Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey

Liz Truss, um exemplo de diplomacia ocidental “Lite”

Lendo o que Liz Truss diz e escreve, é difícil não se desabar a rir. A tragédia é que ela não é nenhuma comediante.

Liz Truss... Elizabeth Mary Truss. Interessante, “Trus” em russo significa “Cobarde”. Preocupante: na discussão com Sergei Lavrov, ela demonstrou que não sabe nada de geografia, afirmando que o Reino Unido nunca iria reconhecer como parte da Rússia regiões que pertencem à Rússia há séculos (ela pensava que faziam parte da Ucrânia)

Vamos ver...como política, ela está em todo lugar. Ela começou com os liberais democratas, viu que não estava indo a lugar nenhum, então fez um ato espetacular de vira-casaca e se juntou aos conservadores. Ela representa Sua Majestade, a Rainha, como sua Secretária de Estado para Assuntos Estrangeiros, da Commonwealth e de Desenvolvimento, mas supostamente teria nutrido sentimentos republicanos no passado. Então agora, vamos ver o que ela tem a dizer sobre a Rússia, o contexto deste artigo.

Insolência: requisito de diplomatas ocidentais?

Um secretário de Relações Exteriores britânico falando sobre a Rússia tem como requisitos pura insolência, mentiras descaradas e absurdos absolutos. E ela não surpreende. Parece ser outro requisito obrigatório do Establishment britânico ser um idiota russofóbico. Nas últimas semanas ela tem estado a disparar contra a Rússia sem sequer conhecer bem o dossiê da Ucrânia. Ela disse nada sobre a União Soviética salvar a pele da Grã-Bretanha na Grande Guerra Patriótica (Segunda Guerra Mundial) e perder 26 milhões de almas no processo, nada sobre 90% dos ativos da Wehrmacht sendo perdidos na Frente Oriental.

Também ela disse nada sobre as ilhas de Chagos, de onde o Reino Unido deportou à força toda a população dessas ilhas do Oceano Índico, gaseou seus animais de estimação (repito, gaseou seus animais de estimação), transportou a população para outro país e entregou as ilhas ao Mestre-na-cama, aquele que controla a política externa da Grã-Bretanha, os EUA.

Ela mencionou a Chechênia, você sabe, onde as potências ocidentais patrocinaram terroristas antes que o povo da Chechênia votasse maciçamente para continuar fazendo parte da Federação Russa. Ela também disse algo bastante extraordinário, a cereja do bolo, um belo exemplo de diplomacia “Lite” ocidental. Ela disse que Vladimir Putin queria recriar a União Soviética.

É de se perguntar se Liz Truss sabe do que está falando. A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas era composta por quinze repúblicas, a saber: Estônia, Lituânia, Letônia, Bielo-Rússia, Ucrânia, Moldávia, Geórgia, Azerbaijão, Armênia, Cazaquistão, Uzbequistão, Turcomenistão, Tadjiquistão, Quirguistão e a Federação Russa. Após a dissolução voluntária da União (uma decisão política tomada por quem estava no poder sem pedir nada ao povo), atendida nos termos da Constituição Soviética, a Federação Russa continua a ser o maior país do mundo, com faixas de território despovoadas  e por isso dificilmente precisa de Lebensraum nos antigos estados membros da União.

Falando da União Soviética, para onde os operacionais britânicos eram enviados para realizar operações de sabotagem, terrorismo e assassinato, ainda assim o modelo social oferecia serviços públicos gratuitos – eletricidade, gás, água, habitação, que era garantido e portanto não havia sem-abrigo, garantia de emprego, então a taxa de desemprego era zero, transporte público gratis, até comida e bebida gratis, atividades de lazer, todas gratuitas, segurança na rua e segurança do Estado, mobilidade social, pensão indexada, oportunidades de viajar para o exterior, enquanto todo o tempo os chamados “parceiros” da Rússia estavam enfiando a faca nas suas costas, enviando terroristas, assassinos e sabotadores.

O que a Rússia faz hoje é apenas representar um guarda-chuva de proteção para os russos que vivem nas ex-repúblicas da URSS, alguns dos quais ainda não cumpriram suas obrigações por questões de nacionalidade e etnia nos termos da Constituição acima mencionada no caso de a União se dissolver. A Geórgia foi uma delas. Recusou-se a cumprir suas obrigações sob a Constituição soviética para resolver questões de nacionalidade e atacou os soldados da paz russos, assassinando-os na Ossétia do Sul. Na altura e ainda hoje, todos culparam/culpam a Rússia. O quê é que a Rússia fez? Conduziu uma operação muito discreta, estabilizando a região e atendendo às questões de nacionalidade de acordo com a Constituição (o que a Geórgia deveria ter feito).

OTAN. Em primeiro lugar, um mentiroso descarado

Comecemos a ver o quê é a OTAN. É a vanguarda do complexo industrial militar e seus lobbies amigos. É também um mentiroso descarado. Prometeu não invadir o leste se o Pacto de Varsóvia fosse dissolvido, mas o fez várias vezes em cinco ondas. Então, da perspectiva da Rússia, ela vê a OTAN se movendo e formando um punho de ferro em torno de sua garganta, com a Ucrânia sendo a última peça do puzzle antes da Bielorrússia na frente ocidental. O fato de a OTAN se recusar a dar garantias de que a Ucrânia não vai aderir significa que obviamente tem planos para isso no futuro, então teremos forças da OTAN concentradas de norte a sul, esperando para atacar após uma revolução colorida em Moscou. Por quê? Retalhar a Rússia em pedaços e tomar seus enormes recursos. Já temos a OTAN fazendo exercícios no Báltico ao norte e entrando no Mar Negro ao sul. A Ucrânia está no centro.

Vladimir Putin defende os interesses russos, recursos russos controlados e administrados por russos para russos e se ele não tomar uma posição agora, o que vai acontecer? A Rússia não vai sentar-se e esperar que a OTAN comece a causar problemas internamente. Eles já tentaram. Muitas foram as comunicações interceptadas entre terroristas chechenos em inglês americano; também era audível a ordem “Voltem para dentro” de um oficial, na Geórgia, em inglês americano quando as forças da Geórgia fugiam do Spetznaz depois de assassinar os soldados da paz russos.

Ucrânia

O facto de as forças russas estarem concentradas dentro da Rússia não significa que elas irão invadir a Ucrânia, ao contrário das forças britânicas e norte-americanas que invadiram o Iraque sem um casus belli, ao contrário das tropas da OTAN que tiveram botas no solo na Líbia, infringindo os termos do CSNU 1970 e 1973 (2011). As tropas russas na Rússia estão na Rússia, onde podem estar sem violar qualquer lei. Não estão no Iraque.

As tropas estão na parte ocidental da Rússia para mostrar que a Rússia está preparada eventualmente para o que vier, isso não significa que uma invasão esteja planejada.

A verdade sobre a Ucrânia

E agora para terminar, vamos informar Liz Truss sobre o que realmente aconteceu na Ucrânia. Bandidos fascistas depuseram o presidente democraticamente eleito, gritaram “Morte aos russos” e realizaram massacres de ucranianos de língua russa no leste da Ucrânia. Mulheres de limpexa, avós, foram estranguladas com fio telefônico. Da Liz Truss não ouvimos nada desse importante pano de fundo, que é a razão pela qual os cidadãos de Donbass pegaram em armas para se defender dos fascistas.

A conclusão é que certas potências ocidentais se sentiriam mais à vontade com Hitler, como é patentemente óbvio hoje, do que com qualquer líder russo. Se calhar até estão zangados porque a Rússia venceu os Nazis. Caso contrário, por que eles cometeriam atos terroristas dentro da União Soviética por décadas, como os operacionais britânicos fizeram? Se a Rússia não é um inimigo, por que a OTAN está conduzindo operações militares na Estônia? Por quê está expandindo? Por que apoia grupos terroristas dentro da Rússia? Por que ele entra no Mar Negro? OTAN pode fazer manobras em países vizinhos da Rússia mas a Rússia não pode fazer exercícios no seu próprio território?

Lendo as suas palavras russofóbicas, fica-se com a noção que Liz Truss parece uma desbocada, ignorante porca da pior espécie, uma parasita fascista covarde que insulta a Rússia propositadamente com suas mentiras idiotas, imbecis e infundadas (desculpas aos porcos). O ter-se-ia uma noção errada desta....senhora? 

O que o Reino Unido, e o Ocidente em geral, precisa é de diplomatas que conheçam os dossiês, que tenham uma compreensão completa do que realmente está acontecendo, entendam que a aranha no centro da teia não é a Rússia, mas a OTAN, e admitam que é plano da OTAN desmembrar a Rússia, roubar seus recursos e depois seguir para a última estação da linha férrea, a República Popular da China. O Reino Unido deveria se posicionar não como o principal chihuahua latindo dos EUA, como é chamado por todos fora do Reino Unido de norte a sul, leste a oeste, ridicularizado e totalmente desrespeitado. O Reino Unido deve promover o Desenvolvimento e a Educação, deve lembrar que as guerras e os conflitos são totalmente indesejados por todos hoje em dia e que existem questões globais urgentes nas quais todos precisamos de nos unir.

Timothy Bancroft-Hinchey pode ser contatado em [email protected]

 

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