Constância: onde a ciência e a natureza se encontram

Constância: onde a ciência e a natureza se encontram

Falar de Constância como «Vila Poema» é algo que toda a gente reconhece. O que os mais distraídos talvez não saibam é que esta vila ribatejana tem vindo a apostar no turismo científico e de natureza, onde não faltam um observatório astronómico e um borboletário tropical.

Júlia Amorim, presidente da Câmara Municipal de Constância, onde o Zêzere encontra o Tejo, esclarece que data do início dos anos 90 a estratégia de desenvolvimento do município, alicerçada em três áreas fundamentais: cultura, ciência e ambiente. A presidente revela que, «por fazerem tanto sentido actualmente», o que está consagrado no documento, em termos de caminho a seguir, mantém-se no essencial.

«O Centro Ciência Viva, o Parque Ambiental de Santa Margarida (PASM) e mais recentemente o Borboletário Tropical vieram comprovar a nossa aposta como uma mais-valia para o concelho e para a região», diz.

Nesta missão de desenvolver o território e criar condições para os munícipes, o ano de 1995 foi um marco importante. Foi a partir da Astrofesta, realizada nesse ano, que se deram os vários passos até chegar ao Observatório Astronómico e da Natureza. Integrado na rede de Centros Ciência Viva, o Centro Ciência Viva de Constância - Parque de Astronomia proporciona uma série de iniciativas a pensar, sobretudo, nos mais novos e em parceria com as escolas.

 

«VILA POEMA»

Constância, no distrito de Santarém, é reconhecida como «Vila Poema» graças às ligações com os poetas Alexandre O'Neill, Vasco de Lima Couto e Luís de Camões.

«Existe um plano de actividades específico para grupos escolares, onde os temas e conteúdos são trabalhados de acordo com os currículos de cada ano de ensino, existindo actividades para todos os níveis de ensino», elucida a presidente.

Tanto o PASM como o Borboletário Tropical recebem grupos escolares de todo o País. Para as escolas do concelho, revela que «são realizadas actividades específicas tendo em conta os projectos onde estão envolvidas, como por exemplo o Ecoescolas».

Como voam os aviões?

Mas o que se pode ver a partir deste parque de astronomia? Começamos pelo exterior onde está situado um parque com oito módulos: a Galáxia, o Sistema Solar, os carrosséis de Saturno e de Júpiter, o Carrossel Sol-Terra-Lua, o Relógio de Sol Analemático, a Esfera Celeste e o Globo Terrestre.

Aos apreciadores do céu nocturno, o planetário oferece um conjunto de experiências onde, para além da simulação do céu real, se mostram desenhos de constelações vistas em tempos idos. São possíveis observações nocturnas à vista desarmada, com binóculos e telescópios, e existe também um observatório solar.

Como voam os aviões? É uma dúvida a esclarecer na exposição «Física do Voo - Avião a Jacto T33». Aqui se encontra um avião a jacto (Lockeed T33) cedido pela Força Aérea Portuguesa. Mas, para responder à pergunta, a mostra explora os elementos responsáveis pelo movimento do avião e as forças envolvidas no voo, ou seja, o impulso, a resistência do ar, a sustentação e o peso.

Aliando aprendizagem e ludicidade, os visitantes têm ainda a possibilidade de experimentarem a sensação de rodar num giroscópio humano. O objectivo deste equipamento criado pela NASA é o de treinar pilotos e astronautas em situações de descontrolo da nave.


CIÊNCIA VIVA DE CONSTÂNCIA

§  O Centro Ciência Viva de Constância recebe uma média de 20 mil visitantes por ano, 80% do total são grupos escolares.

«Com uma parte considerável dos equipamentos instalados ao ar livre, num ambiente de intensa arborização, o convívio com a ciência proporciona, simultaneamente, um pleno contacto com a natureza», salienta Júlia Amorim.

Conhecer o mundo das borboletas

Numa zona rural da freguesia de Santa Margarida da Coutada, abriu em 2002 o PASM. Aqui, o contacto com a natureza é um imperativo. Para os amantes de actividades ao ar livre, o parque oferece um ginásio, um parque infantil e um campo de jogos. A nível didáctico, existem, entre outros, o jardim de plantas aromáticas e medicinais, uma torre de observação e a ecoteca, que agrega, entre outros, um centro de documentação ambiental, o posto de leitura da Biblioteca Municipal, exposições e um laboratório.

Do ponto de vista das actividades disponibilizadas aos visitantes, o parque integra circuitos ambientais com equipamentos pedagógicos relacionados com quatro elementos: ar, terra, água e energia; actividades específicas para escolas; passeios pedestres interpretativos; e, entre outras, visitas guiadas ao «equipamento estrela» desta parque: o Borboletário Tropical.

Criado para dar a conhecer o mundo das borboletas, abriu ao público em Junho de 2013, e contribui para o conhecimento da biologia e ecologia destes insectos, servindo ainda como modelo para compreender a importância da conservação da diversidade de seres vivos.

No Borboletário Tropical do PASM podem ser observadas diversas espécies de borboletas. Algumas de dimensões consideráveis  Créditos/ AbrilAbril

«Entrar no borboletário é ter a sensação que, de repente, os trópicos vieram de visita ao Parque Ambiental para nos pôr diante dos olhos um mundo de maravilha», descreve a presidente. Para que seja possível manter borboletas tropicais vivas durante todo o ano, no interior do borboletário o tempo está sempre quente e húmido, criando assim um ambiente exótico.

Júlia Amorim frisa que este equipamento representa «um universo especial», não apenas para alunos e professores das escolas, mas também para cientistas, turistas e famílias, com ou sem crianças.

A entrada no PASM é gratuita. No borboletário, os preços são simbólicos mas variam de acordo com a idade dos visitantes. Crianças entre os três e os cinco anos de idade pagam 1,50€, dos seis aos 11 anos a entrada custa 2€, sobe 50 cêntimos dos 12 aos 65 anos de idade, mas para os maiores de 65 anos custa apenas 1,50€.  

Nas actividades do parque ambiental e no borboletário, mas também no Centro Ciência Viva de Constância, é realizado um desconto de 20% para grupos com 12 ou mais elementos que reservem com pelo menos 48 horas de antecedência.

A estratégia de identificar recursos turísticos

A presidente da Câmara de Constância realça o «potencial turístico fantástico» nas áreas da cultura, do património edificado, do turismo activo e da natureza, potenciado pelos equipamentos referidos atrás, e que resultaram do investimento do município, mas também pela requalificação da zona ribeirinha do Tejo e do Zêzere.

Num território de baixa densidade populacional, Júlia Amorim afirma, convicta, que a aposta do município nestas áreas fomentou a procura turística. «A qualidade das nossas infra-estruturas tem claramente uma visibilidade nacional, prova disso são os milhares de visitantes que passam por estes equipamentos e pela vila durante todo o ano», conclui.

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Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey