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A VERDADE É DURA ,MAS É A VERDADE

15.10.2004 | Fonte de informações:

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O governo do estado do Rio de Janeiro, na pessoa do Governador, digo, Secretário de Segurança licenciado, Anthony Garotinho sentiu-se ofendido com a reportagem do jornal inglês, The Independent que falou sobre a violência que assola a capital do estado proveniente, principalmente, do tráfico de drogas, denominando-a de “A cidade da cocaína e da carenificina”. Provavelmente, a reportagem foi motivada por algum turista inglês indignado que foi vítima do “arrastão” ocorrido no último dia 06 de outubro.

De qualquer forma exagerou-se no conceito. O Rio de Janeiro não é a única cidade da cocaína e da carnificina é apenas uma das muitas cidades sem lei, espalhadas pelo mundo, especialmente pelo terceiro mundo. Este título pode se dividido, por exemplo, com São Paulo ou a desconhecida e esquecida Vitória, do também esquecido estado do Espírito Santo...

A cidade do Rio de Janeiro é mundialmente conhecida por suas belezas naturais sendo uma das cidades mais visitadas do mundo e, por ser dessa forma, torna-se também conhecida nos aspectos negativos. Por exemplo, quando o cantor norte-americano Michael Jackson esteve no Brasil, recusou-se a se apresentar no Rio de Janeiro realizando suas duas apresentações na cidade de São Paulo, simplesmente porque no Rio de Janeiro “havia muita violência”. No entanto, o índice de criminalidade em São Paulo era superior.

O que os leitores do jornal inglês talvez não saibam é que falar sobre a violência no Rio de Janeiro é tão comum quanto falar sobre conflitos em Israel. Há no entanto, uma diferença básica entre os dois casos. Os conflitos em Israel são causados pela intransigência dos muçulmanos, já a violência no Rio de Janeiro e em outras grandes cidades brasileiras, é causada, principalmente, pela incompetência dos nossos governantes que permitiram, inicialmente, o êxodo da população nordestina nos anos 60 e 70, uma vez que não houve e ainda não há políticas públicas eficientes para a diminuição dos efeitos da seca naquela região.

Foi este êxodo que, principalmente, causou a favelização de cidades como Rio de janeiro e São Paulo criando enormes bolsões de miséria. Muitos integrantes destas comunidades, por necessidades básicas ou por má índole simplesmente, voltaram-se para o crime. As favelas então, se tornaram quartéis-generais dos criminosos face à facilidade de se encontrar esconderijos seguros. Na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, graças ao relevo acidentado, as comunidades carentes se estabeleceram, principalmente, nas centenas de colinas que formam o relevo da cidade que também se transformaram em abrigos seguros para os narcotraficantes.

Ano após ano, década após década, o índice de criminalidade em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo e a esquecida Vitória, tem sido motivo de vergonha, principalmente no caso de uma cidade internacionalmente conhecida como o Rio de Janeiro. Os responsáveis pela segurança nestas cidades, têm demonstrado total incapacidade.

A segurança do Rio de Janeiro agora, está nas mãos de um “showman”. Antthony Garotinho necessita desesperadamente estar sob holofotes. O caso do assassinato do executivo norte-americano Zera Todd Stahelli e sua esposa, por exemplo, foi transformado por Garotinho, num verdadeiro show. Conduziu o interrogatório com o suspeito, que deveria ser secreto e realizado pela autoridade policial competente, com transmissão pela TV. Até mesmo os tiroteios noturnos entre polícia e narcotraficantes são efetuados com projéteis fosforescentes.

Inspirado no governador Wallace, do estado norte-americano do Alabama nos anos 60, convenceu sua esposa a concorrer ao cargo de governador, tão somente para que seu nome continuasse em evidência objetivando, obviamente, a presidência da república. Nomeou-se a si mesmo, Secretário de Segurança e tem tido um relativo sucesso no que concerne a captura ou morte de alguns líderes do tráfico de drogas, mas uma vez que há uma hierarquia no tráfico, a estrutura das quadrilhas permanece organizada. Garotinho e todos os seus antecessores deveriam saber, no entanto, que o único modo de se desmantelar uma quadrilha organizada é através da infiltração.

