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A perda do humanismo no cinema e na psicanálise

10.09.2016 | Fonte de informações:

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Em 1895, os médicos Sigmund Freud e Joseph Breuer publicaram em Viena o livro "Estudo sobre a Histeria", lançamento considerado o marco inicial da psicanálise. Em 28 de dezembro do mesmo ano, no Grand Café, em Paris, os irmãos Auguste e Louis Lumière exibiram dez filmes com menos de 50 segundos, inaugurando assim a arte cinematográfica. Ao longo desses 120 anos, as relações entre a psicanálise e o cinema "nem sempre foram cordiais e por vezes foram idealizadas", segundo o psicanalista e crítico de cinema Luiz Fernando Gallego.

por Mauro Bellesa 

As convergências e divergências entre as duas criações serão discutidas por Gallego na conferência Cinema e Psicanálise, no dia 12 de setembro, às 9h30, na Antiga Sala do Conselho Universitário. O evento é promovido pela Cátedra Olavo Setubal de Arte, Cultura e Ciência, parceria entre o IEA e o Itaú Cultural. (A participação presencial exige inscrição prévia; quem não puder comparecer poderá assistir ao vivo pela internet.)

Já confirmaram participação dois dos debatedores convidados: o antropólogo cultural Massimo Canevacci, ex-professor visitante do IEA, e a psicanalista Alessandra Parente, pós-doutoranda da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. O moderador será o sociólogo e filósofo Sérgio Paulo Rouanet, titular da cátedra.

Mudanças

Maior entretenimento de massa da primeira metade do século 20, o cinema perdeu terreno a partir dos anos 1950 para a televisão e depois para outras mídias audiovisuais. Em paralelo a isso, ele sofreu modificações na forma de atingir o público a partir dos anos 80, com o suporte tradicional película-projeção-tela em ambiente coletivo tendo que competir com a reprodução doméstica por meio de fitas de vídeo, DVDs e agora o sistema on demand via internet.

Ao mesmo tempo que isso ocorreu com o cinema, a psicanálise passou "a sofrer ataques e relativo desprestígio, modificando-se o formato original do 'setting' estabelecido por Freud", afirma Gallego. As modificações afetaram a duração e frequência das sessões e as ressalvas à psicanálise surgiram devido a divergências dentro e forma do campo psicanalítico, "especialmente pelos questionamentos advindos dos avanços na psicofarmacologia e por parte de alguns estudiosos das neurociências".

Perda do humanismo

De acordo com o conferencista, o humanismo de parte expressiva do chamado "cinema de autor" das primeiras décadas seguintes à Segunda Guerra "perdeu espaço para espetáculos de efeitos especiais que levam o cinema de volta às suas origens de ilusionismo em antigos parques de diversões e feiras".

Para ele, também houve uma perda do humanismo presente nas teorias psicanalíticas de Freud e seguidores, que passou a se defrontar com outras formas de psicoterapias comportamentais onde o sujeito não tem primazia.

A preocupação de Gallego é investigar se esses caminhos paralelos do cinema e da psicanálise são resultado de mera coincidência ou não.


Cinema e Psicanálise
12 de setembro, às 9h30
Antiga Sala do Conselho Universitário, Rua da Praça do Relógio, 109, térreo, Cidade Universitária, São Paulo

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