Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey

A contribuição de alguns nobres espíritos à história

Marcus Eduardo de Oliveira

“L’homme est pour lui bom par nature,

c’est la societé qui peut le rendre mauvais”.

Jean-Jacques Rousseau

Os psicólogos nos ensinam que “a arte de pensar é a manifestação mais sublime da inteligência”.

Ao longo da história do mundo, muitos foram os que apresentaram verdadeiras lições, legando-nos, por conseqüência, máxima contribuição ao pensamento humano. Um cabedal de conhecimento, realizações, invenções, descobertas e conquistas dos mais preciosos se descortinaram e, até hoje influencia gerações mudando o curso da história, da política, da filosofia, da religião, das ciências e, de tal forma, acabam por edificar novos caminhos e horizontes.

Nas fontes da sabedoria e da perspicácia humanas, criadas, pari passu, pelo animal racional intitulado Homem, é onde devemos beber o “cálice sagrado” que leva ao conhecimento, que permite a busca ao desconhecido, que enseja encontrar a base conceitual em que repousa o pensar, o agir, o sentir, o ter. Caso esse “desconhecido” se apresentar envolto em uma bruma que não se dissipa, é aí, pois, que devemos atuar a fim de descortiná-lo, visando sempre buscar a claridade, tal qual a aurora que se rompe atrás das silhuetas dos álamos.

Amor à sabedoria

De certa forma, nesse grande teatro que chamamos Vida, estamos atuando como atores principais, encenando, de certa forma, a busca da Filosofia; conceito esse que vem do grego (Filo + Sofia = amor à sabedoria) e que define, per si, o ideal maior de todos nós: a busca pelo aprendizado e, por conseqüência, do engrandecimento do espírito, mesmo que verifiquemos que a capacidade dos homens de fazer mal a seu semelhante cresça de forma exponencial, o destino de todos nós é sim o aprimoramento, em busca da melhora universal, em busca de uma existência mais ética e menos imoral, mais digna e menos corruptível, mais sábia e menos torpe, mais fraterna e menos insensível, mais amável e mais justa. Ainda que a desigualdade seja superior a igualdade e que a injustiça prevaleça frente ao bom senso.

Sendo essa a verdadeira filosofia que nos cabe buscar, isso nos leva, primeiramente, a “reaprender a ver o mundo”, como nos ensina o francês Maurice Merleau-Ponty, um dos grandes expoentes da fenomenologia, defensor assíduo da teoria da percepção como fonte de conhecimento. Afinal, há algumas verdades incontestáveis. Dentre essas citemos, por exemplo, a título de melhor ilustração dessa busca por uma vida melhor a de que só a sabedoria liberta. “Ser culto é o único modo de ser livre”, nos diz o poeta cubano José Martí; além disso, vale aduzir que a sabedoria torna as pessoas mais atraentes, ainda que o tempo (esse “inimigo” cruel de alguns) sulque a pele e imprima as marcas da velhice. Outra verdade inconteste vem do amor, afinal, só o amor constrói. “Omnia vincit amor”, ou seja, “o amor vence tudo”, nos ensinam os gregos desde priscas eras.

Ainda no âmbito do termo “conhecimento” cumpre ressaltar que esse, por sua vez, nunca pode esperar, pois, simplesmente, não há tempo a perder, não se pode deixar para o amanhã, afinal “Amanhã será sempre tarde”, nos lembra o título de uma bela obra do poeta Saint-John Perse; eis porque o “tempo”, para alguns, soa como adversário.

Nesse pormenor, Quintus Horácio, o primeiro literato de Roma, influenciado por Epicuro de Samos (um dos maiores filósofos do período helenístico) afirmava “quam minimum crédula postero”, ou seja, “acredite o mínimo possível no amanhã”. Em particular, apenas para reforçar essa tese de que o tempo é algo muito valioso e não convém esperar o amanhã, é sempre bom lembrarmos-nos do seguinte provérbio chinês: “Todas as flores do futuro estão nas sementes de hoje”.

Assim sendo, é desse conhecimento então que todos, de certa forma, precisamos, pois o mesmo é algo essencial para a vida, assim como o pólen na atmosfera é também essencial às cerejeiras e aos lótus; ainda que essa vida (a maior dádiva que Deus pode nos ofertar) seja uma fagulha no tempo que rapidamente cintila e logo se apaga, para uma vez mais discorrermos sobre a necessidade de agir de forma rápida.

Pelo lado desse “conhecimento”, a parte teórico-didática de como aplicá-lo da melhor forma coube a nomes que se debruçaram na pedagogia, dentre eles o russo Lev Vigotsky, o suíço Jean Piaget, a italiana Maria Montessori (que também foi à primeira médica a se formar na Itália), o inglês Dewey e o brasileiro Paulo Freire.

