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No ar, distante da população

19.01.2011 | Fonte de informações:

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As empresas aéreas fazem com os passageiros no Brasil o que as empresas de ônibus não são capazes de fazer. É uma grande certeza na falta de impunidade que estimula, anos e anos, essa relação unilateral e desrespeitosa em nosso país hoje. Aos passageiros, todas as taxas e punições possíveis. Às companhias aéreas, toda benevolência e complacências dos brasileiros e dos órgãos reguladores.

Despidos do sentimento da mais primária cidadania, não somos capazes de estabelecer, sequer, uma relação profissional com as companhias aéreas. E olha que elas transportam todas as autoridades brasileiras, do mais baixo ao mais destacado escalão, fazendo uma multidão de insatisfeitos em todos os cantos do país. Com o desmantelamento contumaz das empresas de excelência no setor aéreo brasileiro, perdeu-se a referência da qualidade dos serviços prestados e o trato com o passageiro. Tudo isso, tendo o silêncio cúmplice das autoridades nacionais.

A expansão do mercado aeroviário não foi ascendente, mas descendente, revelando uma visão distorcida e equivocada na administração de um novo nicho que se amealhava. As novas companhias aéreas definiram como estratégia de mercado retirar o passageiro dos balcões das companhias de ônibus e levá-los para os check in dos aeroportos, sem nunca prestarem a mesma qualidade de serviços e atendimento.

Com a facilidade do acesso ao crédito e a popularização do uso da internet, abriu-se vendas de passagens de todas as formas e todos os gostos, sem nunca pensar na urgência do usuário que, afinal, é a razão de todo esse processo. A concorrência se estabeleceu de forma desleal em um primeiro momento, prometendo vantagens, descontos, conforto, status, sem considerar o passageiro e sua satisfação. Tudo culminou em um processo que se arrasta até hoje, evidenciando sua fragilidade e ingerência, não suportando ao mais anunciado e tradicional feriado. O passageiro aéreo é hoje um rejeitado, um ignorado pela maioria das companhias aéreas que atuam em nosso país.

O que era o presságio de festas e comemorações - as viagens de férias e excursões de fim de ano - se revelaram, nos últimos dias, uma profunda decepção, com uma grande horda de passageiros sem vôo, esquecidos e humilhados nos saguões dos aeroportos brasileiros, sem ter uma resposta precisa sequer de quando poderiam seguir viagem.  A insegurança tomou conta de quem está com passagem comprada e viagem marcada no Brasil. E essa constatação se faz em todos os estados, de ponta a ponta em nosso país.

No ar e distante da população, não podemos deixar que um mercado tão amplo, promissor, estratégico e vasto fique nas mãos das empresas descompromissadas, que já se revelaram incapazes de cumprir com as ofertas marcadas com muita antecedência. É preciso que o governo federal interceda e fiscalize diretamente a atuação e expansão das companhias aéreas brasileiras. Só assim poderemos assegurar ao cidadão brasileiro o cumprimento dos serviços básicos oferecidos, e que as viagens das férias sejam fruto de um direito conquistado.  

Petrônio Souza Gonçalves é jornalista e escritor - www.petroniogoncalves.blogspot.com

 

 
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