Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey

Governo federal convoca Nordeste contra a dengue

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, mobilizarão os estados do Nordeste para uma ampla ação contra a dengue. Eles participam nesta quarta-feira (30), em Maceió (Alagoas), do VII Fórum de Governadores do Nordeste. No encontro, o ministro irá expor a situação da dengue no Brasil e no Nordeste.

O Fórum reunirá os governadores de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Sergipe, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Piauí. Também será divulgado um balanço da doença na região, que variou de -66,7% a 1.271,6%.


O objetivo é convocar os governadores para uma agenda de combate ao mosquito transmissor durante todo o ano, para evitar o agravamento da dengue no próximo verão de 2008/2009. O Brasil enfrenta a circulação de três diferentes sorotipos do vírus. Além disso, neste ano de campanhas municipais, o Ministério da Saúde quer evitar que as equipes de combate às endemias sejam desmobilizadas pelos gestores e espera que haja uma grande mobilização social e do poder público contra o avanço da doença.


“O calendário de combate à dengue de 2009, já começou. Somente com uma ampla mobilização, que seja feita durante todo o ano, conseguiremos combater a dengue. Para a doença, não existe vacina, o que nos coloca um desafio ainda maior”, afirmou Temporão. Ele cita também que há possibilidade da entrada de um novo sorotipo da doença no país, o DEN 4, e a única prevenção para evitar a contaminação da população é diminuir a quantidade de vetores, o Aedes Aegypti.


A mais recente avaliação de dengue no Brasil mostra uma queda de 10,8% dos casos da doença, entre janeiro e abril deste ano em relação ao mesmo período de 2007. Ao todo, foram 230.829 notificações nos quatro primeiros meses deste ano, contra 258.795 em 2007. Isso representa menos 27.966 pessoas doentes no período avaliado.


O boletim aponta que, do total de registros, 1.069 evoluíram para o quadro hemorrágico, com 77 óbitos. Além dos casos hemorrágicos, 3.298 pessoas tiveram complicações decorrentes da dengue, das quais 53 morreram.


Quanto à distribuição de casos por região, houve aumento nas regiões Norte (49,34%), Nordeste (30,54%) e Sudeste (19,82%); e redução dos registros nas regiões Sul (-72,6%) e Centro-Oeste (-71,72 %).


De acordo com o Programa Nacional de Controle da Dengue (PNCD), em função da circulação de três sorotipos do vírus da doença, o número de casos de Febre Hemorrágica de Dengue (FHD) e a sua taxa de letalidade vêm aumentando no país.


Região Nordeste


Quanto à Região Nordeste, as notificações chegaram a 54.180 casos, um aumento de 30,5% quando comparado ao mesmo período de 2007. Foram confirmados 231 casos de FHD, sendo que 14 desses evoluíram para óbito. Foram registrados ainda 142 casos de dengue com complicação com 3 óbitos.


De acordo com o balanço do PNCD, quando se compara o número de casos notificados em 2008 com o mesmo período de 2007, observa-se redução nos estados do Maranhão (-66,7%), Piauí (-64,9%) e Pernambuco (-31,5%). Os estados que tiveram aumento foram Sergipe (1.271,6%), Bahia (245,1%), Rio Grande do Norte (238,3%), Alagoas (33,4%), Paraíba (20,7%) e Ceará (1,8%).


Região Centro-Oeste


A Região Centro-Oeste notificou 20.936 casos de dengue, uma redução de 71,72% quando comparado ao mesmo período de 2007. Foram confirmados 38 casos de FHD, sendo que 3 destes tiveram evolução para óbito, além de 8 casos de dengue com complicação, com 5 óbitos. O estado de Goiás e o Distrito Federal apresentaram aumento no número de notificações da ordem de 40,79% e 15,36%, respectivamente. Reduções foram notadas nos estados de Mato Grosso do Sul (-96,10%) e Mato Grosso (-57,70%).