Se for verdadeira a afirmação de que é por meio do pensamento que as ações acontecem, que o conhecimento propriamente dito se avizinha e de que somos o resultado do que pensamos, o conhecimento precisa então ser alçado a condição de parceiro inseparável em nossa vida.

O que pensamos determina o que sentimos; “o que sentimos”, nos explica o psiquiatra Augusto Cury, “registramos em nossa memória e, ao registrarmos na memória, determinamos os alicerces de nossa personalidade”. Então, o que pensamos hoje poderá ser o que seremos amanhã. Assim então fazemos o destino dia após dia. Assim construimos esse fadário que nos acompanha hora a hora, minuto a minuto; assim determinamos o que vai acontecer, ainda que “caminhemos por veredas perdidas” para lembrarmos aqui das palavras do filósofo alemão Martin Heidegger.

Ao longo da História do mundo que já passa da casa dos bilhões de anos, muitos foram os “espíritos nobres e iluminados” que tiveram como missão ímpar na Humanidade desbravar fronteiras inatingíveis, conquistar o desconhecido, descobrir os limites do impensável e plantar as sementes do conhecimento, ainda que estas últimas tardem a florir, mas que nunca deixem pois de germinar para o bem de todos nós. Não há dúvidas de que esses seres iluminados, a partir de suas ações (pensamentos) podem muito bem serem chamados de reformadores sociais.

A partir de agora então, na ternura e no estro de alguns desses nobres pensadores-descobridores-desbravadores-reformadores, desses homens que sonharam construir algo novo, desses que cravaram definitivamente seus nomes no panteão da História, desses que com seus “pensares” e suas “atitudes” desbravaram rios infrenes e atravessaram desertos imensos, fizeram acontecer.

A contribuição dos gênios

Assim temos, por exemplo, em Aristóteles , o filósofo da essência das coisas; em Platão, a base da política; em s anto Tomás de Aquino, o equilíbrio da ordem universal; em Hobbes, a figura do Estado como catalisador da sociedade; em Blaise Pascal, a essência divina esmiuçada.

No carpinteiro Jesus de Nazar é que se fez O Cristo (o Mestre dos Mestres, formado pela escola da vida) , temos a base do amor fraternal (“Ama o próximo como a ti mesmo” - Mt, 22:39) além da valorização da vida (“Eu vim para que tenham vida...”) ; em Immanuell Kant, a razão pura; em F. Hegel, a idéia como força; em Karl Marx, as bases do materialismo histórico; em Jean P. Sartre, a base do existencialismo , com “ o ser e o nada ” ; em Arthur Schopenhauer, a descrição da dor . Em Clausewitz, descobrimos o “ filósofo da guerra ” ; em Baruch Spinoza, a saliência da dúvida; em s anto Agostinho, o bispo de Hipona, o segredo da confissão.

E o que falar daqueles que foram os responsáveis pelos primeiros passos em certas áreas do conhecimento : Tales de Mileto é tido como o “ primeiro ” filósofo; Adam Smith, o “ pai da Economia ” ; Pitágoras, da M atemática (embora não tenha sido o criador verdadeiro); Sócrates, o “ pai da dialética ” ; Arquimedes, da Física; Hipócrates, da Medicina; Euclides, da Geometria . Montesquieu, lá da França, nos legou o Espírito das Leis, pregando a necessidade de dividir os poderes do Estado (Legislativo Executivo e Judiciário); Voltaire (François Marie Arouet) propugnou a tolerância (“Não concordo com você, mas estou disposto a morrer pelo seu direito de se manifestar”).

Já Jean-Jacques Rousseau, que usamos na epígrafe deste trabalho, homem das letras e pensador dos mais sensíveis, espécie de “avô e pai” dos revolucionários posteriores ao seu tempo, temos a investigação da origem das desigualdades sociais em sua brilhante obra Discours sur l’origine et les fondements de l’inégalité parmi les hommes. Rousseau foi acima de tudo um bravo defensor da IGUALDADE.

