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Liminar suspende projeto e obras da transposição do São Francisco

11.12.2007 | Fonte de informações:

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Ontem (10), por volta das 20h, o desembargador Antônio Souza Prudente, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, acatou o pedido do Ministério Público Federal e suspendeu liminarmente as obras de transposição do Rio São Francisco. União já foi notificada. Obras devem ser interrompidas imediatamente. Procurador da República afirma que decisão restaura legalidade do processo.


Nesta segunda-feira, 10 de dezembro, por volta das 20h, o desembargador Antônio Souza Prudente, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, acatou o pedido do Ministério Público Federal e suspendeu liminarmente as obras de transposição do Rio São Francisco. Segundo o gabinete do desembargador, a União foi notificada via fax ainda na noite de ontem (10). A decisão deve ser cumprida imediatamente após o recebimento da notificação.


A liminar suspende a resolução 47/2005 (17/1) do Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH), que aprovou o Projeto de Integração do Rio São Francisco com as Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional, ou, como é mais conhecido, o projeto de transposição. A notificação foi endereçada ao Conselho, cuja presidência é exercida pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.


Segundo o MPF, o Projeto não poderia ter sido aprovado pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos por três razões. A primeira é que o aporte hídrico da transposição é alvo de um procedimento administrativo no Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco que ainda não foi analisado. No Comitê, tramita um conflito de uso de águas que, pelo artigo 38 da Lei 9433/97, é o próprio Comitê que arbitra sobre o conflito referente à sua bacia.


O segundo é que o Projeto viola o Plano de Recursos Hídricos, pois prevê aproveitamento para usos econômicos da água (70% para irrigação, 26% para abastecimento urbano-industrial e apenas 4% para população rural difusa).

“O Plano aprovado pelo Comitê define que o aproveitamento de água fora da Bacia somente pode ser feito com a finalidade de consumo humano e animal, comprovada a escassez de água”, afirmou a coordenadora das promotorias de Justiça na Bahia, Luciana Khoury, que desde 2002 vem trabalhando em parceria com a Procuradoria da República e com todos os Ministérios Públicos dos Estados da Bacia do São Francisco. Além disso, o projeto de transposição viola os princípios da gestão descentralizada da água e da participação popular, previstos no Plano.


No final de 2004, o procurador da República no DF, Francisco Guilherme Bastos, havia ajuizado mandado de segurança questionando a legalidade da resolução do Conselho Nacional de Recursos Hídricos, que não foi acolhido em 1ª instância. O procurador entrou então com recurso (apelação do mandado) no Tribunal. No curso desse processo, a procuradora regional da República, Maria Soares Cordioli, pediu a antecipação de tutela do recurso na última quinta-feira (6/12), no âmbito do TRF da 1ª Região, que foi concedida ontem.


Para Cordioli, os atos derivados da resolução do CNRH também são nulos. Entre eles estão a outorga definitiva e o Certificado de Sustentabilidade Hídrica da Obra, emitidos pela Agência Nacional de Águas, em setembro de 2005.


Segundo Francisco Guilherme Bastos, autor do recurso, a decisão do TRF restaura a legalidade da questão. “Não é o caso de o MPF ser contra ou favorável ao projeto. Se for ambientalmente viável, o que ainda não está comprovado, que seja realizado sob os requisitos da Constituição e das leis”, opinou. Ele ressaltou que em julho deste ano o procurador geral da República fez um pedido ao Supremo para que as obras fossem paralisadas, mas até o momento não houve resposta.


Com a decisão do TRF1, as obras do projeto de Integração do Rio São Francisco com Bacias do Nordeste Setentrional ficam paralisadas até regularização dos atos do Conselho Nacional de Recursos Hídricos.


Mobilização em Sobradinho continua


O frei Luiz Cappio afirmou hoje (11/12) que não costuma tomar decisões precipitadas. Sobre dar fim ao jejum iniciado no dia 27 de novembro, ele diz que “a determinação é seguir em jejum e oração até que haja a retirada do exército dos eixos e a suspensão do projeto de transposição. A gente recebe com bastante alegria essa decisão, é um grande sinal de esperança, mas não chegamos ao fim”.


O presidente da CNBB, dom Geraldo Lyrio Rocha, e o secretário geral, dom Dimas Lara Barbosa, serão recebidos pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, nesta quarta-feira, dia 12, às 9h, no Palácio do Planalto. A audiência foi solicitada pela Presidência da CNBB que quer discutir com o presidente Lula a manifestação do bispo de Barra (BA), dom Luiz Flávio Cappio, em “jejum e oração” desde o dia 27 de novembro, em Sobradinho (BA), contra a transposição do Rio São Francisco.


Após a audiência com o presidente, dom Geraldo Lyrio e dom Dimas Lara darão uma entrevista coletiva na sede da CNBB, que fica no Setor Embaixadas Sul, Quadra 801, Conjunto B. Haverá ainda reunião entre representantes da CNBB e de organizações sociais, com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Alberto Direito, relator dos processos sobre o projeto de transposição.


Hoje pela manhã Dom Luiz conversou por telefone com o presidente da CNBB, Dom Geraldo Lírio, sobre a audiência. “Ele quer levar algumas ponderações que a CNBB tem feito sobre o projeto de transposição” e “manifestou sua comunhão”, completou Dom Luiz.


Movimentos sociais e manifestações de apoio


Há duas semanas sem se alimentar, Dom Luiz passa bem. Mantém uma rotina diária de orações e atendimentos às pessoas, grupos e caravanas que o visitam com freqüência. Hoje está prevista a chegada de lideranças de movimentos populares e partidos políticos. À tarde ele deve receber a deputada federal Luciana Genro (PSOL) e o coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile.


Ontem à noite, milhares de pessoas assistiram ao show de Nilton Freitas, Gogó e músicos de Sobradinho, com temática referente ao semi-árido e ao São Francisco. Durante à tarde um ato público reuniu a Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas), Marcha Mundial das Mulheres (MMM), movimentos e organizações sociais que compõem a Via Campesina, Intersidical, União Nacional dos Estudantes (UNE) e Fórum Permanente em Defesa do São Francisco, do qual a Cáritas Brasileira participa.


Por Renina Valejo (Cáritas Brasileira), com informações de Carolina Pompeu (PGR) e Clarice Maia (Articulação do São Francisco).


Contatos para entrevista:


Francisco Guilherme Bastos: (61) 3313.5483
Luciana Khoury: (71) 8711.0342


Contatos em Sobradinho:
Ruben Siqueira – Comissão Pastoral da Terra: (71) 92086548
Alzení Thomaz – Conselho Pastoral dos Pescadores (75) 9136102
Maria Oberhofer – IRPAA: (74) 91156977


Comunicação:
Clarice Maia – Articulação São Francisco Vivo: (71) 92369841
Cristiane Passos – CPT: (62) 8111.2890
Contato com a assessoria de imprensa da CNBB:
Telefone (61) 2103-8313.


Todos os arquivos referente ao jejum podem ser encontrados no site: www.umavidapelavida.com.br


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