Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey

Produção Agrícola no Brasil: Análise

A safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas deve somar 135,0 milhões de toneladas em 2009, 7,5% menor que a obtida em 2008 (146,0 milhões de toneladas1). É o que indica a quinta estimativa do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), de maio.

Levantamento Sistemático da Produção Agrícola – Fonte IBGE - Base: Maio de 2009

Safra de grãos deve ser 7,5% menor que a de 2008

A safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas deve somar 135,0 milhões de toneladas em 2009, 7,5% menor que a obtida em 2008 (146,0 milhões de toneladas1). É o que indica a quinta estimativa do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), de maio. A área a ser colhida, de 47,2 milhões de hectares, apresenta decréscimos em termos absolutos tanto em relação a 2008 quanto ao mês anterior (abril), respectivamente de 22.392 hectares e 46.778 hectares.

As três principais culturas: soja, milho e arroz, que respondem por 81,7% da área plantada, apresentam variações de +2,1%, -3,7% e +1,9%, respectivamente, em relação ao ano anterior. Quanto à produção destes três produtos, apenas o arroz registra variação positiva (+5,8%). Já para a soja e o milho total a previsão é de retração da produção em 4,5% e 13,8%, respectivamente.

Destaca-se o decréscimo na área cultivada (3,7%) de milho, que pode ser reflexo dos baixos preços praticados na época do plantio e do estoque existente em 31/12/2008, 118,2% maior que o existente no final de 2007, segundo resultado da Pesquisa de Estoques.

O volume esperado para 2009 tem a seguinte distribuição regional: Região Sul, 54,0 milhões de toneladas (-11,9%); Centro-Oeste, 48,0 milhões de toneladas (-5,4%); Sudeste, 16,9 milhões de toneladas (-4,2%); Nordeste, 12,3 milhões de toneladas (-1,3%) e Norte, 3,7 milhões de toneladas (-1,5%). Na figura a seguir, observa-se que o Estado de Mato Grosso suplanta, em 0,7%, o Paraná, mantendo a posição de maior produtor nacional de grãos.

Previsão inferior para seis produtos

No LSPA de maio destacam-se as variações de estimativa, na comparação com abril, de algodão em caroço (-5,8%), aveia em grão (+11,1%), cana-de-açúcar (+2,8%), cevada em grão (-9,1%), feijão em grão total (-4,8%), milho em grão total (-0,7%), soja em grão (-0,7%), trigo em grão (+0,1%) e triticale em grão (-4,9%).

Algodão herbáceo em caroço

O 5º levantamento de 2009 indica produção de 3,0 milhões de toneladas (-5,8%). A queda reflete principalmente as reavaliações nos dados da safra nordestina, onde o excesso de chuvas provocou redução na área e no rendimento médio - a Bahia, segundo maior produtor nacional, registra redução de 15,0% na produção esperada.

Cana-de-açúcar

A estimativa totaliza 690,4 milhões de toneladas (+2,8%), com ampliação também da área a ser colhida (+1,8%). A expansão da lavoura demonstra o interesse por etanol e açúcar (mais atrativo no momento, devido à menor oferta no mercado internacional).

Feijão (em grão) Total

Consideradas as três safras, a produção nacional está avaliada em 3.639.625 toneladas, assim distribuídas: 1.756.090 toneladas da 1ª safra (48,2%), 1.521.676 da 2ª (41,8%) e 361.859 da 3ª (10,0%). Frente aos dados de abril (-4,8%), as variações por safra são: -8,9%, 1,2% e -7,2%. A queda de produção na 1ª safra teve origem, notadamente no Nordeste, em reduções expressivas no Piauí (38,0%), Ceará (38,1%) e Bahia (15,0%). Na 2ª, o pequeno acréscimo na produção é resultado de reavaliações na maior parte dos estados produtores do Nordeste, com destaque para a Bahia, segundo produtor (+18,1%). A variação negativa de 7,2% na 3ª safra deve ser analisada com cautela, pois em importantes centros produtores o plantio pode se estender até os meses de julho/agosto.

Milho (em grão) Total

A produção deve totalizar 50,9 milhões de toneladas, para ambas as safras. A 1ª deverá atingir 33,5 milhões de toneladas (-2,1% frente à estimativa anterior). A participação na produção nacional, segundo as quatro maiores regiões produtoras, está assim: Sul (40,9%), Sudeste (29,1%), Centro-Oeste (13,3%) e Nordeste (13,1%). O Sul, principal produtor, registra decréscimo de 3,0% na produção, o que se deve à reavaliação do rendimento médio da cultura no Rio Grande do Sul (-4,4%) e em Santa Catarina (-7,3%). O decréscimo prejudicou principalmente as lavouras “do tarde”. Estes dois estados também apresentam redução da área cultivada (-2,4% e -0,7%, respectivamente). No Paraná, responsável por 18,8% da produção nacional, a área a ser colhida cresceu 1,3%. Para o milho 2ª safra, a estimativa de 17,4 milhões de toneladas é 2,2% maior que a anterior, devido principalmente ao Mato Grosso, principal produtor (36,5% da produção nacional). Neste estado, a estimativa cresceu 11,7%.