Da França, Itália e Alemanha: a literatura e as artes

Para ficarmos ainda na França, lá vemos nomes como René Descartes que definiu o modo de pensar dos franceses. Pelo lado dos ensaístas encontramos Montaigne, Molière, os romancistas Victor Hugo (com a extraordinária obra de denúncia social intitulada Les Miserábles), Honoré de Balzac (A Comédia Humana), Gustave Flaubert, Anatole France e o “pai do Anarquismo”, Pierre Joseph Proudhon. Dessa mesma França ainda ecoam os nomes “mágicos” dos gênios-pintores: Renoir, Monet, Delacroix e Cézanne. Da Alemanha, destaca-se a figura alucinada e alucinadora de F. Nietzsche, além de Bertold Brechet, dos músicos R. Wagner, F. Schubert e J. S. Bach – esse último dedicou toda sua obra a “glória de Deus”. Da Itália vem “o príncipe” Nicolai Maquiavel (“os fins justificam os meios”) e o fantástico Dante Aligheri, criador da escrita italiana com a “Divina Comédia”, além do marxista Antonio Gramsci; na pintura e nas artes Caravaggio, Michelangelo e Da Vinci.

Da Holanda vem Van Dyck, Rembrandt e Van Gogh, pelo lado das artes; da Espanha, o genial Pablo Picasso e sua denúncia dos horrores da Guerra Civil Espanhola com “Guernica”, além do tresloucado Francisco Goya, de Dali, Velásquez e Miró. Na poesia temos os irmãos Machado (Manuel e Antonio), o poeta Federico Lorca (brutalmente assassinado pela polícia do General Francisco Franco), Ortega y Gasset, para quem “debaixo de toda vida contemporânea se encontra sempre uma injustiça latente”.

Na literatura ecoam os nomes de Pedro Calderón de La Barca (o primeiro teatrólogo espanhol), Miguel de Unamuno e, é claro, o inesquecível “pai de Dom Quixote de La Mancha”, Miguel de Cervantes Saavedra.

A Inglaterra nos “presenteou” com Charles Dickens, Bernard Shaw, Willian Skakespeare e Agatha Cristhie. Os Estados Unidos, com Truman Capote, o genial Walt Withman (“As Folhas da Relva”), Willian Faulkner, Ernest Hemingway.

Já a literatura russa nos legou nomes como Gorki, Dostoievski, Tolstoi, Brodsky, Tckekhov e Pasternak, além do pintor Wassily Kandinsky. A literatura portuguesa nos fez conhecer os geniais Camões, Pessoa (e seus heterônimos), Antero de Quental, Cesário Verde, Florbela Espanca e, mais recentemente, o Nobel, José Saramago.

Pelo lado da cultura árabe, a produção de notáveis personagens vai do médico Avicena ao filósofo Averróis, além do poeta Omar Khayyam (“O Rubayat”) aos matemáticos Al Juarísmi e Albatênio.

Pelas bandas da América Latina

Pelas bandas da América Latina, saltam os nomes de geniais pesos pesados da literatura como Garcia Márquez, Vargas Llosa, Juan Rulfo, Jorge Luís Borges, Byo Casares, Machado de Assis, Jorge Amado, Oswald e Mário de Andrade.

Do Chile vem Isabel Allende; de Cuba, Alejo Carpentier, Guillermo Cabrera Infante e Reynaldo Arenas. Do Uruguai, Eduardo Galeano e Mário Benedetti. Do Paraguai, Augusto Roa Bastos. Do México, Octavio Paz.

Para a poesia contribuíram Carlos Drummond, Cecília Meireles, Castro Alves, Pablo Neruda, César Vallejo, Gabriela Mistral, Vicente Huidobro, Julio Cortazar, Dario Fo, Ernesto Cardenal, Angel Astúrias e tantos outros.

Voltando para as ciências, principalmente no campo da medicina, temos c om Willian Harvey a descoberta da natureza do aparelho circulatório; com Miguel Servet a circulação do sangue. O francês Ambroise Pare desenvolve a cirurgia e o flamenco Andréas Vesálio os estudos de anatomia.

Na medicina

As condições e possibilidades de sobrevivência vieram pelas vacinas descobertas pelo inglês Edward Jenner e Louis Pasteur (que também desenvolveu a conservação dos laticínios, a pasteurização). A medicina nos legou ainda o bacteriologista alemão Robert Koch e Alexander Fleming, com a penicilina. Já Félix Hoffmann logrou sintetizar a aspirina (ácido acetilsalicílico) e Robert Gallo descobriu o vírus da Aids. A esses nomes somam-se os brasileiros Vital Brasil (com os tubos de soro antipestoso) e o sanitarista Carlos Chagas.

Pelo lado dos chamados “Exércitos de Salvação”, coube a Henri Dunant fundar a Cruz Vermelha e a William Booth, o Exército de Salvação (Salvation Army). O corpo de enfermeiras que atuou pela primeira vez na guerra da Criméia (1854-1856) foi invenção de Florence Nightingale.

