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Os traidores

10.03.2019 | Fonte de informações:

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Os traidores
Desde os tempos bíblicos, o delator sempre foi visto como uma figura abominável, porque, tendo usufruído das benesses de uma determinada situação de poder, trai aqueles que foram seus companheiros. 


Judas - segundo a mitologia cristã - traiu Cristo por 30 moedas; o sucessor de Calabar no Brasil - o Palocci - por uma parte do dinheiro que roubou e Elia Kazan, trocou sua alma por uma piscina, segundo Orson Welles. 


De todos esses delatores, o único que merece um registro mais longo pelo seu talento como artista, é Kazan.


Filho de gregos, nasceu em Constantinopla em 7 de setembro de 1909 e morreu em Nova York em 28 de setembro de 2009. 

Tendo sido , durante um tempo,membro do Partido Comunista Americano, dirigiu alguns dos mais importantes filmes de Hollywood, muitos deles, politicamente de esquerda, caso de Vidas Amargas (East of Eden) baseado no livro de John Steinbeck. 


Seus filmes, foram todos de grande qualidade: O Último Magnata, Movidos pelo Ódio, Clamor do Sexo, Baby Doll, Vidas Amargas, Viva Zapata, A Luz é para Todos e Uma Rua Chamada Desejo, entre dezenas de outros.


Quando foi chamado perante a Comissão que investigava atividades ditas anti-americanas, do senador McCarthy, no início da década de 50, ajudou a elaborar a famosa "Lista Negra de Hollywood", que demitiu dezenas de diretores,roteiristas e atores do cinema americano (Edward Dmytryk, Dalton Trumbo, Jules Dassin, Paul Roberson, Leonard Berstein, Dashell 
Hammett, Lee J. Cobb, John Garfield e Zero Mostel, entre dezenas de outros). 


Em 1954, talvez em agradecimento pelos serviços que prestou à Comissão, Kazan dirigiu um dos seus melhores filmes, mas também o politicamente mais reacionário de todos, Sindicato de Ladrões (On the Waterfront) com Marlon Brando e Eva Marie Saint. 
Hollywood retribuiu o serviço, dando ao filme a maioria dos Oscar dos ano.


Em 1999, quando a Academia de Cinema o premiou com um Oscar honorário, seu passado de traidor não foi esquecido e alguns artistas na platéia fizeram questão de não aplaudir, como Sean Penn, Richard Dreyfuss, Rod Steiger, Nick Nolt, Ed Harris e Holly Hunter.


Marino Boeira é jornalista,formado em História pela UFRGS.

 

 
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