Soja em grão

A principal lavoura de verão apresentou redução de 0,7% na produção, sendo estimada em 57,2 milhões de toneladas. O pequeno decréscimo deve-se à reavaliações devido ao avançado estado de colheita, quando os rendimentos foram melhor avaliados. O excesso de chuvas no Nordeste também danificou as lavouras.

Sobre as lavouras de inverno, concentradas no Sul do país, verificam-se acréscimos para aveia (11,1%) e trigo (0,1%) e decréscimos para cevada (9,1%) e triticale (4,9%). A produção esperada de 5,7 milhões de toneladas de trigo é apenas 4.000 t maior que a informada em abril. A cultura ainda não se encontra totalmente plantada, podendo ocorrer algum acréscimo na área cultivada. No Rio Grande do Sul, mesmo com redução de 11,6% na área cultivada, aguarda-se rendimento médio de 2.100 kg/ha, no mesmo patamar observado na safra de 2008.

Estimativa em relação à safra de 2008 é menor para 15 produtos

Dentre os vinte e cinco produtos selecionados, 15 apresentam variação negativa na estimativa de produção em relação a 2008: algodão herbáceo em caroço (24,3%), amendoim em casca 1ª safra (6,1%), batata-inglesa 1ª safra (7,1%), batata-inglesa 2ª safra (9,4%), batata-inglesa 3ª safra (1,3%), café em grão (13,8%), cevada em grão (2,1%), feijão em grão 3ª safra (13,6%), mamona em baga (19,4%), milho em grão 1ª safra (16,2%), milho em grão 2ª safra (8,7%), soja em grão (4,5%), sorgo em grão (10,9%), trigo em grão (2,9%) e triticale em grão (8,0%). Os 10 com variação positiva são: amendoim em casca 2ª safra (14,2%), arroz em casca (5,8%), aveia em grão (12,2%), cacau em amêndoa (1,3%),cana-de-açúcar (6,4%),cebola (8,0%), feijão em grão 1ª safra (7,0%), feijão em grão 2ª safra (8,7%), laranja (0,7%) e mandioca (3,6%).

A colheita das principais culturas temporárias de verão, com ênfase para soja, milho e arroz, está praticamente concluída. Nos próximos levantamentos, prosseguirão o acompanhamento do restante da colheita da safra de verão e do desenvolvimento das segunda e terceira safras de alguns produtos, além das culturas de inverno que, devido ao calendário agrícola, apresentam grande parte de suas estimativas ainda baseadas em projeções.

Já a produção nacional de cana-de-açúcar deve atingir 690.352.131 toneladas e crescer 6,4% frente ao ano anterior. Este crescimento deve-se principalmente ao aumento de 5,6% na área a ser colhida. A expansão dos canaviais se intensificou nos últimos cinco anos com o objetivo de oferecer uma alternativa ao petróleo, que atingiu altos preços até 2008. Com a redução do preço do petróleo e a crise internacional, as empresas do setor sucroalcooleiro foram afetadas. A falta de recursos financeiros gerou o adiamento do cronograma de vários projetos, e a suspensão de outros, o que reduziu o avanço dos canaviais. Em 2009 a área total plantada é de 9.671.546 hectares, crescimento de apenas 2,7% em relação a 2008.

País detinha 8.941 estabelecimentos na rede armazenadora

A rede armazenadora de produtos agrícolas em operação no país no segundo semestre de 2008 registrou decréscimo de 0,4% no número de estabelecimentos ativos, na comparação com o semestre anterior, totalizando 8 941 estabelecimentos ativos. O resultado é da Pesquisa de Estoques, segundo a qual 43,1% desse total estava localizado na região Sul, 23,1% na região Sudeste, 22,1% na Centro-Oeste, 8,3% na Nordeste e 3,4% na região Norte.

A capacidade útil de armazéns convencionais, estruturais e infláveis somou 78.393.222 metros cúbicos, e pouco mais de 70,0% deste total estava concentrado nas regiões Sudeste e Sul. Os armazéns graneleiros e granelizados totalizaram 52.898.658 toneladas de capacidade útil, com destaque para as regiões Centro-Oeste (49,4% do total) e Sul (34,1%). Já a capacidade dos silos para grãos era de 43.701.611 toneladas, detendo a região Sul 54,9% deste total e as regiões Centro-Oeste e Sudeste 26,5% e 13,5%, respectivamente.

Os maiores estoques registrados em 31 de dezembro de 2008 foram os de milho em grão (8.768.606 t), de trigo em grão (5.259.534 t), de soja em grão (3.463.087 t), de arroz em casca (2.122.259 t) e os de café em grão (1.015.400 t).

Quando comparados os estoques dos principais produtos com os existentes em 31 de dezembro de 2007, os estoques de milho, trigo, café e soja apresentaram variações positivas de 118,2%, 46,9%, 12,9% e 2,0%, respectivamente, enquanto o estoque de arroz em casca apresentou queda de 7,3%.

Nota:

1 Em atenção a demandas dos usuários de informação de safra, os levantamentos para Cereais, leguminosas e oleaginosas, ora divulgados, foram realizados em estreita colaboração com a Companhia Nacional de Abastecimento - Conab, órgão do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, continuando um processo de harmonização das estimativas oficiais de safra, iniciado em outubro de 2007, para as principais lavouras brasileiras.

Prof. Ricardo Bergamini