Região Norte


Na Região Norte, o registro foi de aumento de 49,3%. Foram notificados 34.893 casos de dengue, com 109 registros de FHD, com 14 óbitos. Comparados com o número de casos notificados em 2008, no mesmo período de 2007, por estado, há redução nos estados do Amapá (-75,3%) e Tocantins (-8,2%), e aumento nos demais, 547,7% no Amazonas, 490,5% em Rondônia, 91,3% no Pará, 27,6% no Acre e 18,2% em Roraima.


Região Sudeste


A Região Sudeste apresentou um aumento de 19,82% (114.051) no número de notificações, quando comparado com o mesmo período de 2007. Foram confirmados 691 casos de FHD com 46 óbitos. Houve ainda 3.148 casos de dengue com complicação com 45 óbitos. Houve redução em São Paulo (-96,6%) e Minas Gerais (-2,6%); e aumento no Rio de Janeiro (214,8%) e Espírito Santo (186%).


Região Sul


A Região Sul notificou 6.769 casos de dengue, uma redução de 72,6% quando comparado com o mesmo período de 2007. Entre os estados, o Paraná teve uma redução de 74,8%. Apenas no estado do Paraná foi registrada transmissão autóctone (transmissão local) de dengue em 2008. Não houve caso de FHD confirmado na região. O sorotipo DENV3 foi o único identificado no monitoramento viral.


Embora o Rio Grande do Sul tenha notificado os primeiros registros confirmados de dengue autóctone (contraída no estado) em 2007, neste ano os 344 casos notificados são importados. Santa Catarina continua sem transmissão autóctone de dengue, mas teve o registro de 317 casos importados.


Principais Ações Desenvolvidas pelo Ministério da Saúde, em parceria com as secretarias estaduais e municipais de Saúde, desde janeiro de 2007, para o controle da dengue em 2008:


• O Ministério da Saúde desencadeou, em 2007, um processo de avaliação independente do PNCD, com participação de especialistas e organismos internacionais e da comunidade científica, que ratificaram as ações desenvolvidas afirmando que tudo o que está disponível no mundo para uso no campo já está implantado no Brasil;


• Garantia da transferência dos recursos do Teto Financeiro de Vigilância em Saúde para todos os estados e municípios certificados, no montante de R$ 821,5 milhões, em 2007;


• Garantia do fornecimento de inseticidas, biolarvicidas e kits para diagnóstico para todas as Secretarias Estaduais de Saúde;


• Realização, em novembro, do Levantamento Rápido de índices de Infestação por Aedes aegypti – LIRAa em 164 municípios de maior risco para dengue. O LIRAa permite a identificação das principais áreas de risco em cada município e os principais criadouros do vetor, para direcionar a intensificação das ações de combate;


• Elaboração e distribuição de 380 mil exemplares do manual “Dengue Diagnóstico e Manejo Clínico – adulto e criança” para as unidades de saúde do SUS;


• Elaboração e distribuição de 350 mil CD-ROM sobre a atenção ao paciente com dengue, em articulação com o Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Médica Brasileira (AMB);


• Elaboração e distribuição de 330.000 exemplares do manual técnico Dengue – Manual de Enfermagem adulto e criança;


• Envio de correspondência para cada médico e todas as equipes de saúde da família do Brasil, ressaltando a importância do diagnóstico precoce e uma atenção oportuna aos pacientes suspeitos de dengue;


• Elaboração de um número específico sobre Vigilância em Saúde na série de cadernos de Atenção Básica.


Em parceria com o setor privado e o não governamental, o poder público desenvolveu e está veiculando campanhas educativas e de mobilização em caráter permanente e regionalizada, observando as especificidades locais. Esse trabalho iniciou com a veiculação da cmpanha “Combater a dengue é um dever seu, meu e de todos nós. A dengue pode matar”. Alguns dos parceiros: Unilever, Rede Mc Donald´s, Ambev, Cesp, Leroy Merlin, CNI, CEF, Banco do Brasil, Rede Globo, Infraero, Anfarmag, Jornal JB, Rádio Nova Brasil FM, Bandas Musicais, Associação Brasileira de supermercados, SESI, etc;


Ministério da Saúde