Nas artes

Já a magia do cinema, inventado pelos irmãos Auguste e Louis Lumiére, em 1883, nos legou nomes de cineastas que tem levado, desde então, essa arte a extremos impensáveis. Frederico Fellini, Alfred Hitchock, Woody Allen, Pedro Almodóvar, Luis Bunel, Francis Ford Copolla, Steven Spielberg, Akira Kurosawa, Tinto Brass, Costa Gravas, Gilo Pontecorvo, Manoel de Oliveira e Giusseppe Tornatore que o digam.

De volta às ciências

Voltando um pouco para as ciências sociais coube ao polonês Nicolau Copérnico prov ar matematicamente que a Terra gira em torno do Sol . No entanto, com o italiano Galileu Galilei, forçou-se (por imposição da Igreja Católica) a abjurar a teoria heliocêntrica do Universo , principiada por Ptolomeu, esse extraordinário astrônomo grego do século II. Com Demócrito vimos que a matéria é feita de pequeníssimas unidades invisíveis (átomos).

René Descartes , mais uma vez citado, iniciou a filosofia moderna (a idéia do racionalismo : “penso, logo existo”); co ube a Isaac Newton introduzi r o conceito de gravidade . C om o francês Bachelard aprendemos que “a verdade é filha da discussão” . C om esse mesmo pensador aprendemos que o homem tem “l e droit de rêver" ou seja, “o direito de sonhar” , até mesmo porque a vida é “pensada” nos sonhos, porém, é edificada no amor e nos respeito ao próximo, assim como nos disse Mohandas (o “Mahatma”, grande alma) Gandhi (o “apóstolo da Paz”) e Albert Schweitzer (médico e teólogo nascido na Alsácia, então parte do Império Alemão, ganhador do prêmio Nobel da Paz, em 1952 é certamente um dos homens mais ilustres da História), não causar dano a ninguém, não mentir, respeitar a vida.

Na continuidade desse rol de grandes pensadores sociais, se assim podemos defini-los, c om o italiano Pico della Mirandola, viemos a aprende r sobre o Humanismo renascentista, aquele que defende a liberdade do homem, que o torna um ser capaz de criar seu próprio projeto de vida .

Co m Blaise Pascal, (pela segunda vez citado) identificamos o misticismo : “o coração tem razões que a própria razão desconhece” ; com o grego Horácio, aprendemos a “aproveitar o dia” (“Carpe diem”).

Sigmund Freud nos legou o postulado psicanalítico. Com Auguste Comte, o positivismo; com Lamarck e Darwin, o evolucionismo. O professor Albert Einstein nos ofereceu a Relatividade. Leibniz contribuiu com a harmonia pré-estabelecida do Universo e, com Kepler, “descobrimos” as “Três Leis do Movimento Planetário”.

Depois de certo tempo, a evolução foi tão intensa e profícua que p assamos a medir até o frio e o calor . C om o holandês Gabriel Fahrenheit o ponto de ebulição foi marcado em 212 graus; com o sueco Anders Celsius, em 100 graus . Pelo brilhantismo de Samuel Morse conhecemos o telégrafo e com o italiano Marconi, a telegrafia sem fio.

Jacques Daguerre inventou o procedimento da fotografia e o industrial norte-americano Henry Ford construiu o primeiro automóvel. Tomás Alva Edson, depois de mil inventos, fez surgir à lâmpada incandescente e aperfeiçoou o telefone inventado por Graham Bell. Ao alemão Guttemberg coube desenvolver a moderna imprensa e ao brasileiro Alberto Santos Dummont, o primeiro avião, além do relógio de pulso. Já o francês Louis Braille, depois de ficar cego aos dois anos de idade, criou um sistema com apenas seis pontos em 63 diferentes combinações que hoje permite a leitura aos deficientes visuais.

Em nome de Deus

Sobre as “coisas de Deus”, temos em são Jerônimo o tradutor da Bíblia, do Hebraico para o Latim. C om o alemão Moses Hess aprendemos que “ a verdadeira teologia é o amor à Humanidade ”.

C om Carlos Grun, discípulo de Hess, aprendemos que “ a essência do cristianismo é o amor ”, matéria essa propagada há dois mil anos pelo Carpinteiro de Nazaré .

Com são Domingos de Gusmão fomos levados à Escolástica. Com santo Inácio de Loyola aprendemos a necessidade de unir a ciência e o Evangelho, na Companhia de Jesus (os jesuítas) e, com são Bento de Núrsia, temos a Ordem Beneditina cujo lema principal é “Busca tua paz e segue-a”.

Ainda na esfera da religião, herdamos d a cidade de Tarso, o apóstolo Paulo (antes, Saulo), denominado por muitos como “o segundo filho de Deus”.

