Mensagem aos peregrinos do Hajj

Mensagem aos peregrinos do Hajj


Pela unidade do mundo muçulmano 3/10/2014, Imã Ali Khamenei, Líder da Ummah Islâmica e dos Povos Oprimidos - http://goo.gl/w4DsYq


Em nome de Deus, o Compassivo, o Generoso

Toda honra a Alá, Senhor dos Mundos. E as bênçãos de Alá a Maomé (que a paz esteja com Ele) e a toda sua Santa Família.

Nossa saudação e cumprimentos entusiasmados e nossa reverência a vocês, o povo afortunado que aceitou o chamamento do Corão e acorreu como convidado à Casa de Deus. A primeira palavra de aconselhamento é que vejam o valor dessa grande bênção e esforcem-se para aproximar-se cada vez mais de seus objetivos, cultivando as dimensões pessoal, social, espiritual e internacional dessa preciosa obrigação, e peçam que o Generoso e Todo Poderoso os ajudem.

Eu, acompanhando vocês com meu coração e minhas palavras, peço que Deus Misericordioso e cheio de Graças complemente essa bênção. E, dado que Ele já os abençoou com o sucesso dessa viagem, [que Ele] também os ajude a cumprir até o final os rituais do Hajj e depois, com Sua generosa aceitação, que os guie ao destino de cada um, com as mãos cheias e plena saúde.

Na boa oportunidade que nos dá esse ritual único e sem comparação, além da purificação e reabilitação espiritual, que é a mais básica e mais sublime conquista do Hajj, é preciso olhar também para várias questões do mundo islâmico, e para uma abordagem ampla, de base larga, das questões mais importantes, de mais alta prioridade, relacionadas à Ummah Islâmica, tarefa que deve ocupar lugar de destaque na lista de deveres e ritos a serem cumpridos pelos peregrinos do Hajj.

Entre essas importantes questões, de alta prioridade hoje, está a questão da unidade de todos os muçulmanos e de cortar os nós que criaram distância entre várias partes da Ummah Islâmica.

Hajj é a manifestação de unidade e integridade e é fundamento de irmandade e cooperação. No Hajj, todos devem aprender uma lição sobre focar os traços comuns que nos unem e espantar todas as diferenças que nos separam. Semear discórdia para alcançar objetivos vergonhosos sempre foi item de alta prioridade nas mãos imundas das políticas colonialistas, e faz muito tempo que é assim.

Hoje, contudo, à luz do Despertar Islâmico, quando nações muçulmanas descobriram, corretamente, o que é a animosidade do front sionista arrogante e tomaram posição contra ele, muitas políticas pensadas para dividir os muçulmanos estão ativadas novamente, cada vez com mais fervor.

O inimigo dissimulado está dedicado hoje a soprar as brasas das guerras civis entre muçulmanos, para desviar a motivação para resistir e lutar, e para criar margem segura na qual possa operar o regime sionista e outros agentes da Arrogância que são, esses sim, os verdadeiros inimigos. Criar e manter grupos de takfiri [falsos muçulmanos] terroristas e assemelhados em países da Ásia Ocidental é uma das consequências dessa política traiçoeira.

Deixo aqui um alerta para nós todos, para que instalemos a questão da unidade de todos os muçulmanos como item principal de nossos deveres nacionais e internacionais.

Outro tópico importante é a questão da Palestina. Já são 65 anos desde o início da usurpação pelo regime sionista. Entre altos e baixos dessa história sensível e importante, e especialmente como resultado de desenvolvimentos sangrentos de anos recentes, duas realidades tornaram-se visíveis para todos. Primeiro, que o regime sionista e seus apoiadores criminosos não conhecem limite para a crueldade , a brutalidade e o atropelamento de todas as normas humanas e éticas.

Consideram-se eles mesmos autorizados a cometer qualquer crime, genocídio, destruição, massacre de crianças e mulheres e gente indefesa, e entendem que podem cometer qualquer outro ato de agressão e opressão e até orgulham-se dos seus crimes. Cenas horrendas dos recentes 50 dias de guerra contra Gaza são os mais recentes exemplos desses crimes históricos, que, claro, repetiram-se com frequência ao longo do último meio século.

O segundo fato é que nem todas essas brutalidades e catástrofes conseguiram ajudar os líderes e apoiadores desse regime sionista a alcançar seu objetivo. Ao contrário da aspiração enlouquecida por mais força e poder, que políticos satânicos desejam para o regime sionista, dia a dia o regime sionista aproxima-se mais do colapso e da aniquilação.

A resistência ao longo de 50 dias da Gaza sitiada e indefesa contra todo o poderio do regime sionista expuseram à vista o fracasso daquele regime; no final, os sionistas tiveram de retroceder e aceitar as condições que a Resistência impôs. São manifestações claras da fraqueza, da falta de habilidade e da impotência do regime sionista.

Isso significa que a nação palestina deve ter hoje mais esperanças que nunca; os combatentes da Jihad [islâmica] e o Hamás devem revigorar seus propósitos, a firmeza e a determinação. A Cisjordânia deve prosseguir seu caminho regular com cada vez mais força e vigor; nações muçulmanas devem exigir que seus governos apoiem real e seriamente a Palestina. E todos os governos muçulmanos devem cumprir esse dever com honestidade.

A terceira questão de alta prioridade é a abordagem inteligente que devem adotar os ativistas simpáticos [à causa muçulmana] no mundo muçulmano, no que tenha a ver com a discrepância entre o puro Islã Maometano e o Islã Americano. É preciso não misturá-los nem tomar um pelo outro e impedir que outros o façam. Nosso último grande Imã foi a primeira pessoa a tentar demarcar as diferenças entre essas duas categorias e incluiu [a diferença] no léxico político do mundo muçulmano. O Islã santificado é o Islã da serenidade e da espiritualidade, o Islã da piedade e da democracia; o Islã que é duro contra os infiéis, mas meigo com os fiéis.

O Islã Americano é o resultado de porem a prática do Islã a serviço de estrangeiros e de inimigos da Ummah Islâmica.

Um Islã que sopra as brasas e chamas da divisão entre muçulmanos; que em vez de confiar na Promessa Divina, confia nos inimigos de Deus; que em vez de combater contra o sionismo e a arrogância, combate contra o irmão muçulmano; [e] que se une assim com os EUA arrogantes contra sua própria nação ou outra; esse Islã não é o verdadeiro Islã. É, afinal, uma perigosa e perniciosa hipocrisia contra a qual todos os verdadeiros muçulmanos devem lutar.

Uma abordagem combinada de percepção e reflexão aprofundada mostrará claramente todos esses fatos e questões importantes na realidade do mundo islâmico, a qualquer pessoa que busque a verdade; e define também o dever e a obrigação de cada dia, sem ambiguidade.

O Hajj com seus rituais e ritos oferece oportunidade de ouro para alcançar essa percepção, e espero que vocês, afortunados peregrinos do Hajj, serão capazes de extrair pleno proveito dessa bênção divina.

Deixo-os sob a proteção de Deus Todo Poderoso e peço a Ele que aceite a oferenda que vocês Lhe trazem.

Assalamu Alaikum wa Rahmatullah
(Que Deus lhes conceda proteção e segurança)

 

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Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey