EUA 2020 - 'Revolução colorida' voltou p'ra casa

EUA 2020 - 'Revolução colorida' voltou p'ra casa 

1/9/2020, Moon of Alabama


Ontem, o candidato do Partido Democrata à presidência, Joe Biden, foi autorizado a sair do porão onde vive e deixou-se ver num "evento de campanha" em Pittsburgh.


Imagem: Clique para ampliar


Eis uma das coisas curiosas que disse (vídeo):


"Covid tomou o ano todo, desde que surgiu, tomou mais que 100% do ano. Vejam bem, as vidas, é o que interessa, só isso, se você pensa bem."


Como Caitlin Johnstone comentou com sarcasmo:


Ainda bem que Obama interveio para empurrar o partido para bem longe de Bernie Sanders nas primárias... E evitou o perigo de o partido indicar candidato elegível.


Em sua fala, Joe Biden rejeitou a acusação de que - se eleito - implementará políticas apoiadas pela maioria dos Democratas:


"Não vou banir o fracking," - disse Joe Biden no discurso de Pittsburgh. - "Repito: não vou banir o fracking, não importa quantas vezes Donald Trump conte mentiras a meu respeito."

Um super PAC pró-Trump pagou a publicação de material de propaganda segundo o qual Biden quer banir o fracking.


O mesmo vale, claro sobre Medicare for All.

Biden também disse:


"Tumultuar não é protestar. Saquear não é protestar. Incendiar não é protestar."


Sobre essa fala, observou Kyle Kulinski :


Nenhum ser humano normal, nem que tenha só metade do cérebro, pensaria que Joe "lei anticrime" Biden seria a favor dos tumultos e saques. Mas agora, sim, Biden já está ressuscitando todo esse lixo.


E Alan MacLeod direto ao ponto:


Eleição EUA-2020 é o seguinte:

Equipe de Trump: "Biden é perigoso radical que dará saúde grátis, promoverá justiça racial e combaterá os bilionários."
Biden: "Prometo que nunca farei qualquer dessas coisas."


Biden assume posições políticas muito mais conservadores que a base de seu partido. Talvez obtenha alguns votos Republicanos, mas também é garantido que mais eleitores progressistas nem sairão de casa para votar ou votarão em candidato de algum terceiro partido.

À parte isso, é óbvio que Biden tem algum problema mental. É a razão mais provável de a presidenta da Câmara de Representantes Nancy Pelosi ter insistido que Biden não debata com Donald Trump:


A presidenta da Câmara de Representantes Nancy Pelosi sugeriu na 5ª-feira, que o ex-vice-presidente Joe Biden cancele os três debates agendados com o presidente Trump, porque o comandante-em-chefe "desmoralizará" o fórum e se comportará de modo enviesado e desonesto".

"Não me parece que deva haver debate algum" - disse Pelosi de repente, sem ser perguntada, durante conferência de imprensa no Capitólio. Disse que não quer que os debates sejam "exercício de falas enviesadas e desonestas".

"Nunca legitimaria qualquer conversa com ele, nem seria debate em termos da presidência dos EUA. Mas, sim, sei que a campanha de Biden tem opinião diferente da minha nesse tópico."


A campanha de Biden quer realmente três debates entre Biden e Trump:


"Desde que a comissão [dos debates] mantenha-se correta e precisa, como até aqui, debaterei, sim, com ele" - disse Biden, acrescentando que desmascarará ao vivo toda e qualquer mentira de Trump.

"Serei fiscal de fatos e desmascarador de mentiras, no palco, ao vivo, quando debater com ele" - acrescentou.


As citações acima demonstram que a tal estratégia de "fiscalizar fatos e desmascarar mentiras" aproxima-se muito, no caso de Biden, de suicídio político. Quantos mais forem os debates ao vivo entre Biden e Trump, mais Biden, senil e confuso, se perderá. Eis a que se resume, por enquanto, Joe Biden.

Os Democratas sabem disso. Estão preparando a bem conhecida tática de extrair alguma vitória da derrota provável. Como escrevemos em artigo sobre Bielorrússia há alguns meses:


Revoluções coloridas são disparadas, de modo geral, onde haja eleições muito disputadas. Os resultados são publicamente postos em dúvida, já antes de a eleição começar. Quando afinal os resultados aparecerem, as empresas da mídia ocidental dirão que divergem da expectativa criada pela própria mídia e, 'portanto', 'com certeza' são resultados forjados. As pessoas serão empurradas para as ruas, para protestar. Para aumentar o caos, alguns atiradores altamente treinados serão convocados para atirar contra a polícia e contra manifestantes (como foi feito na Ucrânia. A 'revolta' termina quando é abatida a tiros ou quando o candidato preferido dos EUA é posto no poder.


Se se substitui "preferido dos EUA" por 'fantoche favorito", logo se sabe como tal situação se desenrolará.

