar no Brasil, o plano Real, não adotou o mesmo princípio, pois obviamente a paridade real-dólar afetaria a balança comercial. Então, criou-se o regime de bandas cambiais que consistia em se controlar o câmbio.

Enquanto isso, foi implantado o Mercosul que estabeleceu as bases de um bom relacionamento comercial entre Brasil e Argentina, os principais parceiros do bloco, que perdurou até 1997, quando teve seu apogeu e com números tão positivos, incomodou o então presidente norte-americano Bill Clinton que visitou tanto o Brasil quanto a Argentina, tentando semear a semente da discórdia oferecendo a cada um, um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, para que com a derrocada do Mercosul,, a Alça fosse implantada mais facilmente.

Mas Clinton necessitou deste artifício, pois em 1998, houve a crise da Rússia e tanto o Brasil quanto a Argentina foram afetados. O câmbio teve de ser liberado, inicialmente, no Brasil, o que afetou diretamente, a balança comercial argentina, que foi forçada a também, liberar o câmbio.

A Argentina foi ainda mais afetada pois não dispunha de reservas cambiais como o Brasil, obtidas graças a venda de estatais e que chegaram a alcançar 75 bilhões de dólares, então, a Argentina mergulhou em uma crise sem precedentes que culminou com a renúncia do presidente Fernndo de la Rua em dezembro / 2001 e após houve a decretação da moratório da dívida argentina.

Mas com a posse de Nestor Kirchner, em maio / 2003, não havia mais crises internacionais que pudessem porventura, atingir novamente a delicada economia argentina. Diferentemente disto, havia um panorama internacional completamente modificado. A economia russa dava sinais de recuperação e havia ainda o crescimento econômico da Índia e principalmente da China o que ajudou na recuperação da economia argentina, que apostou firmemente no comércio exterior. Também no Brasil houve uma substancial melhora na economia a partir de 2003, o que significa que, tanto o presidente argentino, Kirchner, quanto o brasileiro, Lula, foram agraciados pela sorte pois mesmo seus governos apresentando resultados apenas na economia, esquecen-se dos demais setores, obtiveram grande popularidade.

Quanto ao Mercosul, não representou papel algum na recuperação das economias dos principais parceiros do bloco. Mesmo assim, atraiu e continua atraindo novos parceiros, como os chilenos e os venezuelanos. Kirchner contudo, não tem contribuído para que o bloco adquira mais credibilidade pois seu governo foi o responsável pela imposição de barreiras a determinados produtos brasileiros com vistas à proteger a indústria argentina, contudo, se este for o princípio que norteará a participação da Argentina no bloco, de agora em diante, será decretado o fim do Mercosul..

A relação Brasil – Argentina no período Kirchner, não é mais tão amistosa quanto nos tempos de Alfonsin e de Menem. Talvez a crise da Rússia tenha contribuído para tanto, pois com a liberação do câmbio no Brasil, automaticamente gerou efeitos na balança comercial argentina. Dessa forma, alguns argentinos talvez culpem o Brasil por sua crise. Além disso, há uma teoria de superioridade racial eis que o povo argentino se orgulha de sua origem hispânica e o fat de quase não ter havido a miscigenação que houve Brasil, em face do escravismo e da imigração, os argentinos se consideram numa escala racial superior a dos brasileiros. Muitos argentinos se solidarizaram, por exemplo, com o jogador de futebol, Leandro Desabato que foi detido no Brasil, por injúria com agravante de racismo.

Dessa frma, o povo argentino, sob a liderança firme de Nestor Kirchner, não irá admitir que um país onde há tamanha degradação racial, esteja numa posição superior a da Argentina. Kirchner deve ter se irritado ainda mais, quando o presidente Lula, em um de seus assopros de sapiência, o chamou de Carlos Menem.

A Argentina não está em uma posição superior a do Brasil. Talvez estivesse se dispusesse dos recursos naturais, o potencial agrícola e as riquezas minerais que existem no Brasil, pois caso os governantes brasileiros, administrassem estes recursos mais eficientemente, este país seria uma das maiores economias do mundo. Entretanto, não saberíamos se caso fossem os argentinos, os que administrassem o Brasil, se haveria muita diferença, pois os argentinos são de origem hispânica mas não são espanhóis.

Jose Schettini Petrópolis BRASIL

 
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