Não obstante, a solução para a diminuição do índice de criminalidade nas grandes cidades, é estupidamente simples: Uma solução que teria efeitos a curto prazo, seria a construção de presídios federais em áreas inóspitas como o sul do estado do Pará e do Amazonas, nunca em áreas urbanas. Estes presídios abrigariam apenas criminosos praticantes de delitos contra a vida e a pessoa além de tráfico de drogas. Permaneceriam nos atuais presídios apenas os praticantes de crimes contra o patrimônio e de natureza leve.

Estes presídios devem ser construídos com celas para, no mínimo, quatro pessoas eis que celas individuais, como deseja o Ministro da Justiça Marcio Thomaz Bastos, são economicamente inviáveis em se tratando de Brasil. Não deve haver camas com colchões confortáveis eis que se dormir no chão é ótimo para a coluna vertebral além do que os colchões servem para serem incinerados em caso de revolta e para esconder armas e drogas. A alimentação deve se restringir a duas refeições diárias, constituídas de uma ração, eis que parado numa cela, não se consome energia. Anda assim, nestes presídios, viver-se-á melhor que em muitos casebres nas periferias das grandes cidades.

O estatuto do desarmamento do qual o governo do país de todos tanto se orgulha, não atingiu a essência do problema das armas. O cuidado em não se contrariar os poderosos interesses que envolvem o comércio de armas, permitiu que o verdadeiro problema persistisse. O que deveria haver é a proibição total da produção e do comércio de armas com munição perfuro-contundente, produzindo-se apenas armas com munição com efeito sonífero ou atordoante que passaria a equipar a força policial. Todavia, em se tratando de Brasil onde se consegue um fuzil AR-15 com a mesma facilidade quanto um doce, é preferível que continue tudo como está.

Quanto a nossa legislação dois pontos deveriam ser acrescentados: A redução da maioridade penal relativa e a pena de morte. A redução da maioridade penal deve ser adotada apenas para crimes contra a vida e a pessoa, pois furtos e roubos, executados por menores, nem sempre são motivados por má índole, mas pela simples necessidade de prover suas necessidades básicas. No caso de menores praticantes de crimes contra a vida e a pessoa, são indivíduos que necessitam serem julgados como adultos pois não irão se recuperar após 3 anos de internação em qualquer unidade da FEBEM.

Quanto a pena de morte, deveria ser adotada no Brasil, principalmente no Brasil de todos, pois nossas penitenciárias jamais recuperarão um homicida ou um narcotraficante, pois, num espaço onde cabem apenas 5 elementos, estarem 20, só contribuirá para aumentar o ódio e o sentimento de vingança que será extravasado assim que conseguir a fuga. È óbvio que deve haver critérios: homicídio qualificado ou um reincidente, Por exemplo, há menores que já têm mais de dez mortes em seus currículos. Com a implantação da pena de morte para estes casos haverá justiça para as famílias das vítimas e alívio para as futuras vítimas pois um elemento que mata 10, mata 100.

Para a execução da spenas não é necessário ser algo tão abominável como ocorre nos EUA como câmaras de gás ou cadeiras elétricas. Há formas muito mais rápidas e mesmo indolores de se executar uma sentença de morte.

Infelizmente, parece que o Secretário de Segurança do Rio de Janeiro e o Ministro da Justiça do país de todos, não estão muito preocupados em solucionar o problema da violência que assola o país. O Ministro da Justiça está mais preocupado em controlar o judiciário e o showman Anthony Garotinho está preocupado em aparecer bem, na TV.

Jose Schettini Petrópolis, RJ BRASIL

 
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