Da Alemanha veio Martinho Lutero – pai espiritual da reforma protestante . V imos florescer os ideais de um João Huss (morto pelo Santo Ofício, pela Inquisição que teve no parvo espanhol Torquemada e no torpe florentino Savonarola seus executores mais ferrenhos para desespero de judeus, mouros e hereges).

Conhecemos um John Wicleef, teólogo inglês de grande valor . D a Itália vimos chegar à contribuição de Giordanno Bruno e sua teoria da cosmologia ; da França, Allan Kardec (ou Denizard Rivail) nos ensina a acreditar em vida após a morte e em novo renascimento (palingênese – reencarnação).

Confúcio, (ou K’ong Fu-tse) da China, foi o filósofo da brandura e Sidarta Gautama – O Buda (ou Sakyamuni), fundador do Budismo, nos ensinou a pensar na busca interior. Nesse rol de “iluminados” ainda temos Calvino e Zwingli. Com Guilherme Miller, presenciamos o Adventismo.

O pensamento anabatista, por sua vez, se deve a Menno Simonsz; e o pensamento conhecido por Testemunhas de Jeová, ao americano Charles Taze Russell; assim como os Mórmons devem sua existência a Joseph Smith.

Na escala dos religiosos encontramos ainda outros nomes: Lao-Tse, Mêncio (Meng-tseu), Moisés (judaísmo, com a “Tora”), Mahavira (jainismo), Motti, Dalai-Lama, Ramakrishma (krishianismo, com a leitura de “Bhagavad-Gita”), Kapila, Patanjali e Maomé (ou Mohamed) que transformou as tribos árabes, politeístas e dispersas, numa só nação monoteísta, abstêmia e devota.

Sobre um novo paradigma holístico de reflexão, temos o zen-budismo, taoísmo, candomblé, xamanismo e outros. Contrapondo-se a essas experiências, temos os místicos-cristãos como Thomaz Merton, mestre Eckhart (a mística neo-platônica), são Francisco de Assis (“o amigos dos lobos e dos pássaros); santo Antonio de Pádua (“o amigos dos peixes”); Fidel de Sigmaringá (“o advogado dos pobres”); o russo são Serafim de Sarov (“o amigo dos ursos”) e santa Tereza de Ávila. Acrescenta-se a eles são João da Cruz, Frei Bartolomé de las Casas (“o protetor dos índios”), Madre Tereza de Calcutá (“a mãe dos mais pobres”), Theillard de Chardim, Crisóstomo e Tertuliano e tantos outros espíritos de ação e atitudes nobilíssimos.

Muitos foram os que nos alertaram para “outras coisas da vida”, além dessas ligadas ao “espiritual” . Assim, temos no camponês Hesíodo o primeiro aedo ( poeta popular) a se queixa r da opressão dos humildes, da injustiça crescente e da supremacia dos ricos .

A voz e a vez das mulheres

Pela voz das mulheres, a primeira que reivindicou seus direitos foi Mary Wollstonecraft, a partir do lema “a mente não tem sexo”.

Juntem-se a ela outros nomes de importância ímpar na História: Hatshepsut, a primeira faraó de todos os tempos que levou prosperidade para o Antigo Egito. Como não mencionar Maria de Nazaré, Joana D’Arc, Marie-Olympe de Gouges e sua Déclaration des Droit de la Femme et de la Citoyenne.

Elizabeth Blacwell foi a primeira mulher a se formar em medicina. A também francesa Marie Curie foi quem pela primeira vez ganhou um prêmio Nobel (de Física, em 1903), além da austríaca Bertha Von Suttner, que foi laureada com o prêmio Nobel da Paz, em 1905. Valentina Tereshkova foi a primeira mulher cosmonauta a atingir o espaço.

A terra da Filosofia

N a Grécia , terra da Filosofia e berço da civilização ocidental, os estóicos – dentre eles, Sêneca, Marco Aurélio e Cícero - (doutrina filosófica fundada por Zenão que propõe viver de acordo com a lei racional da natureza) foram os primeiros que pregaram a igualdade e a fraternidade dos povos .

C om Cirilo (Patriarca de Alexandria décadas depois de Atanásio) vimos que as diferenças sociais foram criadas pela cobiça dos homens; com o ex-sapateiro Thomas Spencer temos o primeiro partidário teórico da reforma agrária.

Outros nobres espíritos nos legaram o exemplo da luta (a ação propriamente dita em prol de um mundo melhor) , da perseverança, da transformação de sonhos em realidade.

Dessa forma , o sentimento de Igualdade, Fraternidade e Liberdade – lema esse pronunciado pela primeira vez por Jean Nicolas Pache -, foi buscad o pelo brio de jovens revolucionários da estirpe de Jean Paul Marat, Jacques Hébret, Antoine Saint-Just, Georges Danton, Maximilien Robespierre, Camille Desmoulins, Louis Legendre , embora o “Terror” tenha se instalado após a conquista revolucionária.

Alguns se dedicaram ao “descobrimento” de novos mundos, após “rasgarem” oceanos desconhecidos. Assim, em busca de “aventuras”, os fenícios, os gregos e os cartagineses talvez tenham sido os primeiros grandes navegadores. Os fenícios seguindo ordens do rei Nechau (604 a C), fato esse narrado por Herótodo.

Os cartagineses, no ano 500 a C, comandados por Himilcon e Hannon, e finalmente, os gregos, com Nearco, seguindo ordens do macedônico Alexandre, O Grande que, quando menino, foi tutorado por ninguém menos do que Sócrates do qual o conhecemos não pelos seus escritos, pois, a exemplo do Mestre Jesus, este nada deixou, mas pelos textos de Platão e Xenofontes.

Os grandes navegadores

Foi Cristóvão Colombo, um judeu converso, financiado por Fernando de Aragão e Isabel de Castela, partindo do Porto de Pablo (Espanha), em agosto de 1492, que “descobriu” a América, encontrando primeiro o arquipélago das Bahamas e depois, Cuba e Haiti. No entanto, foi Américo Vespúcio que “emprestou” seu nome ao Novo Mundo, marcado no mapa, pela primeira vez, pelo cosmógrafo Waldsmuller.

Pelo lado de nossos irmãos portugueses as “glórias” com as grandes navegações começam com o Infante D. Henrique, apoiado pelo pai, D. João I e, através da escola de Sagres, quando eles começam a “explorar o novo mundo”. Assim, Gil Eanes, em 1434, dobra o cabo Bojador; Denis Dias, em 1445, atinge Cabo Verde e Senegal; Diogo Cão, em 1483 atinge o Zaire; Bartolomeu Dias, em 1488 ultrapassa o extremo austral da África; Vasco da Gama, em 1498, descobre o caminho marítimo para as Índias, desembarcando em Calicute.

Pedro Álvares Cabral, com o apoio irrestrito do rei Manuel I, (O Venturoso), deixa Lisboa em 9 de março e atinge o Brasil, em 22 de abril de 1500; embora os espanhóis Vicente Yanez Pinzon que havia comandado a caravela Nina, na Primeira Armada de Colombo que descobriu a América, e seu primo Diego de Lepe, tenham “desembarcado” nas costas do Brasil (onde hoje fica o Estado de Ceará) em janeiro de 1500. Mesmo antes desse evento, alguns historiadores afirmam que João Coelho da Porta Cruz e Duarte Pacheco Pereira, em 1493 e 1498, respectivamente, teriam estado no Brasil.

Ainda nesse rol de navegadores Fernão de Magalhães faz a circunavegação do Planeta Terra entre 1519 e 1522. Já o veneziano Marco Pólo chega à China no século XIII; depois dele vem o inglês Mandwille.

Na Austrália, foi o capitão James Cook, em 1770, o primeiro a chegar, embora muitos afirmam serem os portugueses Cristóvão de Mendonça, em 1522, e Gomes de Sequeira, em 1525, os que primeiro visitaram esse lugar.

No entanto, uma nova versão de que os chineses, ainda em 1421, tenham “descoberto o mundo” parece ganhar adeptos a cada dia. Zheng He teria sido o grande descobridor por parte dos asiáticos.

Mas as “aventuras” não param por aí. Ponce de Leon buscou a milagrosa “fonte da juventude” e descobriu, provavelmente num Domingo de Ramos, a Flórida. O espanhol Cabeza de Vaca “descobriu” as Cataratas do Iguaçu e Vasco Balboa desejou encontrar o Eldorado.

Os exploradores

Nas explorações por terra, Cortez após derrotar o imperador Montezuma, conquista o México, e Pizarro, depois de derrotar Atahualpa, conquista o Peru.

Coube a Pero de Mendoza inaugurar a cidade de Buenos Aires, e a Valdívia, a cidade de Santiago (Chile); enquanto os jesuítas Nóbrega e Anchieta fundaram a cidade de São Paulo.

Bernardo O’Higgins liberta o Chile; José de San Martín, a Argentina; Antonio José de Sucre, a Bolívia; Nunez de Cárceres, a República Dominicana; Lavalleja e os 33 Orientais proclamam a Independência do Uruguai. Pedro de Alvarado foi o primeiro a chegar a El Salvador.

No Panamá coube a Rodrigo de Bastidas. Os padres Miguel Hidalgo e Jose Maria Morellos proclamaram a Independência do México; enquanto Céspedes a promoveu em Cuba. Gaspar de Francia governou, pela primeira vez, o Paraguai. Mas foi um filho da aristocracia, de origem basca, chamado Simon José Antonio de la Santísima Trinidad Bolívar Palácios y Blanco, ou simplesmente, Simon Bolívar (“El Libertador”) quem livrou a América da opressão.

A luta pela liberdade continua

Muitos nos ensinaram a luta pela liberdade , assim como a busca pela “Terra prometida”, exemplificado com o povo judeu que, pelas mãos de Moisés, atravessaram por 40 anos o deserto.

Dessas lutas pela liberdade, fomos aprender com Spártacus (gladiador de origem trácia, na Roma Antiga e com seus seis mil companheiros que acabaram crucificados na estrada da Via Ápia, por ordem do torpe Marco Crasso) o real significado do termo liberdade. Ainda pelo lado da luta de escravos contra a opressão e a tirania vil, destacam-se os nomes de Nat Turner (que encabeçou a primeira rebelião de escravos na Virgínia, EUA); Ganga Zamba e Zumbi (tio e sobrinho, respectivamente, no Quilombo dos Palmares); François Dominique Louverture e Jean-Jacques Dessalines (heróis da libertação do Haiti).

O grito contra a opressão política

Outros nobres espíritos deram o “grito de liberdade” contra a opressão política imposta pela força do dinheiro e do poder. Exemplos dessa luta são os casos de Zapata e Pancho Villa, na Revolução Mexicana. Lênin e os bolcheviques, na Revolução Russa.

César Sandino lutou por uma República Dominicana livre da ingerência norte-americana. Che Guevara lutou pela Revolução Cubana; Farabundo Martí atuou em El Salvador e o líder indígena Tupac Amaru (ou Jose Gabriel Condorcanqui) esbravejou contra a elite dominante que massacrava os índigenas.

Um dos marcos da liberdade até hoje com certeza é a “Sociedade dos Filhos da Liberdade”, criada por Adams e Dickinson, em Boston, em 1773.

O Subcomandante Marcos – um dos líderes dos indígenas mexicanos do Estado de Chiapas – é a voz que se faz proclamar na atualidade.

No passado não muito distante, coube ao líder Ahmed Ben Bella, lutar pela independência da Argélia, enquanto Patrice Lumumba lutava pela independência do Congo e Amílcar Cabral, pela independência de Guiné-Bissau.

Do lado “teórico-intelectual” coube a alguns nobres espíritos “sonhar” em construir uma sociedade perfeita. Nesse pormenor temos os nomes de Thomas Morus (Utopia), Tomaso Campanella (A Cidade do Sol) e James Hilton (Xangri-lá), além dos religiosos ligados a Teologia da Libertação (Gustavo Gutierrez, Leonardo Boff, Pedro Casaldáliga).

Muitos foram os que pagaram com a vida ao lutar por um mundo mais justo. Nosso Frei Caneca foi um deles. Oscar Romero, bispo de El Salvador assassinado por forças imperialistas, é outro exemplo disso.

Camilo Torres, teólogo colombiano que aderiu a guerrilha urbana, e o francês François Babeuf desejaram não apenas igualdade de direito perante a lei, mas igualdade de vida com a “Conjugação dos Iguais”, desse último.

O brasileiro Felipe dos Santos que na Revolta de Vila Rica foi punido com a morte por meio de uma argola de ferro a lhe apertar o pescoço e Steven Biko, líder sul-africano, assim como também o sul-africano Nelson Mandela, sabem bem o que significa lutar pela liberdade.

Outros lutaram pela igualdade não de oportunidades, mas igualdade pela cor da pele, como foi o caso do poeta negro mais popular da América Latina, Aime Cesaire, criador do termo “negritude” ao lado do guianense Leon-Gontran e do senegalês Léopold Sedar Senghor, que por quatro vezes foi presidente da República do Senegal.

Outro iluminado nesse aspecto foi o reverendo da igreja Batista Martin Luther King, brutalmente assassinado em abril de 1968.

Willian Henry Hastie foi um dos protagonistas da luta pelos direitos civis nos EUA e o primeiro negro a governar as Ilhas Virgens dos EUA.

A esses nomes acrescentamos os brasileiros Francisco José do Nascimento, conhecido como “Dragão do Mar” por impedir através do porto de Fortaleza o embarque de escravos; João Cândido, o “Almirante Negro”, líder da Revolta da Chibata, contra castigos físicos impostos aos marinheiros e José do Patrocínio, o “Patrono da Abolição”.

