Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey

«Assim é Brasil» na música da Azul FM de Montevidéu abraça melodías verde-amarelas – reportagem Gustavo Brignani

Desde o Vinícius, Toquinho, Maria Creuza e Roberto Carlos, as melodias brasileiras continuam cativando fãs uruguaios. Os «Long Plays» foram os primeiros veículos de contato com o povo uruguaio para pular até hoje encontrando na AZUL FM – cento e um vírgula nove – uma proposta adorável todo dia á partir das 11:15 da manhã. O Gerente de Programação da AZUL, senhor Gustavo Brignani recebe o PRAVDA e fala de tudo, só que EM PORTUGUÊS .

PRAVDA : Faz quanto que a AZUL está no dial das FM uruguaias? Na net?

BRIGNANI : A AZUL completou 35 anos no ar e trabalho na empresa faz 25 anos. Quanto aos inícios da minha carreira nas rádios, na AZUL comecei como locutor – operador, que foi uma profissão múltiple pois até essa data só tinha locutores comerciais e uma outra possibilidade era a de locutor – operador em quatro turnos no decorrer do dia todo. Esse foi o meu início na AZUL só que após um ano, talvez meio ano, comecei mexer na programação da rádio. Porém, acabei trabalhando como locutor – operador e programador no decorrer de quinze anos e faz dez que trabalho de jeito específico na área de programação. Fora minha carreira na AZUL, comecei na CX 40 - Rádio Fenix de Montevidéu – www.cx40radiofenix.com – com apenas dezesseis anos e trabalhei como operador, logo veio CX – 18 Rádio Sport, um ano, Rádio Sarandi, num horário bem noctívago, fui repórter á noite mais uma ano. Já nessa época a gente também trabalhou na AZUL e mexia nas duas tarefas. Após essa marcação, fiquei sempre aqui na AZUL.

P : Fiquei surpreso pois estou gravando tua reportagem em português e achei que ia gravar em castelhano para logo traduzir. Como ganho essa língua portuguesa tão fluente assim?

BRIGNANI : (Dando risada continuo respondendo). Vamos lá, morei dois anos no Brasil, em Florianópolis, Joinville e Blumenau, além de ter um tio que casou com brasileira e com as minhas primas que agora moram aqui, a gente bate um papinho em português sempre.

P : Faz quanto o Brignani na AZUL? Porquê acabou inserindo um programa de música brasileira na programação da rádio? Porquê está no ar no eixo de meio-dia?

BRIGNANI : Desde o início da própria rádio, o programa «Assim é Brasil» faz parte da programação. Uruguai tem um gosto muito definido quanto tem a ver com a música. Gosta muito da música latina em espanhol, também a ANGLO e muito em português, acho que o Uruguai é o país fora os lusófonos onde se ouve mais música brasileira. Felizmente o programa foi sempre bem sucedido e trouxe as últimas músicas que surgiram no mercado brasileiro, misturando com as músicas antigas e clássicas que foram sucesso.

P : Qual é o perfil dos ouvintes do programa «A música da AZUL»? Socioeconômica? Faixa de idades?

BRIGNANI : A AZUL tem um perfil de público muito definido e quanto tem a ver com o sócio-econômico, abrange médio e médio-alto, fora que a atinge uma faixa de idade dos vinte e cinco até cinqüenta e cinco anos. Embora que o público uruguaio gosta da música brasileira, agora não tem a força que tinha faz dez anos.

P : Porque acha que aconteceu esse diminuir dos fãs da música brasileira quanto ao passado? O que acaba influenciando para que isso aconteça? O força da música sertaneja no Brasil nos últimos anos?

BRIGNANI : É assim mesmo, do jeito que você fala. Aqui, no Uruguai a música sertaneja nunca funcionou mas também acho que a música de rock uruguaio cativou muitos fãs abrindo seu espaço e encostando outras propostas. As novas gerações dos uruguaios não gostam tanto assim quanto gostavam antigamente.

P : Qual é o estilo de música brasileira que mais gostam os uruguaios? Qual é o estilo de música do programa? Mistura sucessos de hoje e do passado?

