Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey

É altura para uma Nova Ordem Mundial

O novo milênio trouxe consigo muita esperança, muita confiança e também uma lufada habitual de ar quente, promessas quebradas e se fez um passo para trás. Desde 2000, centenas de bilhões de dólares foram gastos em guerras, enquanto a comunidade internacional falhou lamentavelmente em respeitar as promessas no financiamento de projectos humanitários. Para onde estamos indo? Nossos políticos falharam connosco.


É este o mundo que queremos? Será que alguém realmente quer as terríveis guerras no Afeganistão e no Iraque, nas quais centenas de milhares de vidas foram perdidas, triliões de dólares desperdiçados, tudo por causa da riqueza mineral do Afeganistão e a sua posição geo-estratégica ao lado dos campos de gás e do petróleo da Ásia Central e tudo por causa do Iraque ser um dos maiores produtores de petróleo do mundo?


É este o mundo que queremos? Será que alguém realmente quer que os Estados Unidos da América e sua camarilha doentia de bajuladores violem cada fibra do direito internacional na sua invasão ilegal e ato subseqüente da carnificina no Iraque, isso antes das câmaras de tortura, de estilo medieval, virarem notícia como sendo sinônimos do modus operandi americano e britânico?


É este o mundo que queremos, um mundo em que alguns dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio estão longe de estarem realizáveis e aquele em que o financiamento para as operações de ajuda humanitária continuam a cair tristemente aquém das metas, a despeito do fato de que quando triliões são necessários para guerras e para salvar banqueiros irresponsáveis ou branquear a ganância corporativa, eles estão disponíveis?


A resposta a estas perguntas é não, não é este mundo que queremos e se os líderes mundiais e a classe política são coletivamente incapazes de entregar um modelo aceitável, então está na hora que as pessoas do mundo façam ouvidas suas reivindicações.


O apoio do Presidente Obama dos EUA por um lugar permanente no Conselho de Segurança para a Índia poderia ser uma oportunidade importante para considerar o mundo sob uma nova perspectiva, agora que desapareceu a realidade que criou a Organização das Nações Unidas com as 5 potências nucleares sendo membros permanentes do CSNU, com o poder de veto.


Estamos vivendo em outro mundo, um mundo que deve ser a partilha dos valores e conhecimentos globalizados, que deve se esforçar para alcançar a igualdade de oportunidades entre todos os membros da humanidade, independentemente do seu sexo, cor, nacionalidade, etnia, credo ou sexualidade, um mundo governado pelos preceitos do direito internacional. Para isso, lutou sempre nosso Camarada Fidel!


No entanto, este não é o que foi entregue por gerações de líderes políticos, cujo único objectivo parece ser ganhar as próximas eleições para encontrar lugares para seus comparsas nas formações políticas a que pertencem. É verdade que há excepções e notável entre estes é primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, o secretário-geral do PC da Cuba, Fidel Castro Ruz, Hugo Chavez, Evo Morales… mas são poucos.


Tal como está hoje, o direito internacional é um escárnio. Os EUA e seus comparsas desrespeitaram o direito internacional quando invadiram o Iraque e desrespeitam-no ainda na recusa em reconhecer o Tribunal Penal Internacional… tornando os cidadãos dos EUA e Israel isentos da sua jurisdição. Que tipo de piada é essa? E que espécie de insulto à comunidade internacional?


Tal como está hoje, países como a França e o Reino Unido têm o direito de veto no Conselho de Segurança e a Índia, não? E quanto ao Brasil? Indonésia? África do Sul?


Tal como está hoje, a comunidade internacional continua inepta e incapaz de resolver a situação no Oriente Médio, simplesmente porque o lobby judeu é tão poderoso, puxando as cordas, conquistando apoio para as campanhas eleitorais, fornecendo o financiamento para o homem certo e a pessoa certa no momento certo, de forma a agir de maneira subserviente às suas necessidades. Esta é a lei do Homem de Neandertal. Estamos agora no terceiro milénio.


A situação, portanto, é aquela em que Israel se senta por cima de ogivas nucleares no deserto de Negev (entre 100 e 200), continua a desrespeitar o direito internacional através da construção de colônias em terras que roubou e continua a roubar, enquanto a República Islâmica do Irã não pode mesmo ter uma fábrica de energia nuclear em um programa civil.


Não é este mundo que os cidadãos da comunidade internacional querem. Nós queremos ver, para começar, como uma medida da influência da ONU e como um símbolo de respeito pelo direito internacional, uma solução duradoura no Oriente Médio, em que o direito de Israel à existência é garantida, enquanto ao mesmo tempo as terras palestinas são devolvidas aos seus legítimos proprietários, reparações adequadas são pagos pela apreensão ilegal de terras e uma retirada gradual é organizada pelos israelenses que ocupam terras que não lhes pertence, enquanto que um aluguel é pago durante o período transitório. Isso é pedir demais?


Queremos ver um mundo no qual todos os membros da comunidade internacional gozam dos mesmos direitos e isso inclui o direito à igualdade de oportunidades como um direito de nascença, e não uma perpetuação da situação actual em que as pessoas são rotuladas como "ter" ou "não ter" direitos, apenas porque você nasceu um metro de cada lado de alguma fronteira invisível que alguma potência imperialista traçou numa mapa centenas de anos atrás.


Queremos ver um mundo no qual todos os países e continentes têm suas vozes representadas no Conselho de Segurança, no entanto que valor tem em ter uma UNO como corpo legislativo, se suas decisões são desrespeitadas, ou se a comunidade internacional continua a operar com dois pesos e duas medidas? É uma farsa, ou quê?


Que tal a criação da sede da ONU em Jerusalém, uma cidade que pertence a ninguém, mas também pertence a todos, com a situação no Médio Oriente resolvido de uma vez por todas, que tal todos os Estados Membros serem forçados a assinar uma Carta de Direitos Fundamentais, incluindo a responsabilidade a processo por crimes contra a humanidade, inclusive a instituição de um estatuto básico dos direitos do ser humano, onde estipula direitos à oportunidade, educação, cuidados de saúde, inviolabilidade da pessoa, liberdade de expressão de sexualidade?


E, finalmente, que tal a abolição do direito de vetar e instaurar um sistema respeitando uma maioria de votos de dois terços, entre um Conselho de Segurança onde todos os continentes estão representados de forma permanente, com a Austrália, Canadá, Japão, Brasil, África do Sul, Índia, Indonésia e Irã se juntando à RP China, França, Rússia, Reino Unido e EUA, ou então ter a rotação de representantes das diferentes comunidades económicas regionais onde os consensos são discutidos antes de serem apresentadas na sede da ONU, garantindo uma voz a todos em pé de igualdade? Ou vamos admitir que no limiar do terceiro milénio (que já até passámos) a humanidade se rege pela lei da selva?

Eu sei ... Que tal colocar pires de leite e biscoitos para as renas do Pai Natal ou polir cogumelos para as fadas sentarem no fundo do jardim?


Às vezes parece que a única coisa que iria colocar as pessoas deste planeta a pensarem como deve ser, seria um golpe de asteróide ou então uma invasão de Marte. Contem comigo então como membro da quinta coluna.


Timothy Bancroft-Hinchey
Pravda.Ru