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Feliz Natal: O Ocidente oferece Guerra

26.12.2014 | Fonte de informações:

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Tempos de Boa Vontade... mas o ocidente só oferece sanções, sofrimento e guerras - Estamos em plena estação da Boa Vontade - e os governos ocidentais estão exibindo um pacote de seus "presentes": sanções, austeridade, ajuda militar letal e conflitos candentes.

 21/12/2014, Finian Cunningham,Strategic Culture, trad. mberublue

http://www.strategic-culture.org/news/2014/12/21/season-of-goodwill-west-delivers-sanctions-suffering-and-conflict.html


Estamos em plena estação da Boa Vontade - e os governos ocidentais estão exibindo um pacote de seus "presentes": sanções, austeridade, ajuda militar letal e conflitos candentes.

Enquanto isso, o contraste entre os "presentes" ocidentais e a ajuda humanitária para a Ucrânia que a Rússia forneceu não poderia ser maior ou mais expressivo. Nesta semana, mais um comboio de caminhões russos - pelo menos o décimo até agora nos meses recentes - chegará até a Ucrânia oriental levando alimento, roupas, aquecedores e brinquedos para as crianças desamparadas pela guerra em Lugansk e Donetsk.

A má fé na interpretação da justaposição entre a conduta do ocidente e a da Rússia só poderia acontecer no ocidente cínico e mesquinho.

Enquanto o mundo se prepara para as celebrações natalinas, supostamente uma ocasião de paz, alegria e esperança de salvação para a humanidade - Washington e seus aliados no Canadá e União Europeia consideram seriamente desencadear novas sanções contra a Rússia, alimentar a fogueira da miséria e do sofrimento na Ucrânia e talvez mais perniciosamente, preparar as condições para uma guerra em larga escala.

Governantes ocidentais insensíveis parecem carecer de uma espinha redentora em seus corpos ou de células no cérebro. Na novela clássica de Charles Dickens "Um conto de Natal", uma história de redenção e esperança, seu desprezível personagem Ebenezer Scrooge pelo menos reconhece a mesquinhez de sua existência, arrependendo-se no final. Nenhuma chance de mudança para os governantes ocidentais, ao que parece cada vez mais dispostos a pressionar através de sua arrogância cega e destrutiva.

Havaí

O presidente Barak Obama, ao partir da Casa Branca na última sexta feira para as férias natalinas no Havaí ensolarado, deixou antes sua assinatura confirmatória para que o Congresso dos Estados Unidos desse um "presente" para o regime de Kiev. Aqui entre os "bons" pode-se dar a Kiev milhões de dólares em ajuda militar letal para um regime que chegou ao poder através de um golpe ilegal em fevereiro deste ano. Isso não é uma opinião pejorativa sobre esse regime. Trata-se apenas de um fato objetivo. Claro, os governantes ocidentais não concordarão, bêbados que se encontram pelos seus próprios coquetéis propagandísticos.

Perguntamo-nos se Obama, ao lidar com frangos assados juntamente com suas filhas ao redor das mesas natalinas, recordará que as crianças ucranianas se encolherão de medo antes o ressoar das armas que seu governo despreocupadamente introduziu em seu país.

Obama também aprovou novas sanções para castigar o povo da Crimeia, pela sua audácia em votar no referendo de março em favor da secessão ante o regime neonazista que a CIA impôs no poder. A ordem executiva da Casa Branca proíbe a exportação e importação de bens, serviços, tecnologia e investimento, proibição motivada, segundo Obama, pela "anexação e ocupação da Crimeia" pela Rússia.

Ações punitivas similares deveriam ser adotadas, na mesma semana, pela União Europeia e pelo governo canadense liderado por Stephen Harper.

Os últimos movimentos do ocidente vêm se juntar às rodadas prévias de sanções econômicas e diplomáticas impostas à Rússia. Esta semana - às vésperas das férias natalinas - o rublo russo desceu a novos mínimos, em parte devido às sanções ocidentais, trazendo assim incertezas e ansiedades para muitos cidadãos russos.

Moscou deplorou a nova rodada de sanções, como uma provocação imprudente, em particular a aprovação por Washington em relação à abertura das comportas para inundar a Ucrânia de suprimentos militares. A país já sofreu com cerca de 5000 mortes de seus cidadãos nestes oito meses desde que o regime de Kiev, apoiado pelo ocidente, lançou uma ofensiva contra suas regiões orientais do Donbass, onde predominam os falantes de russo entre a população civil, apenas porque, assim como seus compatriotas da Crimeia, se recusaram a reconhecer o golpe imposto pela CIA, que expulsou o governador eleito Viktor Yanukovich.

Sob a "liderança" que se seguiu, exercida pelo oligarca Petro Poroshenko e por Arseniy Yatsenyuk, protegido da CIA, juntamente com um ministério de impostores estrangeiros, o regime impôs contra o povo de Lugansk e Donetsk um bloqueio econômico. Incapaz de vencer uma guerra militar contra as milícias formadas pelo povo, o Reich de Kiev agora resolveu adotar o recurso de uma tática de atrito e punição coletiva. O resultado disso foi a provocação de mais crimes contra a humanidade.

Criança do Donbass

As sanções ocidentais desta semana contra a Rússia e promessas de futuro apoio militar apenas farão mais audacioso o já ilegal regime em Kiev e sua conduta criminal contra os civis da Ucrânia oriental. Pense um pouco nas crianças do Donbass que tem que se amontoar em volta dos fogões, entre um e outro blackout de eletricidade, enquanto vivem em constante medo dos militares de Kiev, que rotineiramente não respeitam as tentativas de cessar fogo, passados apenas dois meses.

Enquanto isso, a benevolência dos plutocratas de Bruxelas para com as suas crias em Kiev já está se tornando cansativa. Esta semana, o presidente não eleito do Conselho Europeu, Jean-Claude Juncker alertou que uma nova ajuda financeira não mais é possível. Ocorre que as elites de Bruxelas já haviam desembolsado mais um bilhão e oitocentos milhões de Euros para o regime golpista. Demandas arrogantes por "mais dinheiro" da vaca endinheirada em que se transformou Bruxelas por Poroshenko e Yatsenyuk estão se tornando insuportáveis.

A generosidade benevolente largamente despejada sobre esse regime criminoso (o relatório dos Direitos Humanos da ONU aponta sistemáticas violações contra civis, incluindo bombardeios indiscriminados contra áreas residenciais) está acontecendo a expensas dos cidadãos da União Europeia, os quais, por sua vez, têm que encarar uma implacável austeridade, que vem acompanhada de desemprego, déficit de habitações e cortes na assistência social. Como pode haver tão descarado sangue frio entre os burocratas de Bruxelas? Mandarins não eleitos dão dinheiro público a rodo para um regime neonazista fora da União Europeia, o qual está matando seu próprio povo, mesmo quando os cidadãos da União Europeia estão vendo negadas suas próprias necessidades básicas em nome de cortes ditados pela austeridade... E o Natal está chegando!

Mas, como se anotou, os plutocratas da União Europeia parecem finalmente começar a perceber que a entidade engendrada em Kiev por Washington e Bruxelas é um desastre de trem desgovernado, um insaciável monstro de Frankenstein.

Na última reunião de cúpula da União Europeia no final da semana, o presidente-magnata de Kiev não foi convidado para participar - uma significativa mudança no rumo costumeiramente indulgente adotado para com ele por Bruxelas.

Mais: quando o arrogante Yatsenyuk perguntou no início da semana quando para quando Kiev poderia esperar mais uma parcela de 200 milhões de Euros do bolso do dinheiro público da União Europeia, ele foi brusco: "Colocando em poucas palavras: para ontem!" De imediato, o Comissário Europeu Yohannes Hahn replicou que não haveria mais dinheiro vindo dos pagadores de impostos europeus "enquanto Kiev não implementasse certas reformas".

Implacável em sua solicitação chorosa, Yatsenyuk mais tarde declarou à imprensa: "cumpriremos tudo o que prometemos... mas para superar este período a Ucrânia necessita de algum tipo de sustentação e essa sustentação é um novo pacote de ajuda financeira. É muito difícil para nós lutar contra um Estado Nuclear (Rússia), armado até os dentes." Não passou da usual desculpa estridente, culpando todo mundo e esperando receber alguma coisa por nada.

E que reformas espera a União Europeia que Kiev implante? Mais reformas econômicas neoliberais, privatizações, austeridade e o estupro geral e irrestrito por parte do capitalismo no país. Em nenhum lugar do imperativo da União Europeia por reformas está o fim da guerra, violações e crimes contra a humanidade.

Um conto de Natal? A União Europeia não é apenas um Scrooge que não se arrepende. É também o maior dos títeres dos fazedores de guerra dos Estados Unidos.

Feliz Natal a todos. 

 


Finian Cunningham - nasceu em Belfast, Irlanda do Norte, em 1963. Especialista em política internacional. Autor de artigos para várias publicações e comentarista de mídia. Recentemente foi expulso do Bahrain (em 6/2011) por seu jornalismo crítico no qual destacou as violações dos direitos humanos pelo regime barahini apoiado pelo Ocidente. É pós-graduado com mestrado em Química Agrícola e trabalhou como editor científico da Royal Society of Chemistry, Cambridge, Inglaterra, antes de seguir carreira no jornalismo. Também é músico e compositor. Por muitos anos, trabalhou como editor e articulista nos meios de comunicação tradicionais, incluindo os jornais Irish Times e The Independent. Atualmente está baseado na África Oriental, onde escreve um livro sobre o Bahrain e a Primavera Árabe.

 

 
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