O outro lado da moeda: os nomes da infâmia

No entanto, infelizmente, nem só de espíritos nobres e dignos a Humanidade foi contemplada ao longo dos tempos. Além dos já citados inquisidores Torquemada e Savanorola e dos conquistadores-exterminadores Pizarro e Cortez, somam-se outros nomes que levantaram a bandeira da infâmia, da atitude torpe e do sofrimento sem fim. Nomes que hoje somente fazem lotar o lixo mais fétido e podre da história não raras vezes regada a sangue, dor e sofrimento; de uma história que bem poderia ser a história do mal e da perversidade.

Nomes que conduziram o destino de muitos povos quer estejam “vestidos” na figura de caudilhos, imperadors, ditadores, kaiser, duce, fuher, czar, tzar ou mesmo chefe militar, dentre eles: Herodes, Pilatos, Caifás, Anás, Átila, Nero, Calígula, Gengis Khan, Sargão, Xerxes, Hamurábi, Tertuliano (chefe da guarda pretoriana do imperador Calígula, um dos guardas mais perversos da história). A eles somam-se os nomes de Ivan, Pedro e Catarina (da Rússia), de Frederico Barba-Roxa (Sacro Império Romano-Germânico) e Landulfo II, de Cápua, o terrível tirano siciliano do século IX.

Remoendo ainda o baú fétido da história de sangue e dor, encontram-se os conquistadores espanhóis Alvarado, Orellano, Narvaez e Almagro, além do ditador austríaco Engelbert Dollfuss.

Num tempo mais próximo dos dias de hoje, surgem os nomes de Napoleão Bonaparte, o Fuher, Adolf Hitler e toda a alta cúpula nazista; o camarada Joseph Stálin e todos os altos membros do partido único soviético, além do Duce Benito Mussolini; do professor português Oliveira Salazar; de Mao Zedong e toda a “camarilha dos quatro”, na China comunista.

Francisco Franco e os falanguistas, Pol-Pot e toda a cúpula que sustentou o Khmer Vermelho, os ditadores latino-americanos Rafael Leônidas Trujillo (República Dominicana), Mariano Melgarejo (Bolívia), os argentinos Jorge Videla, Leopoldo Galtieri, Quiroga, os paraguaios Gaspar de Francia (“El Supremo”) e Alfredo Stroesnner, Augusto Pinochet e a corja que habitou o Palácio La Moneda, no Chile, vão engrossar o rol dos canalhas ditadores.

Pelo lado da África vamos encontrar Idi Amin Dada (Uganda), Mobutu Sesse Seko (Congo), Hailé Selassie (Etiópia) e Bedel Bokassa (República Centro Africana).

Não escapam da lista dos piores os nomes de Ferdinand Marcos e os que com ele assaltaram os cofres públicos das Filipinas. Igual assalto aos cofres públicos foi praticado por Nicolai Ceascescu (Romênia), Slobodan Milosevic (Iugoslávia), Joseph Broz (Tito), também na Iugoslávia

Na Coréia do Norte a figura desprestigiosa é Kim Jongil Il. François Duvalier (Papa Doc) e seu filho Jean-Claude Duvalier (Baby Doc) entraram de forma suja na história do Haiti.

A família Somoza por mais de 40 anos assaltou os cofres da Nicarágua, e Enver Hoxka o fez igualmente (embora em menos tempo) na Hungria; enquanto Saddam Hussein e seus filhos espalharam o terror e o assalto aos cofres públicos no Iraque.

Para finalizar, cabe registrar aqui as sábias palavras do ensaísta e poeta equatoriano Eduardo Mora-Anda, ao final de sua obra História dos Ideais quando afirma que “ao longo da história estende-se um imenso rastro de dores, crimes, de absurdos, de traições e de mesquinhez, mas também assomam, como faróis ou estrelas, os grandes profetas, médicos e pesquisadores, os grandes criadores que têm libertado e enaltecido o ser humano, numa sucessão de florações que é como uma viagem à essência e à vida perfeita”.

Por tudo isso, deve-se dar loas à liberdade e, principalmente, aos que por ela lutaram, até porque somos sabedores de que em nome dessa liberdade muitos morreram, além do que muitos e muitos crimes foram cometidos, como certa feita afirmou Mme. Roland, guilhotinada pela Revolução Francesa: “Liberdade, liberdade, quantos crimes se cometem em seu nome!”.

Por tudo isso gritamos: Viva a Liberdade do Homem!

Marcus Eduardo de Oliveira é economista e professor universitário.

Mestre pela USP em Integração da América Latina e Especialista em Política Internacional

Autor do livro “Conversando sobre Economia” ed. Alínea

e “Provocações Econômicas” (no prelo).

Contato com o autor: prof.marcuseduardo@bol.com.br