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Estratégia equivocada

22.10.2014 | Fonte de informações:

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SÃO PAULO - A opção adotada no início da década passada pelo governo Lula de diminuir a corrente de comércio (exportações/importações) com os Estados Unidos, a pretexto de reduzir uma possível dependência, mostrou-se mais uma vez equivocada. Até porque a ideologização do comércio nunca foi um caminho seguro, como bem sabem os asiáticos que fazem todos os esforços para vender seus produtos para o maior mercado do planeta.  

Milton Lourenço (*)

Como sabe todo bom comerciante, melhor vender para quem pode pagar em dia do que ficar com o produto na prateleira ou vendê-lo para quem poderá ter problemas na hora de honrar o compromisso. Mesmo assim, a diplomacia comercial brasileira preferiu desdenhar o mercado norte-americano, adotando a chamada estratégia Sul-Sul que privilegiava mercados emergentes e as nações que ficam na parte inferior do mapa mundi. Como se uma estratégia implicasse necessariamente o abandono de outra...

O resultado disso é que, pelo terceiro ano consecutivo, as exportações brasileiras para a África estão em queda. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), de janeiro a setembro de 2014, o Brasil vendeu US$ 7 bilhões em mercadorias para a região contra US$ 8,7 bilhões no mesmo período em 2011, o que significa um decréscimo de 20%.

Uma das regiões com maior potencial de crescimento no mundo, a África passou a absorver maior quantidade de produtos nacionais a partir de 2003, quando o governo a escolheu como prioritária em sua política comercial, mas, desde 2011, as vendas registram queda. E isso não se dá porque a África tem importado menos do mundo. É que tem preferido optar por outros fornecedores, provavelmente em busca de preços mais competitivos e condições de pagamento mais favoráveis.

E não deveria ser assim porque, afinal, a África, em cujos principais países começa a aflorar uma classe média, busca essencialmente mercadorias em que o Brasil é competitivo, ou seja, produtos agrícolas, como soja e açúcar. É verdade que, apesar de toda a retórica do governo no início dessa estratégia comercial que se mostrou com muita frente e pouco fundo, a África tem presença modesta na pauta exportadora do Brasil (5%), mas isso não quer dizer que o seu potencial deve ser menosprezado.

Urge, portanto, uma retomada de estratégia que coloque o Brasil como fornecedor também de produtos manufaturados.  É certo que sempre se levantam incertezas quando se tenta aprofundar o relacionamento com determinados países africanos, alguns vivendo ainda conflitos internos. Mas a partir da disposição de se transformar a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) em bloco econômico, podem surgir oportunidades para a intensificação desse intercâmbio. Nesse sentido, o MDIC deveria procurar formalizar o acordo de investimentos que vem sendo negociado com Angola e Moçambique desde o ano passado que, com certeza, dará maior segurança a quem pretende fazer negócios naquele continente.

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(*) Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br.

 

 
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