Democratas comandados por John Podesta, conselheiro de Hillary Clinton,  transformaram esses cenários em jogos de guerra. Relatório deles, intitulado "Transition Integrity Initiative" ["Iniciativa Transição [para a?] Integridade, presume, sem muito fundamento, que Trump roubará a eleição de novembro:


Como muitos líderes autoritários, o presidente Trump começou a lançar as bases para, potencialmente, ignorar ou distorcer o processo eleitoral, declarando, por exemplo, que votos por correio tenham sido fraudados e que seus adversários teriam tentado contar também votos de não cidadãos norte-americanos, mediante fraude. Também tem manifestado frequentemente a visão de que teria direito a mais um mandato presidencial, e que seus adversários tentam roubar-lhe a eleição.


Diana Johnstone examinou os detalhes do relatório. E concluiu que:


O cenário clássico de 'mudança de regime' envolve uma eleição contestada, manifestações de rua, incluindo desobediência civil e, por fim, intervenção militar.

Assim, para começar, os jogadores pressupõem um líder autoritário que não desistirá do poder. É Trump.

Em seguida, "show de gente nas ruas - e ações nas ruas - podem ser fatores decisivos para determinar o que o povo percebe como um resultado justo e legítimo."

Numa entrevista em que destacou "as falhas de nosso sistema eleitoral", Gilman, organizador do Transition Integrity Project disse que precisamos que "o povo esteja preparado para tomar as ruas em protesto não violento", no caso de as medidas 'oficiais' não bastarem.

"Aprendemos nos últimos poucos meses, desde que o Movimento a favor de Black Lives* realmente renasceu, depois do assassinato de George Floyd, que tomar as ruas e mostrar compromisso com algum processo democrático maior que apenas as urnas, é realmente importante para induzir a mudança de regime." As manifestações têm de ser não violentas - Gilman insistiu.

Em palavras do Transition Integrity Project, "a escala de manifestações recentes fez aumentar as chances de o Partido Democrata formar laços fortes com organizações de base e mostrar reação positiva às demandas do movimento."


Os Democratas estão preparados para contestar a eleição pelo maior tempo possível:


[Quando ainda era] Candidato presuntivo dos Democratas às eleições, Joe Biden disse a apoiadores na 4ª-feira à noite que sua campanha já montou equipe de 600 advogados para lutar contra esforços aos quais Biden prevê que o presidente recorrerá para limitar a participação de eleitores na próxima eleição presidencial.

O ex-vice-presidente fez essa declaração ao ser perguntado num evento para levantar fundos quais seus planos para enfrentar a "preocupação muito válida" de que o presidente tente impedir que eleitores votem.

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A equipe de 600 advogados, acrescida de 10 mil voluntários, estará presente em todos os estados, para verificar imediatamente se "há possibilidade de acontecer qualquer 'chicaneria'".


Há uma semana, Hillary Clinton ordenou a Biden  que não reconheça derrota na eleição "sob nenhuma circunstância"**:


[Clinton] disse que é possível que os resultados do dia da eleição esse ano mostrem Trump à frente, com pequena vantagem. Mas nesse caso, disse Clinton, "Joe Biden não deve, não importa quais sejam as circunstâncias, reconhecer a vitória de Trump, porque acho que a disputa vai-se arrastar."

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"Creio que [Biden] acabará por ser eleito, se não cedermos nem uma polegada e se formos tão insistentes e incansáveis quanto o outro lado" - disse Clinton.

A tarefa de 'preventivamente' semear dúvidas quanto ao resultado das eleições recaiu sobre uma empresa que trabalha para campanhas de candidatos Democratas:


Uma das grandes empresas de coleta e análise de dados que trabalham com os Democratas disse a "Axios on HBO" que é altamente provável que o presidente Trump 'pareça ter vencido' - inclusive, mesmo, por grande diferença - na noite da eleição, mesmo que, depois de contados todos os votos, veja-se que foi derrotado.

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Muitos mais Democratas que Republicanos votarão pelos Correios, por temor do coronavírus, e serão necessários vários dias, se não semanas, para contar todos os votos. Significa que Trump, dado que os Republicanos votam quase todos presencialmente, pode aparecer na noite da eleição com grande vantagem no voto popular e grande colégio eleitoral.

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"Quando todos os votos legítimos estiverem apurados e chegarmos ao final, o que acontecerá algum dia depois do Dia da Eleição, todos perceberão o que foi o final do Dia da Eleição: uma miragem" - disse Josh Mendelsohn, diretor da empresa, super Direitista pró-Biden [ing. "Hawkfish CEO Josh Mendelsohn"]. "Parecia que Donald Trump estava à frente, mas, depois que todos os votos foram apurados, ficou atrás."


Parece claro que os Democratas contestarão o resultado da eleição, se Joe Biden não alcançar maioria no colégio eleitoral. Se Trump vencer, adiarão qualquer solenidade de reconhecer a vitória, até que o último voto por Correios esteja apurado e estejam esgotados todas as vias e possibilidade de recurso ao judiciário. Esperam que, nesse período, a atenção das mídias tradicionais, o marketing nas mídias sociais e a ação de rua consiga desgastar suficientemente o apoio a Donald Trump.

