A Russofobia do Público

Há muito tempo se nota a russofobia do jornal português “Público”, que se empenha em destorcer a verdade, com opiniões a mais e notícias a menos, sempre quando diz respeito à Federação Russa e ao seu Presidente.

Chamadas de capa anti-russas, referências deturpadas e sempre negativas, são o estilo do jornal Público. Na edição de hoje, mais uma facada nas costas de Presidente Putin, que vem visitar Portugal durante a próxima semana, com comentários intrusivos sobre a sua politica interna. “Assustador” é o adjectivo utilizado para descrever as afirmações do Presidente da Federação Russa na sua sessão anual de perguntas e respostas ontem à comunicação social.

Entre muitos assuntos, Vladimir Putin tocou na questão de armamento. O Público refere na contra-capa que “O Presidente russo continua a usar uma retórica imoderada para justificar o rearmamento do seu país”, concluindo que uma referência ao Iraque (para justificar o “rearmamento”) constitui “um argumento primário” e “assustador”.

Na página 20, um artigo com o título “Putin diz que a Rússia precisa de novas armas nucleares para evitar um cenário iraquiano”. Para quem não conhece esse jornal, um belo exemplo da russofobia institucionalizada no Ocidente, o discurso do Presidente russo não passou de uma ameaça de retornar à guerra fria, expondo planos megalómanos de rearmamento. Mas que disparate.

O lead do artigo, que ocupa quase uma pagina inteira, refere ao armamento nuclear, o primeiro paragrafo idem, e os próximos cinco, questões de armamento e/ou citações russas acerca da campanha desastrosa dos EUA no Iraque, como se fosse algo que pudesse ser defendido. Para terminar, uma menção do cenário politico, com a citação de um analista que conclui que Putin continuará a controlar o país a partir do Parlamento, como Primeiro Ministro.

No entanto, a imprensa serve para informar, não reeducar os leitores com opiniões pessoais e agendas políticas. Um jornal não e um GULAG, nem deve servir para espalhar disparates.

O que disse Presidente Putin?

Vladimir Putin respondeu a 72 perguntas na sessão ao vivo que durou pouco mais de três horas. Nesta sessão, referiu muitas áreas politicas e sociais, alem do foro militar.

Área social

Na área social, Presidente Putin declarou que as famílias numerosas nas regiões podem contar com financiamento das autoridades centrais federais, que mães com cinco ou mais crianças poderão reformar-se aos 50 anos (em vez de 55) e prometeu manter o programa de capital de maternidade (10.000 USD), triplicando o financiamento do programa de Fertilização In Vitro para 24m. USD por ano. Prometeu aumentar as infra-estruturas sociais e públicas para pessoas com necessidades especiais.

Forças armadas

O que disse Presidente Putin acerca da contínua renovação das forcas armadas foi que esta política não irá limitar-se a desenvolver armamentos estratégicos nucleares, mas sim, continuará a desenvolver outros tipos de armas. Frisou que novos sistemas de mísseis incluirão armas convencionais, alem das nucleares, e declarou que uma nova caça avançada será desenvolvida entre 2012 e 2015, e vai prosseguir o programa de modernizar os bombardeiros Tu-160 Blackjack e Tu-95 Bear. Finalmente, o Presidente anunciou a construção de um novo submarino estratégico nuclear em 2008.

No que diz respeito a áreas de conflito, o Presidente disse que no futuro só serão enviados tropas profissionais e não os que cumprem serviço militar obrigatório.

Comercio e sector agrícola

Nas suas negociações com a OMC, a Rússia garantiu o direito de manter os subsídios ao sector agrícola durante “um longo período de transição” depois da adesão. Na política de preços, Vladimir Putin disse que o Governo continuará a desempenhar um papel activo através de uma política intervencionista, mas que não mine o sector.

Economia e Finanças

O Presidente lembrou que a Rússia tem a terceira maior reserva de ouro e divisas no mundo (434 biliões de USD) e por isso esse sector permanecerá estável; declarou ainda que a liberalização do mercado resultou a uma maior entrada de capitais mas admitiu que não será possível atingir o objectivo de uma taxa de inflação a 8% em 2007.

CEI – Comunidade dos Estados Independentes

De acordo com o Presidente, a CEI não vai tornar-se numa Uniao Europeia, mas a Eurasec, sim, pois a Rússia, Bielo-Rússia e Cazaquistão estão empenhados em formar uma união aduaneira.

Geo-estratégia

Vladimir Putin declarou que a Rússia está a trabalhar para ajudar a estabilizar a situação no Afeganistão, permitindo a cargas aéreas militares utilizarem o território da Federação Russa. Relativamente à Ucrânia, disse que a Federação Russa estará pronta para cooperar com qualquer governo que se forme. Sobre a questão do Iraque, o Presidente russo disse que a ocupação permanente do Iraque não é aceitável e que os EUA deveriam estabelecer uma data para a retirada das suas forças. Finalmente, sobre o Escudo Anti-Míssil na Europa, Vladimir Putin reconheceu que Washington está neste momento a tomar em consideração as observações da Rússia, o que é positivo, mas reiterou que qualquer acção norte-americana que não respeite a posição de Moscovo será correspondida com medidas adequadas.

A referência que fez ao armamento e a necessidade de proteger os interesses dos russos foi logicamente nada mais do que uma observação que se os EUA conseguem agir impunes, lançando invasões ilegais para saquearem os recursos dos outros, então a Rússia que se cuide, pois tem recursos enormes.

Desporto

A vitória da selecção de futebol da Rússia foi resultado do espírito de equipa, não só entre os jogadores, mas sim entre toda a população e do profissionalismo do treinador..

Segurança

Presidente Putin referiu a redução nos ataques terroristas na Rússia de 250 em 2005 para 25 em 2007, devido as políticas anti-terrorismo.

Política

Vladimir Putin declarou que o Partido Rússia Unida é necessário para manter a eficácia do Parlamento, por isso decidiu encabeçar a lista deste partido. Relativamente ao futuro político, lembrou que o Kremlin terá outro Presidente a partir das eleições de Março de 2008 e que não defende uma restrição dos poderes presidenciais, nem a redistribuição de poderes executivas depois das eleições.

Por isso, vemos que o material do Público, quer no artigo, quer na chamada na contra-capa, quer no paragrafo insolente na secção “sobe e desce” na mesma pagina, não passam de politiquice barata, infundamentada e intrusiva – alias, o tipo de jornalismo comprado vomitado pela imprensa “comprada” que para reforçar a posição de “nós” precisa de uma contra-entidade, “eles”.

Seria bom que o Público lembrasse que “assustador” e “primário” é um ataque selvático e ilegal contra um estado soberano (Iraque) para ganhar posse das suas reservas de petróleo; assustador é praticar actos de tortura, assustadores são os voos secretos da CIA, que, segundo alguns, até passaram por Portugal, assustador é o campo de concentração de Guantanamo, assustador é a chacina de centenas de milhares de civis, assustador é a campanha choque e pavor dos Estados Unidos da América, assustadores são as contínuas mentiras de Washington em organismos internacionais.

Assustadores são aqueles países que se rastejam a volta dos pés de Washington, esperando migalhas em troca, participando quanto baste nas suas campanhas assassinas mas depois fingindo que nem estavam muito empenhados.

Assustador é a manipulação propositada de dados por um órgão de informação, que tem reputação de destaque na comunicação social em Portugal, pintando quadros negativos e utilizando sistematicamente qualquer informação para denegrir a imagem da Federação Russa, é isso se vê nesse jornal já há muito tempo.

Assustador é a ignorância do jornalista que fala no “rearmamento”, como se nenhum pais, incluindo Portugal, renovasse constantemente a sua capacidade de defesa e ficasse com as mesmas armas e sistemas de armas durante décadas. É precisamente esse tipo de jornalismo que o sistema da imprensa comprada conseguiu criar, é uma espécie de censura invisível e informal, que força os jornalistas a escrever palavras de ocasião dentro de limites bem estabelecidos, desde que diga sempre mal da Rússia.

Por isso mesmo, esse “jornal” nunca mais entra na redacção da PRAVDA.Ru, nem na casa de banho. PRAVDA.Ru, por sua vez, vai continuar a contar a verdade, e toda a verdade com firmeza e sem complexos, tal como a política interna e externa da Federação Russa de Presidente Vladimir Putin zela pelos interesses do seu povo, garante a segurança do estado e sua propriedade contra o neo-imperialismo de Washington e seus lacaios na OTAN e adopta uma posição bem clara na sua política internacional, defendendo a lei internacional e o uso da ONU para a resolução de crises e não participando de forma covarde e hipócrita, cúmplice em actos de chacina.

Na Rússia, cabe aos russos decidirem para quem vão votar. Por qualquer razão Vladimir Putin goza de uma popularidade de 80% ou mais. Se isso for incómodo para os lacaios de Washington e os farrapos que vomitam a sua política, azar.

Timothy BANCROFT-HINCHEY

PRAVDA.Ru

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Director e Chefe de Redação

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