Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey

Economia do Turismo - uma perspectiva macroeconômica

Base: 2000/2005

As Atividades Características de Turismo (ACT) geraram, em 2005, um valor adicionado 1 de R$ 131,6 bilhões, que representa um crescimento de 16,26% em relação ao ano anterior. Formadas principalmente por atividades prestadoras de serviços, as ACT contribuíram com 11% no valor adicionado total do setor de Serviços, enquanto no total da economia a parcela foi de 7,15%l. Em conjunto, as ACT foram responsáveis por R$ 134,9 bilhões de bens e serviços consumidos na economia do país e geraram 8.112.888 postos de trabalho, ou 15,10% das 53.730.274 vagas criadas pelo segmento de serviços. Entre os segmentos, a atividade de transporte rodoviário se destacou entre as ACT (41,85% de participação e V.A. de R$ 55,1 bilhões), seguida dos serviços de alimentação (19,53% de participação e V.A. de R$ 25,8bilhões); atividades auxiliares de transporte (11,0% de participação e V.A. de R$ 14,5bilhões); e atividades recreativas, culturais e desportivas (10,03% de participação e V.A. de R$ 13,2 bilhões).

Estas são algumas informações do estudo “Economia do turismo: uma perspectiva macroeconômica 2000-2005”, realizado pelo IBGE, em parceria com o Ministério do Turismo e o Instituto Brasileiro de Turismo – EMBRATUR. O estudo, que tem como fonte o Sistema de Contas Nacionais – SCN, permite ainda a construção de agregados macroeconômicos das atividades características do turismo, de sua estrutura e dos principais indicadores . A seguir, as principais informações:

A diversidade de segmentos que formam as ACT também pode ser observada na relação consumo intermediário com valor da produção (CI/VP). O consumo intermediário é o valor dos bens e serviços consumidos como insumos num processo de produção. O setor com a maior relação CI/VP foi o transporte aéreo (0,72), seguido dos transportes ferroviário e metroviário (0,60) e aquaviário (0,60). Mereceram destaque também os serviços de alimentação, com relação CI/VP (0,59) superior à média das ACT (0,51). Isso porque, apesar de possuírem uma estrutura menos complexa do que os outros segmentos, precisam de um grande número de bens e serviços em seu processo de produção.

De forma intermediária, as ACT consumiram, em conjunto, R$ 134,9 bilhões de bens e serviços na economia brasileira. A indústria respondeu pela maior parte desse consumo (69,43% ou R$ 93,6 bilhões), seguida dos setores de serviços (29,36% ou R$ 39,5 bilhões) e agropecuário (1,22% ou R$ 1,6 bilhões).

Consumo intermediário cresceu em todos os segmentos

A participação dos setores industrial e de serviços na estrutura de consumo intermediário do transporte aéreo foi de, respectivamente, 64,90% (R$ 8,9 bilhões) e 35,10% (R$ 4, 8 bilhões). Entre as atividades que se destacaram foram: o refino de petróleo, com R$ 6, 9 bilhões no setor industrial e os serviços auxiliares dos transportes, com R$ 1,9 bilhões no setor de serviços. Por falar em setor de serviços, ele respondeu por mais da metade (69,22%) do consumo intermediário observado na atividade de transporte aquaviário, com R$ 3,9 bilhões. Em segundo lugar neste segmento ficou a indústria, que respondeu por 30,78% ou R$ 1,7 bilhões. O setor industrial também representou 56,04% do consumo intermediário registrado no setor de transporte ferroviário e metroviário, com um total de R$ 2,4 bilhões. Em seguida vieram os serviços, com 43,96% ou R$ 1,8 bilhões.

Nos setores industrial e de serviços, se destacaram, respectivamente, as atividades de refino de petróleo (R$ 1,3 bilhões) e serviços auxiliares dos transportes (R$ 576 milhões). No transporte rodoviário, o consumo intermediário se distribuiu entre os setores industrial (71,98% ou R$ 36,0 bilhões) e de serviços (28,02% ou R$ 14,0 bilhões). Os destaques foram as atividades de refino de petróleo, com R$ 24,0 bilhões na indústria, e os serviços auxiliares dos transportes, com R$ 4,4 bilhões no setor de serviços. Nos serviços auxiliares dos transportes o consumo intermediário também se distribuiu entre os setores industrial e de serviços, com participações de, respectivamente, 46,83% (R$ 5,2 bilhões) e 53,17% (R$ 5,9 bilhões). Na indústria, o destaque foi para a fabricação de peças e acessórios para veículos automotores (R$ 1,5 bilhões), enquanto no setor de serviços o melhor resultado coube aos serviços auxiliares dos transportes (R$ 947 milhões).

Em serviços, o destaque foi para aluguel de imóveis (R$ 169 milhões), enquanto no setor agropecuário o consumo intermediário foi maior em cultivo de outros produtos da lavoura temporária, horticultura, viveiros e serviços relacionados, com a maior contribuição (R$ 39 milhões). Também foi observada a participação dos três setores da economia na estrutura do consumo intermediário dos serviços de alimentação. O industrial e o de serviços registraram, respectivamente, participações de 90,19% (R$ 32,9 bilhões) e 5,56% (R$ 2,0 bilhões). A agropecuária atingiu 4,25% de participação (R$ 1,5 bilhões). No setor industrial e no de serviços, as participações mais expressivas ocorreram na fabricação de bebidas (R$ 22,3 bilhões) e no aluguel de imóveis (R$ 684 milhões), respectivamente. Já na agropecuária, o cultivo de outros produtos da lavoura temporária, horticultura, viveiros e serviços relacionados atingiu R$ 730 milhões. O setor industrial respondeu por 24,03% (R$ 389 milhões) doconsumo intermediário observado na atividade de agências e organizadores de viagens, enquanto o de serviços atingiu 75,97% (R$ 1,2 bilhões) do total. Nestes setores os destaques foram os segmentos de reprodução de materiais gravados (R$ 94 milhões) e transporte aéreo (R$ 306 milhões). O consumo intermediário no segmento de aluguel de móveis ficou distribuído entre a indústria (52,47% ou R$ 1,5 bilhões) e serviços (47,53% ou R$ 1,3 bilhões). As participações mais expressivas nos dois setores ficaram por conta das atividades de refino de petróleo, com R$ 229 milhões, e serviços de manutenção e reparação de veículos automotores (R$ 226 milhões).

Atividades de turismo geraram 8,1 milhões de postos de trabalho em 2005

Em 2005, as ACT geraram 8.112.888 postos de trabalho, representando 15,10% do total das 53.730.274 vagas criadas pelo setor de serviços. Em relação à economia como um todo, as ACT responderam por 8,92%. Quanto ao número de ocupações, os serviços de alimentação destacaram-se entre as ACT, com 37,79% de participação, o equivalente a 3.066.084 postos de trabalho. O segmento de transporte rodoviário também obteve participação expressiva (36,16%) com 2.933.868 vagas criadas. As atividades recreativas, culturais e desportivas participaram com 11,02%, o equivalente a 894.047 postos. Dos postos de trabalho criados pelas ACT, constatou-se que pouco mais que a metade (59,23% ou 4.804.879 postos) referia-se a ocupações sem vínculo formal de trabalho. Entre elas, verificou-se que 1.594.728 eram ocupadas por trabalhadores sem carteira de trabalho assinada, e 3.210.151 trabalhadores eram autônomos. Já as ocupações com vínculo formal representaram 40,77% do total (3.308.009 ocupações). O setor de transporte rodoviário contou com o maior número de postos de trabalho enquadrados nesta categoria (1.138.091 ou 34,40% do total). Em seguida vieram os serviços de alimentação, que responderam por 31,27% ou R$ 1.034.091 vagas, enquanto as atividades recreativas, culturais e desportivas ocuparam 308.987 postos (9,34%).

Na comparação 2000/2005, o ano de maior variação no número de postos de trabalho foi 2001, com 4,42%, num total de 7.521.474 postos de trabalho. Este resultado foi, inclusive, superior ao do conjunto da economia brasileira que apresentou crescimento de 0,72% no número de vagas de trabalho.

Os serviços de transporte rodoviário foram os que mais contribuíram para o aumento dos postos de trabalho das ACT. Entre 2000 e 2005, o crescimento foi de 12,7%, passando de 2.561.069 para 2.933.868, um acréscimo de 372.799 postos de trabalhos. Percentualmente, os demais acréscimos foram de serviços auxiliares de transportes (26,3%); transporte aquaviário (20,3%); atividades de agências e organizadores de viagens (17,3%); serviços de locação de bens móveis (15,1%); transporte ferroviário (9,3%); serviços de alojamento (8,8%); serviços de alimentação (8,5%); e atividades recreativas, culturais e desportivas (8,1%).Entre 2000 e 2005, o transporte aéreo apresentou a maior queda no número de postos de trabalho: – 8,0% (de 39.909 para 36.966). Em 2002, a variação chegou a -11,15% (de 42.579 para 37.830).

Em 2005, atividades de Turismo pagaram R$ 44,4 bilhões em salários

Em relação ao total dos rendimentos, as ACT pagaram um montante de R$ 52,9 bilhões, o correspondente a 8,84% da quantia paga pelo setor de serviços e 6,14% do total desembolsado pela economia brasileira em 2005. Desse total, R$ 44,4 bilhões foram pagos sob forma de salários e ordenados (83,89%), que representaram 9,26% do total de salários e ordenados pagos no setor de serviços e 6,51% do total desembolsado pelo conjunto da economia naquele ano. Os salários e ordenados referentes às ocupações com vínculo formal representaram 81,60% do total de salários e ordenados pagos, atingindo R$ 36,2 bilhões. Em relação ao total do Setor de serviços, esse montante representou 8,65% do total pago em salários e ordenados nas ocupações com vínculo formal e na comparação com o total da economia 6,13%. Dos segmentos pertencentes às ACT, o transporte rodoviário foi o que apresentou a maior participação nos rendimentos pagos em 2005, com R$ 20,4 bilhões ou 38,68% do total. Em seguida vieram os serviços de alimentação (17,70% ou R$ 9,3 bilhões) e os serviços auxiliares dos transportes (13,41% ou R$ 7,0 bilhões).

Nos cinco anos pesquisados, em relação a massa de rendimentos pagos pelas ACT, o ano de destaque foi 2003, totalizando R$ 40,7 bilhões, um crescimento, a preços correntes, de 15,89% superior aos 14,17% observados para a economia nacional. A participação do total de rendimentos pagos pelas ACT foi de 6,06% contra 5,97% de 2002. Os segmentos que mais contribuíram para este comportamento foram: transporte rodoviário com variação de 15,14% (de R$ 14,3 bilhões, em 2002, para R$ 16,5 bilhões, em 2003), os serviços de alimentação com taxa de 22,32% (de R$ 7,3 bilhões, em 2002, para R$ 8,9 bilhões, em 2003), e os serviços auxiliares dos transportes com taxa de 19,42% (de R$ 3,9 bilhões, em 2002, para R$ 4,6 bilhões, em 2003).

Em 2005, ACT produziram R$ 131,7 bilhões de valor adicionado

Em 2005, o V.A. a preços correntes produzido pelas ACT foi de R$ 131,7 bilhões, um crescimento de 16,26% frente a 2004. O resultado ficou acima do registrado para o V.A. na economia brasileira (10,56%) no entre 2004 e 2005. Com isso, aparticipação do conjunto das ACT no V.A. gerado pela economia brasileira subiu 7,15%. Neste período, o V.A. de todas as atividades econômicas cresceu, à exceção do transporte aéreo, com redução de 0,10%. Os segmentos que mais influenciaram o resultado alcançado pelas ACT foram: transporte rodoviário, crescimento de 20,13% no V.A. (R$ 45,9 bilhões, em 2004, para R$ 55,1 bilhões em 2005), serviços de alimentação variação de 11,18% (de R$ 23,1 bilhões, em 2004, para R$ 25,7 bilhões, em 2005, serviços auxiliares dos transportes crescimento de 16,37% (de R$ 12,4 bilhões, em 2004, para R$ 14,4 bilhões, em 2005) e atividades recreativas, culturais e desportivas com variação de 12,78% (de R$ 11,7 bilhões, em 2004, para R$ 13,2 bilhões, em 2005).

Consumo de produtos característicos do turismo perde participação entre 2000 e 2005

As famílias residentes no país, consumiram, a preços de mercado, nos anos de 2000 e 2005, R$ 88,4 e 142,4 bilhões em produtos característicos do turismo 2 produzidos pelas ACT, respectivamente. Esses montantes, corresponderam a 11,91% e 11,26% do total despendido em consumo pelas famílias residentes no país (R$ 742,8 bilhões e R$ 1,2 trilhão). O aumento do consumo com queda no percentual de participação na economia deu-se pelo fato de que, para os produtos consumidos nas demais áreas, o consumo foi maior do que o observado nos produtos característicos de turismo. Neste período, o aumento foi de 61,1% nos total despendido em consumo pelas famílias nas ACT, a preços de mercado. Este aumento é devido, entre outros fatores, ao crescimento do setor de turismo que propiciou o surgimento de novas empresas, ao aumento da renda geral da população brasileira e a variações nos preços destes produtos.

A maior variação foi para o setor de atividades de agências e organizadores de viagens (259,7%), passando de 580 milhões para 1 bilhão de reais. Os serviços de transportes aquaviário passaram de 311 para 958 milhões de reais (208%); os de transportes aéreo de 2,5 para 6,7 bilhões (163,8%); os transporte ferroviário de 747 milhões para 1,5 bilhão (106,3%); serviços auxiliares de transporte de 2,7 para 4,8 bilhões (80,4%); transporte rodoviário de 28,1 para 46,3 bilhões (64,5%); locação de bens móveis de 291 para 465 milhões (59,7%); serviços de alimentação de 38 para 58,2 bilhões de reais (53,1%) e serviços de alojamento de 4 para 4,6 bilhões de reais (14,7%).

Notas:

1Valor que a atividade agrega aos bens e serviços consumidos no seu processo produtivo, obtido pela diferença entre o valor de produção e o consumo intermediário absorvido por essas atividades.

2Os produtos característicos do turismo, na maioria dos países, são aqueles que deixariam de existir em quantidade significativa ou para os quais o nível de consumo estaria sensivelmente diminuído em caso de ausência de visitantes, como nos serviços de transporte aéreo.

– Fonte IBGE

Ricardo Bergamini

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