BRIGNANI : Na hora que comecei na AZUL, tocava muita música tendo como objetivo, ouvintes mais velhos. Emílio Santiago, Agnaldo Timóteo, Vinícius, Toquinho e foi quanto a gente voltou do Brasil para ficar no Uruguai, era bem mais novo, de cabeça aberta. Aliás, trouxe muitas músicas que mesmo tendo-as como parte da bateria de músicas da rádio, elas não botaram na nossa programação. Então, o estilo do programa e da própria programação mudou desde a minha vinda. Com certeza, logo misturamos com as músicas mais antigas pois o uruguaio é muito clássico, você sabe disso, botando o Martinho da Vila, Agepê, que continuam rodando ainda aqui na rádio misturado com as novas músicas do Brasil.

P : Então, acredito que você foi importante nessa mudança de cabeça dos uruguaios quanto á música brasileira.

BRIGNANI : Sem dúvida mas leve em consideração que Uruguai gostava dessa música, mas era a rádio que não botava esse estilo. Por enquanto, a AZUL foi marcante nessa época quanto ás músicas diferentes ao resto. Acho que é bom salientar que os uruguaios viajam muito para o Brasil e conheciam as músicas que estavam rolando nas rádios brasileiras e na hora deles voltar dessas férias, pegavam o telefone e ligavam para a AZUL pedindo aquela música. Você não tem aquela música que ouvi no Brasil, acabavam falando os ouvintes no ar. Estava esquecendo que as novelas da tevê vindas do Brasil foram sucesso naquela época e os nossos ouvintes reclamavam as músicas que rolavam no horário das 22 h com grandíssimo sucesso, quanto á própria novela. Então, essas novelas, essas músicas foram tão marcantes assim que caso não tivesse essas músicas na AZUL, a rádio ia cair fora.

P : Quem arruma cada programa? O Brignani mexe nesse assunto? Gosta da música brasileira? Estilo? Cantor ou cantora?

BRIGNANI : Sou eu quem arruma o programa «Assim é Brasil» e de jeito específico o arrumo desde o início, faz 25 anos. Quanto ao estilo do meu paladar «brasileiro» gosto de Samba Pagode, Bossa Nova e as novas cantantes, do estilo da Simone, a Célia Duncan. Quanto aos homens, do estilo de Jorge Bem Jor...acabei esquecendo agora mas daqui a pouco vai voltar. Agora no Brasil está funcionando muito bem o Funky, mas não é o Funky que nos conhecemos aqui no Uruguai. Bota Hip-Hop. Tudo isso aí é muito bom.

P : Recebe convites dos representantes dos músicos brasileiros que fazem pouso no Uruguai? Verificar ao vivo a valia deles é importante para o Gerente de Programação?

BRIGNANI : Infelizmente não temos muitos músicos brasileiros fazendo pouso em Montevidéu pois na verdade, Uruguai é um mercado muito pequeno para eles e cobram em REAIS, tendo cachês muito altos. Pode tirar conclusão que não temos muitos convites, e aqueles que temos é porque a rádio conhece muito bem aqueles que trazem os músicos no Uruguai. Mas quanto a tua pergunta, é extremamente importante estar ao dia e se for possível assistir aos espetáculos ao vivo.

P : Recebe CD`s e DVD`s de música brasileira das produtoras do Brasil que divulgam cantores e cantoras? A AZUL aceita novas propostas vindas do Brasil agora que é bem mais famosa a partir da sua reportagem?

BRIGNANI : Infelizmente a AZUL não recebe CD`s nenhum mas temos muitos amigos e contatos lá no Brasil que nos colocam á par de tudo quanto acaba surgindo no mercado. Fora isso, pode ter certeza que gostaria receber CD`s e DVD`s dos destaques. Com certeza!!!

P : Então, quer compartilhar a sua caixa de e-meios para receber CD`s e DVD`s do Brasil? Chute agora, é sua chance!!!

BRIGNANI : Te agradeço, muito obrigado. Posso compartilhar sem problemas, claro. gbrignani@azulfm.com.uy

Do meu lado, nessa ida e volta, vou inserir esta reportagem no site da AZUL FM, o que acha? Os leitores do famoso PRAVDA, que com certeza conheço, podem conferir já-já mergulhando em www.azulfm.com.uy

P : Para ficar na cimeira do ibope, o Gerente de Programação tem que fazer o quê? Quanto á música brasileira acompanha as FM`s do Brasil ou nada tem a ver com

BRIGNANI : A cada dia fica bem mais difícil, não é? Do jeito que já tínhamos falado, Uruguai é um mercado muito pequeno, as rádios todas tentando fazer quase a mesma coisa. Tem países que a proposta é bem mais ampla. Nesses países, tem rádios de música só brasileiras, jazz, folclore. Aqui no Uruguai, tudo mundo faz a mesma coisa pois quanto mais consegue abranger é bem melhor mas também fica claro que a concorrência piora. Fora esse lero-lero, é super importante ficar á par de tudo o que está acontecendo no mercado quanto á música, comunicação pois a rádio agora tem mudado. Música só já não presta. Agora no mundo inteiro se conseguem as músicas na net, tem música nos MP3 e acho que a comunicação é o mais importante no esquema de um rádio, porém, estamos misturando música e comunicação.

P : O programa «Assim é Brasil» está saindo no ar ao vivo? No passado?

BRIGNANI : Agora na área técnica, você planeja tudo com antecedência botando as músicas no computador e tem locutor só que não apresentador. Faz alguns anos, tendo operador ao vivo, você dava os discos para o operador e ele botava, fazendo o programa. Nunca teve apresentador.

P : Quanto tem a ver a irmãzinha 93,5 FM de Punta del Este no sucesso. Atinge o verão apenas? De 24 de Dezembro até 5 de Janeiro a cada ano, Punta del Este fica lotado de brasileiros. Muda a programação ou o horário de «Assim é Brasil» nesses dias ou não dá para mudança nenhuma?

BRIGNANI : Fora o verão que temos um argentino que conhece muito bem o paladar dos inúmeros argentinos que lotam Punta del Este, o resto do ano, a programação da AZUL FM de Montevidéu no 101,9 é a mesma que a 93,5 de Punta del Este. O programador argentino faz que a rádio de Punta del Este toque um estilo de música com estilo eletrônico, bem mais Tecno. Ele conhece o que está tocando no Brasil, e caso precisar, ele bota na programação. Aliás, não influencio muito na programação da Rádio 93,5 de Punta del Este. A nossa programação não muda por causa desse bocado de brasileiros que acabam lotando a cada dezembro/janeiro Punta del Este.

P : Tem montado parcerias com os barzinhos ou barracos nas praias tentando aprimorar a divulgação?

BRIGNANI : No verão, em Punta del Este, divulgamos a nossa programação nos alto-falantes de uns vinte barzinhos nas próprias praias. Temos repórteres andando pela areia, perguntando qual é a música que os ouvintes que estão pegando bronze anseiam ouvir e aos poucos a rádio toca essa música para eles. Acontecem reportagens e na hora que são estrangeiros, perguntamos qual é a música que está tocando nesses países tentando sempre retribuir agentilezadesse bate-papo com a música que eles gostam.

P : Qual é o relacionamento com o Setor Cultura da Embaixada do Brasil? Fluente? Eles convidam-no nos eventos de música? Com a Embaixada de Portugal?

BRIGNANI : Infelizmente quase não temos. A única oportunidade que tivemos contato com a Embaixada do Brasil foi quando veio o Roberto Corrêa, que tocava o violão muito bom. Dessa vez o Secretário de Imprensa, o senhor Gláucio Veloso, ligou para me convidar. Acho que fica muito claro que a Embaixada não tem interesse em divulgar artistas que não precisam de divulgação nenhuma, como é o caso do Caetano Veloso. No caso de Portugal, sem contato nenhum, disso também pode ter certeza. Fora que eu acredito na valia da Mafalda Veiga e mais alguns que estão se mostrando bem.

P : Próximos eventos musicais marcados em Montevidéu? O último espetáculo dos Titãs antes do acidente aérea aconteceu no Cinema-Teatro Plaza, não é? Lembra desse espetáculo?

BRIGNANI : Brasileiros da gema, que eu saiba não temos nos próximos meses. Amanhã, na Trastienda, que foi o ex Cinema Miami, vai se apresentar uma uruguaia que está fazendo sucesso no Brasil, a María Paz que se não me engano começou fazendo rolar sua carreira com Caetano, Erasmo Carlos. Essa menina está lançando um disco na Trastienda – www.latrastienda.com.uy - amanhã, Quinta 20 e Maio á noite.

Com certeza me lembro dos Titãs mas infelizmente não participei daquele último evento deles no Cinema Teatro Plaza, no quilômetro zero da cidade de Montevidéu, na frente da Praça de Cagancha.

P : Seria uma boa montar parcerias com rádios de música brasileira tentando burilar o programa «Assim é Brasil»? Tem tentando? O estúdio da rádio tem camarinha para dar uma espiadinha na net?

BRIGNANI : Gostaria ter sim. Mas não temos. Infelizmente, com rádio-emissoras mesmo, não temos. Camarinha do estúdio até hoje não temos mas posso botar nele assim que quiser. E só me avisar. Temos programas ao vivo e seria uma boa então botar uma camarinha lá.

P : Já confirmou que «Assim é Brasil» não tem apresentador. Imagina só. Quanto aproxima aos ouvintes que o apresentador fale ou não português, com sotaque brasileiro?

BRIGNANI : Acho que estamos precisando de uma mudança tendo apresentador daqui para frente pois daria uma frescura boa para o programa. A nossa idéia é continuar com a locutora que temos no programa prévio e botá-la no «Assim é Brasil». Gostaria muito que isso acabasse acontecendo.

P : Acha que a voz de uma mulher sensual é importante na FM?

BRIGNANI : Sem dúvida, sem dúvida. Mas acho importante bem mais nos programas noctívagos. Acho que no decorrer do dia nem tanto. Fora isso, acredito que na AZUL, que tem grande maioria de ouvintes femininos, essa tal voz sensual teria que ser masculina.

P : Aceita apoios financeiros brasileiros da gema para o programa «Assim é Brasil»?

BRIGNANI : Gostaria sim. Disso também pode ter certeza (confirmou sorridente). Numa oportunidade tivemos um apoio que não era mesmo do Brasil, senão de uma famosa logomarca brasileira que tinha representante comercial no Uruguai. Se lembra da Arisco? Não foi apoio específico do programa «Assim é Brasil» mas depois de muitos anos acabou sumindo. Logo veio a Varig.

P : O programa «Assim é Brasil» tem como carimbo para os ouvintes uma frase muito linda. «A música chega até a sua alma, emociona e acalma». Como foi que ela nasceu? Se lembra?

BRIGNANI : Isso surgiu á partir de uma chamada que montamos com a Agência Punto Publicidad. Nessa campanha nós sabíamos que a grande maioria dos ouvintes das rádios eram mulheres, bem mais sensíveis do que os homens, apontamos aos sentimentos delas.

P : A logomarca da AZUL FM na tevê no decorrer de muitos anos refletiu o agir de duas gaivotas se pousando acima de uma rocha, se olhando de perto, se conquistando com ternura até que conseguem grudar os seus bicos e desenhando de jeito incrível um coração entre as cabeças e os papos. Como é que essa chamada conseguiu ser a própria cara da AZUL FM. Quem montou essa chamada adorável?

BRIGNANI : Os Direitos Reservados eram da Globo e foram comprados deles. Essa chamada das gaivotas foi apresentado numa Exposição de Filmes da Publicidade, e essa foi da Globo. Logo com a Punto Publicidad, compráramos os direitos para Uruguai que foi sucesso e tanto, e até hoje que não continuamos com a campanha na tevê, tudo mundo fala que a AZUL FM é á radio das gaivotas. A logomarca da rádio mudou agora e até as próprias gaivotas não são mais a nossa cara.

Gustavo Espiñeira

Correspondente PRAVDA.ru

Montevidéu – Uruguai