Os Democratas já compraram uma câmara de eco que amplificará seja o que for que decidam usar como argumento:


O grupo Defeat Disinfo usará inteligência artificial e análise de redes para mapear a discussão do que diga o presidente nas mídias sociais. Trabalhará para intervir, identificando as contranarrativas mais populares e as amplificará em sua rede de mais de 3,4 milhões de 'influenciadores' em todo o país - em alguns casos, pagando para que usuários com muitos seguidores adotem as opiniões pró-Democratas.


As grandes empresas de tecnologia trabalharão a favor dos Democratas:


Facebook prepara medidas a serem tomadas no caso de Trump declarar erradamente, na respectiva página, que foi eleito para outro mandato de quatro anos - disseram informantes que pediram que seus nomes não fossem citados. As fontes também disseram que Facebook também está trabalhando em medidas a serem adotadas caso Trump tente invalidar os resultados e declare que os Correios perderam urnas ou que outros grupos alteraram o resultado eleitoral.


Ações de rua serão lançadas por grupos endinheirados:


As Fundações Open Society [Sociedade Aberta], grupo filantrópico mantido por George Soros, magnata das finanças, anunciou na 2ª-feira que está aplicando $220 milhões em esforços para promover a igualdade racial nos EUA, apoio financeiro considerável, que ajudará, por muitos anos no futuro, vários grupos americanos liderados por negros.

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Dos $220 milhões, a fundação investirá $150 milhões em dotações durante cinco anos para grupos selecionados, incluídas organizações progressistas e ainda em crescimento, como o Fundo Black Voters Matter e a igreja Repairers of the Breach -fundada pelo Rev. Dr. William J. Barber II, da Campanha do Povo Pobre (Poor People's Campaign). O dinheiro também ajudará organizações de negros pelos direitos civis, como a Iniciativa Justiça Igual (Equal Justice Initiative), fundada por Bryan Stevenson, advogado de direitos humanos e mostrada no filme "Just Mercy", de 2019.

As Fundações Open Society investirão outros $70 milhões em dotações locais para promover mudanças nas políticas e na justiça criminal. As dotações serão também usadas para financiar iniciativas que promovam o engajamento civil e criem bolsas de estudo e treinamento político para jovens.


Com tanto dinheiro em jogo, muita gente pode ser incentivada a tomar as ruas. Serão 'protestos pacíficos', mas podem acontecer tumultos durante esses 'protestos pacíficos', exatamente como aconteceu durante os últimos 95 dias em Portland e em muitos outros locais.

Os Democratas escolheram candidato fraquíssimo. Para ainda terem chances de reocupar a presidência, estão preparando uma estratégia semelhante à das revoluções coloridas usadas pela CIA já há décadas, contra governos estrangeiros não desejados.

Assim como armas e táticas de guerras que os EUA guerrearam no estrangeiro encontraram a trilha de volta às ruas de cidades dos EUA, as revoluções coloridas que os EUA tão aplicadamente construíram em outros países, estão agora voltando 'para casa'.

Não vejo qualquer sinal de que Trump conteste a eleição, no caso de o resultado ser claramente desfavorável para ele. Mas a disputa está, sim, apertada, e o resultado provavelmente será decidido em uns poucos estados ainda em disputa. Os Democratas estão dispostos a combater por cada um desses estados. Como pode Trump responder ao plano dos Democratas para vencer, com recursos de revolução colorida, custe o que custar, essa disputa muito acirrada pela presidência dos EUA?

A melhor política parece ser comprar a briga e expor a verdade da campanha dos Democratas.

Mas Trump é Trump e não terá a paciência indispensável para encarar a espera até os resultados finais. Trump e seus apoiadores muito provavelmente contra-atacarão com todos os meios que têm.

As ações de rua das últimas semanas nos EUA talvez, em retrospecto, nos pareçam a calmaria de antes da tempestade.*******

 


* Como nunca será demais anotar e fazer-ver, os especialistas em propaganda NÃO REPETEM O NOME DO MOVIMENTO CONTRA O QUAL ESTÃO LUTANDO. "Movimento por vidas negras" não é "BLM" nem é "Black Lives Matter", que são as marcas contra as quais os caras trabalham. No Brasil, a palavra q a esquerda liberal mais repete e ensina a repetir é "Bolsonaro"... [NTs].

** Veja também outro dos vários vídeos em que Hillary Clinton 'ordena' que "Joe Biden não aceite derrotaem nenhum caso, sejam quais forem as circunstâncias(28/8/2020, The Saker, para a Unz Review, em The Vineyard of the Saker, ing.) (NTs).

 

Foto: By Nilfanion - Created using User:jdorje/Tracks by Nilfanion on 2006-08-05. Background image from File:Whole world - land and oceans.jpg (NASA).Tracking data for storms is from the National Hurricane Center.[1], Public Domain, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=1023164

 

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Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey