Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey

Climagate - a grande fraude científica

Ponta Delgada, 13 de Dezembro de 2009

O dogma de que o mundo da ciência é impoluto, caiu por terra. O cientista é um homem como qualquer outro. Tem virtudes e defeitos. Tem também ambições, nomeadamente destacar-se entre seus pares pelos seus trabalhos académicos. Numa sociedade onde os valores éticos e morais cedem cada vez mais espaço ao laxismo em nome do vil metal, até mesmo a Deontologia Científica pode fazer um favor a políticos sem escrupulos que trabalham para os grandes interesses Internacionais. Pois é e foi o caso.

Nas vésperas da Cimeira de Copenhaga, estoirou o escândalo daquilo que cientistas honestos já haviam alertado, que os resultados eram manipulados. Alguém do IPCC resolveu adulterar os dados de modo a que a curva do gráfico das temperaturas desde há mil anos registasse em 2000 uma subida repentina e inusitada de calor a que chamaram de “hockeystik”, devido à forma de um “stik” de hóquei de gelo. Esse alguém, autor da esticada climática, que obviamente não actuou sozinho, foi nada menos, nada mais que o responsável pelo banco de dados, o CRU (Climate Reserch Unit), Phill Jones, da Universidade de East Anglia e Hadley Centre, do Reino Unido. Tal expediente informático foi até agora o mote para o Marketing do Pânico do pseudo “Aquecimento Global”.

Há muito que cientistas dissidentes do IPCC vinham denunciando a adulteração de dados, eles próprios vítimas dessa manobra. Entre estes conta-se Richard S. Lindzen, um Cientista de renome no Mundo Académico e Professor de Meteorologia do MIT. Liderou o Capítulo Científico do 3º. Relatório de Avaliação do IPCC, em 2001, após o que demitiu-se ao ter tido conhecimento de alterações efectuadas ao seu trabalho sem a sua autorização. Tais cientistas são depois preteridos nos financiamentos e remetidos ao ostracismo nos meios que lideram o “Negócio do Clima”. Só este facto deveria colocar o cidadão comum em estado de alerta… e aquela organização da ONU sob suspeita.

O método de projecção de dados que permite concluir uma elevação do nível dos mares de alguns metros daqui a um século, por efeito do “Aquecimento Global” do IPCC, tem também suscitado reservas por cientistas consagrados. E quanto a nós, boas razões tem. Os programas de projecção de dados que operam nos computadores de apoio aos cientistas são instrumentos de trabalho neutros, ou seja, os resultados dependem dos números introduzidos, pelo que estes podem ser manipulados num sentido ou noutro. Se o perfil de dados climatéricos despreza por exemplo a História Natural do Planeta, só considera as temperaturas e despreza outras variáveis do clima, obviamente que o resultado é pouco fiável. Alan N. Ditchfield, no seu artigo “A mudança Climática – I”, diz a dado passo que “O confronto destes dois campos trouxe uma politização indesejável num assunto que deveria ter permanecido num plano técnico, pois tem distorcido o uso de recursos em pesquisa de clima a favor da hipótese politicamente correcta e em detrimento da objectividade da pesquisa. Diz-se mesmo que as esparsas medições de fenómenos de clima são torturados em computador até confessarem qualquer coisa que os patrocinadores da pesquisa quiserem”. Além de esparsas, também não se diz como e onde são colectadas, que alguém com profundo conhecimento do Clima, o Engº. Rui G. Moura, denunciou em recente debate televisivo. José Delgado Domingos Prof. Catedrático do Instituto Superior Técnico, em entrevista ao semanário “Expresso”, de 8 de Dezembro p.p., sobre o “Climagate” afirma a este respeito que “Diga-se o que se disser, os programas executaram o que está nas suas instruções e não o que os seus autores agora vêm dizer que fizeram ou queriam fazer”. Alguém está de facto interessado enganar alguém… para ganhar dinheiro à conta da ignorância e do medo do pacóvio…

