Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey

MS divulga retrato do comportamento sexual do brasileiro

MS divulga retrato do comportamento sexual do brasileiro
MS divulga retrato do comportamento sexual do brasileiro

O Ministério da Saúde acaba de concluir a maior pesquisa já realizada sobre comportamento sexual do brasileiro. Entre os meses de setembro e novembro de 2008, pesquisadores percorreram as cinco regiões do país para fazer 8 mil entrevistas com homens e mulheres entre 15 e 64 anos. A análise das informações auxiliará na execução e na avaliação da política para a aids e outras doenças sexualmente transmissíveis. De acordo com o estudo, 77% dessa população (66,7 milhões) teve relações sexuais nos 12 meses que antecederam a pesquisa.


“Uma coisa nova, que surge, é a Internet como espaço de encontro, o que vai exigir do governo novas estratégias, novas abordagens para lidar com essa realidade”, afirmou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, na apresentação do estudo, que contou com a participação do secretário de Vigilância em Saúde, Gerson Penna, e da diretora do Departamento de DST/Aids do Ministério, Mariângela Simão. “Em sites de relacionamento, orkut, blogs e outros espaços na rede mundial de computadores o Ministério vai ter de entrar e levar informações, discutir, entrar em debates. Qual é a informação central?

Não pode haver relacionamento sem uso de preservativo. O preservativo é a maneira mais segura de se prevenir a infecção com o vírus HIV”.


Temporão salientou que, a cada ano, há 33 mil novos casos de HIV no Brasil. “Um estudo recente mostra que, a cada dois casos diagnosticados que iniciaram o tratamento, existem cinco outros que não foram ainda diagnosticados”, observou, alertando sobre as mudanças de comportamento visualizadas a partir da pesquisa.
As principais diferenças de comportamento estão entre homens e mulheres. Entre eles, 13,2% tiveram mais de cinco parceiros casuais no ano anterior à pesquisa; entre elas, esse índice é três vezes menor (4,1%). 10% deles tiveram, pelo menos, um parceiro do mesmo sexo na vida, enquanto só 5,2% delas já fizeram sexo com outras mulheres. A vida sexual deles também começa mais cedo – 36,9% deles tiveram relações sexuais antes dos 15 anos; entre elas esse índice cai para menos da metade, 17%. A pesquisa traz ainda recortes por escolaridade e região. Nesses dois casos, não há diferenças estatísticas relevantes.


“Temos de redobrar a disseminação de informação, a educação, a disponibilização gratuita de preservativos. O Ministério está comprando um bilhão de camisinhas, neste momento, para ampliar o acesso”, pontuou o ministro, sobre a prevenção ao HIV. “A pesquisa já levanta o alerta de que principalmente os mais jovens estão usando, e as pessoas de mais idade estão usando menos. Evidentemente, toda essa informação apurada a partir da pesquisa é um material fundamental para o Ministério poder rever suas políticas e suas estratégias no enfrentamento da doença”.


Temporão defendeu, ainda, que não se banalize a doença. “Isso é um risco sempre presente. À medida em que você avança e conquista um patamar diferenciado no tratamento, com o uso do coquetel – o que melhora profundamente não só a sobrevida como a qualidade de vida –, há sempre um risco de banalização, de se pensar que essa doença é tratável e que basta tomar o remédio e está tudo bem”, disse o ministro. “Isso não é verdade. Nós sabemos que é muito melhor viver sem a doença do que com a doença”.


Indicadores de comportamento sexual da população
sexualmente ativa entre 15 e 64 anos, por sexo (em%)

Indicador

Homens

Mulheres

Total

Relações sexuais nos últimos 12 meses

81

73,7

77,3

Relações sexuais antes dos 15 anos

36,9

17

26,8

Mais de 10 parceiros na vida

40,1

10,9

25,3

Mais de 5 parceiros casuais no último ano

13,2

4,1

8,8

Relação sexual com pessoa do mesmo sexo, na vida

10

5,2

7,6

Pelo menos um parceiro fixo nos últimos 12 meses

84,2

89

86,5

Pelo menos um parceiro casual nos últimos 12 meses

36,8

18,5

27,9

Pelo menos um parceiro que conheceu pela internet nos últimos 12 meses

10,3

4,1

7,3

Fonte: Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos de idade, 2008

SEXO PROTEGIDO – A pesquisa constatou ainda que quase metade da população (45,7%) faz uso consistente do preservativo com seus parceiros casuais (usou em todas as relações eventuais nos últimos 12 meses). As principais diferenças estão entre homens e mulheres e por faixa etária. Homens usam mais preservativos que as mulheres em todas as situações. Os jovens são os que mais fazem sexo protegido em relação aos mais velhos (veja texto anexo). A análise dos dados com recorte de região e de escolaridade não mostra diferenças significativas.

Uso do preservativo na população sexualmente ativa entre 15 e 64 anos, por sexo (em%)

Uso do preservativo

Homens

Mulheres

Total

Na primeira relação sexual (15 a 24 anos)

63,8

57,6

60,9

Na última relação sexual dos últimos 12 meses

40,2

29,7

35,1

Na última relação sexual com parceiros casuais nos últimos 12 meses

65,1

45,5

58,8

Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com parceiros fixos

21,5

17,3

19,4

Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com parceiros casuais

51,0

34,6

45,7

Fonte: Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos de idade, 2008.


Uso do preservativo na população sexualmente ativa
entre 15 e 64 anos, segundo faixa etária, em 2008 (em%)

Uso de preservativo

15-24

25-49

50-64

15-64 (Total)

Na primeira relação sexual (15 a 24 anos)

60,9

-

-

60,9

Na última relação sexual dos últimos 12 meses

55,0

30,2

16,4

35,1

Na última relação sexual com parceiros casuais nos últimos 12 meses

67,8

54,4

37,9

58,8

Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com qualquer parceiro

32,6

17,2

10,5

20,6

Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com parceiros fixos

30,7

16,6

10,0

19,4

Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com parceiros casuais

49,6

44,6

32,0

45,7


Fonte: Pesquisa de Comportamento, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos, 2008

INFORMAÇÃO E CONHECIMENTO – A população brasileira possui um elevado índice de conhecimento sobre as formas de infecção e de prevenção da aids – mais de 95% da população sabe que o uso do preservativo é a melhor maneira de evitar a infecção pelo HIV. O conhecimento é maior entre pessoas de maior escolaridade. Mas mesmo entre aqueles com primário incompleto, o preservativo é bastante conhecido. Além disso, 90% dos brasileiros afirmaram saber que a aids ainda não tem cura. Não há diferenças relevantes sobre o conhecimento entre as regiões nem entre os sexos.

Percentual (%) de indivíduos com idade entre 15 e 64 anos, com conhecimento correto sobre as formas de transmissão do HIV, por escolaridade. Brasil, 2008

Formas de transmissão

Primário Incompleto

Primário Completo e Fundamental Incompleto

Fundamental Completo

Total

Sabe que uma pessoa com aparência saudável pode estar infectado pelo HIV

81,2

91,6

96,6

92,0

Acha que ter parceiro fiel e não infectado reduz o risco de transmissão do HIV

78,6

81,5

80,2

80,5

Sabe que o uso de preservativo é a melhor maneira de evitar a infecção pelo HIV

95,2

96,9

96,9

96,6

Sabe que pode ser infectado ao compartilhar de seringa

85,1

88,6

96,0

91,2

Sabe que pode ser infectado nas relações sexuais sem preservativo

92,2

95,9

96,8

95,7

Sabe que não que existe cura para a aids

90,6

93,1

95,3

93,6


Fonte: Pesquisa de Comportamento, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos, 2008


Esse é um dos índices mais elevados do mundo. Pesquisa realizada em 64 países indicou que 40% dos homens e 38% das mulheres de 15 a 24 anos tinham conhecimento exato sobre como evitar a transmissão do HIV. Além disso, dados do relatório da Assembléia Geral das Nações Unidas em HIV/Aids (UNGASS) de 2008 apontam que, no mundo, há diferenças importantes entre os sexos: pouco mais de 70% dos homens jovens sabem que usar preservativo é uma estratégia de prevenção eficaz contra a transmissão do HIV. Entre as mulheres, são apenas 55%.

MAIS EXPOSTOS – A comparação dos resultados da PCAP 2008 com os da mesma pesquisa realizada em 2004 acenderam o alerta para o Ministério da Saúde. O brasileiro tem feito mais sexo casual. Em 2004, 4% das pessoas haviam tido mais de cinco parceiros casuais no ano anterior. Em 2008, esse índice foi mais que o dobro, passando para 9,3%. Ao lado disso, o conhecimento sobre os riscos de se infectar com o HIV e sobre as formas de prevenção continuam altos. Mesmo assim, a pesquisa identificou uma tendência queda no uso do preservativo. Passou de 51,6% em todas as parcerias eventuais, em 2004, para 46,5% em 2008.


Indicadores de comportamento sexual da
população sexualmente ativa, em 2004 e 2008 (em %)

Indicador

2004

2008

Relações sexuais nos últimos 12 meses

81,4

79,0

Relações sexuais antes dos 15 anos

25,2

27,7

Mais de 10 parceiros na vida

19,3

25,9

Mais de 5 parceiros casuais no último ano

4,0

9,3


Fonte: Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 54 anos de idade, 2004; Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos de idade, 2008


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