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Itamaraty: correção de rota

25.02.2017 | Fonte de informações:

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SÃO PAULO - Apesar das tentativas do lulopetismo, às vezes canhestras e até mal-educadas, para desqualificar o mandato-tampão de Michel Temer, a verdade é que, pelo menos na área de comércio exterior, o atual governo tem registrado inquestionáveis avanços em comparação com os últimos 14 anos, período em que o Brasil, praticamente, ficou isolado e sem representatividade em fóruns internacionais.

Milton Lourenço (*)

Defenestrada a política Sul-Sul, que priorizava o relacionamento com economias pouco representativas do Hemisfério Sul e apresentava os EUA como o grande satã do planeta, o que se viu nos últimos nove meses foi o Itamaraty assumir outra vez o papel de condutor da política externa, sem ser obrigado a prestar vassalagem a algum assessor da presidência da República.

            Basta ver que a Câmara de Comércio Exterior (Camex), a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) passaram a atuar diretamente sob a tutela do Itamaraty, com o consequente esvaziamento do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC). Com isso, o País voltou a ganhar visibilidade internacional, saindo do isolamento a que estava relegado nos entendimentos comerciais.

Isso está claro no atual estágio em que se encontram as negociações do Mercosul com a União Europeia, Aliança do Pacífico (Chile e Colômbia, Peru e México) e  Canadá. Para tanto, foi decisiva a reaproximação com a Argentina, a partir da ascensão de Maurício Macri à presidência do país vizinho. Dentro dessa nova visão da política externa, deu-se a realização da primeira reunião de ministros do Cone Sul para discutir o tráfico de drogas, armas e contrabando, além da defesa das fronteiras e a manutenção da paz no Atlântico Sul.

            Em contrapartida, os dois países ainda não conseguiram superar as dificuldades criadas pelos entraves colocados pela Argentina, como o licenciamento restrito de importações, o que tem impedido o Mercosul de cumprir os objetivos que marcaram a sua criação em 1991, ou seja, a liberalização de comércio e a abertura dos mercados compartilhados por seus parceiros.

Com o México, os entendimentos parecem mais avançados a partir da missão comercial liderada pelo ministro da Agricultura, Blairo Maggi, que procurou colocar o Brasil como opção para o fornecimento de carne processada, milho e soja para aquele país, diante de um possível estremecimento nas relações entre os governos mexicano e norte-americano. É de se lembrar que o México costuma comprar por ano cerca de US$ 30 bilhões em alimentos do EUA e, se pelo menos 30% desse valor viessem para o Brasil, não seria nada mal.

            Embora a articulação dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) seja iniciativa dos governos anteriores, o atual governo não se tem mostrado contrário ao aprofundamento do relacionamento com o bloco. Ao mesmo tempo, tem feito esforços para a assinatura de um acordo entre o Mercosul e a Associação Europeia de Comércio Livre (Efta), que reúne Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, e mais recentemente com o Reino Unido, que deixou a União Europeia em junho de 2016.

Por fim, o Itamaraty não esconde que tem dado ênfase às negociações com a China, hoje o principal parceiro do País, à frente dos EUA, e com o Japão e a Coreia do Sul com vistas à formalização de acordos comerciais. Obviamente, tudo isso demanda um período de amadurecimento, mas não se pode deixar de reconhecer que esses entendimentos deixam explícito que há um projeto deliberado para inserir o Brasil nos grandes circuitos do comércio internacional. Com a saída do ministro José Serra, por problemas de saúde, o que se espera é que essa correção de rota seja mantida.

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(*) Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

 

 
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