Perguntar-se-á: mas então não existem alterações climáticas? Claro que existem, sempre as houve. O Clima é dinâmico e cíclico, como aliás tudo o resto na Mãe-Natureza. Há pouco mais de dez mil anos vastas zonas do Planeta estavam cobertas de espessa camada de gelo, incluindo regiões, como a Península Ibérica, onde hoje existe um Clima Temperado Húmido. Foi o degelo dessa camada que permitiu aos caçadores recolectores africanos migrarem para a Europa Meridional em busca de caça, que aqui começara a abundar. Por outro lado, sabe-se que a um período de muito calor, sucede-se outro de intenso frio. No último milénio, ao Período Medieval Quente sucedeu uma pequena Idade do Gelo, cujos perfis de temperatura não foram diferentes dos que registamos na actualidade, nomeadamente em relação ao primeiro, o que nega a influência do CO2 de origem antropogénica. Nos pólos, perfurações ali feitas permitiram a recolha de indícios vegetais de uma época anterior à formação das Calotes. O facto de se saber existir Petróleo no subsolo da Gronelândia, que já é motivo de disputa entre vários Estados limítrofes, é um sinal claro de que nem sempre ali existiu um Clima rigoroso, de temperaturas negativas, como agora. Em estratos rochosos muito acima do nível do mar encontram-se fósseis de espécies marinhas, o que indica que o mar já ocupou outras altitudes. Tudo isto informa-nos que o Clima tem mudado ao longo da História Natural da Terra e vai continuar a mudar independentemente da vontade do Homem e ainda bem.

Mas se assim é, valerão a pena as preocupações ecológicas sobre a Natureza? Claro que sim. É nossa obrigação cuidar do Ambiente e sobretudo sermos moderados no consumo dos seus recursos, que são finitos. É urgente substituir a energia de origem fóssil pelas chamadas energias “limpas”, sabendo que o Petróleo no Futuro irá se tornar crucial na manufactura de produtos úteis ao Homem, do que como combustível. Actualmente já representa mais de 250 mil deles, incluindo componentes necessários à indústria eólica e outras. É urgente o uso sustentado dos solos, evitando a sua aridez por efeito de monoculturas intensivas, como os cereais e o algodão transgénicos. É urgente deter a desflorestação indiscriminada e recuperar a floresta autóctone, factor fundamental para a fixação de CO2, produção de oxigénio e manutenção do ciclo da chuva. É urgente rever e impedir a ocupação urbana de zonas de risco, como leitos de cheias ou historicamente sujeitas a maremotos, e no caso onde a presença humana se encontre enraizada, promover a construção de diques. Muitas das catástrofes que “invadem” os nossos lares através dos telejornais, quase diariamente, o que não acontecia no tempo da nossa infância, e contudo existiam, quase sempre utilizados em favor da tese do “Aquecimento Global”, devem-se ao modo anárquico de desenvolvimento dos aglomerados humanos em zonas tradicionalmente de risco e ao desinvestimento em obras de protecção e drenagem e não à Natureza e menos ainda a Deus, como alguns profetas da desgraça insinuam nas suas prédicas dominicais. O caso de Nova Órleans que foi arrasada pelo Katrina foi exemplo disso, exemplo da incúria de um Governo voltado apenas para a Indústria da Guerra, que é também um factor de muita poluição e de que ninguém fala. Por quê será? O problema da fome que também se agita como tendo uma causa climática, também é falso. É uma forma de branquear as responsabilidades daqueles que comandam a Economia Mundial, causadora, esta sim, da tragédia humana que a pobreza representa em vastas áreas do Globo, quase sempre de subsolo rico em matérias-primas, que os países desenvolvidos drenam para as suas Economias sem quase retorno local. Por isso tudo fazem para mantê-las no subdesenvolvimento e as elites locais, corruptas, ajudam…

Não cremos porém que a Oligarquia Internacional, responsável pelas calamidades ambientais e sociais estejam tão preocupados como demonstram ao nível do discurso. Veja-se que transformaram o CO2 num mercado de milhões, que é uma espécie de “licença para poluir”. Posso poluir desde que pague… Isto, quanto a nós, demonstra a falsidade das suas preocupações com o “Aquecimento Global”, que propalam, e com o Ambiente. Veja-se, ainda neste capítulo, como a União Europeia promete milhares de milhões de Euros aos países pobres para que estes abdiquem do seu desenvolvimento, para que o Mundo Desenvolvido continue a consumir desbragadamente recursos que, mais do que nunca, necessitam de ser partilhados por todos os povos. Não é certamente dinheiro que compensará a falta deles por uma parte significativa da Humanidade que padece pela ganância e esperteza de uma minoria que se julga Dono do Mundo. Esse dinheiro sairá dos bolsos dos contribuintes da União Europeia e continuará a alimentar a máquina infernal da corrupção a montante e a jusante do processo. No final ficará tudo na mesma ou pior, porque continua-se a dar o peixe, e do miúdo, e não a cana de pesca…

Artur Rosa Teixeira

(artur.teixeira1946@netcabo.pt)