Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey

Diplomata cubano fala do bloqueio econômico dos EUA contra Cuba

Diplomata cubano fala do bloqueio econômico dos EUA contra Cuba

Entrevista do jornal Brasil Popular com o Primeiro Secretário da Embaixada de Cuba no Brasil, Juan Pozo Alvarez.

Como o governo e o povo cubano enfrentam o bloqueio econômico dos EUA?

Em primeiro lugar, é bom lembrar que, em 3 de fevereiro de 1962, o então presidente dos Estados Unidos, Kennedy, assinou a ordem executiva  presidencial 3447 que implementou formalmente o bloqueio económico, comercial e financeiro imposta há 55 anos contra a vontade do povo cubano.

Reconhecido como o mais longo da história da humanidade, o bloqueio afeta todas as formas de desenvolvimento social, comercial, financeiro e econômico do nosso país. É uma violação flagrante, maciça e sistemática dos direitos humanos do povo cubano e é rejeitado no mundo.

Foi durante o Obama Administração, quando  um conjunto de medidas foram adotadas, para alterar a execução de alguns itens do bloqueio. Mas as medidas tomadas, até agora, pelos EUA nesta área, embora sejam positivas, ainda são insuficientes.

E bom dizer que na Conferência Naval de Londres, ficou definido como princípio do Direito Internacional que o "bloqueio é um ato de guerra", e, nessa base, o seu emprego é possível unicamente entre os beligerantes. Por esse motivo, o bloqueio contra Cuba é considerado como se fosse um ato de guerra. Mas um ato de guerra econômico.

Nesse contexto, Cuba mantém a sua firme posição que para normalizar totalmente as suas relações bilaterais, um conjunto de medidas deve ser eliminadas unilateralmente pelo governo dos EUA, incluindo a política criminal de bloqueio.

É possível estimar os prejuízos que os EUA causaram ao povo cubano destes 50 anos de bloqueio?

Os danos humanos que tem ocorrido são enumerais e sua duração no tempo, fez o mesmo insustentável e inumano também. Mais uma vez o impacto das sanções e dramático para a economia e a sociedade cubanas. E com toda certeza, não existe acontecimento em nossas vidas no qual não esteja presente seu impacto.

As sanções contra Cuba são cruéis e têm consequências muito desastrosas para a economia cubana e afetam duradouramente o bem-estar da população. Ainda não foi adotada nenhuma medida de envergadura para aliviar os cubanos deste estrangulamento econômico, que perdura há mais de meio século e que a comunidade internacional condena de modo massivo.

A partir das intervenções do atual presidente dos EE. UU, Donald Trump, houve um retrocesso em as falas acontecidas. A nova administração estadunidense ratifica a histórica obsessão norte-americana de hostilidade com Cuba, além do caráter extraterritorial e persecutório dessa posição irracional, que agora, durante o governo do presidente Donald Trump, recrudesce-se ainda mais, com o objetivo de asfixiar nosso país. Com certeza, trata-se de  uma a política cruel e genocida.

Quais os setores em Cuba que mais sofrem com o bloqueio econômico dos EUA?

Talvez seja o setor de saúde, uns de os quais sofre demais a aplicação rigorosa do genocida bloqueio econômico, comercial e financeiro dos Estados Unidos.

O efeito e incalculável sobre o roubo do cérebro em o sistema cubano de saúde pública e mão de obra qualificada neste setor, através de um programa chamado "Parole, somente para os  médicos cubanos". Este programa, criado em 2006, aplica-se apenas aos médicos e outro pessoal médico cubano, trabalhando em uma missão internacional fora de Cuba.

Certamente, nenhuma normalização total das relações será possível enquanto estiver em vigor esta política hostil.

Não obstante a resolução deste conflito assimétrico depende do poder executivo estadunidense, que dispõe das prerrogativas necessárias para suprimir boa parte da rede de sanções impostas à Ilha.

Como o povo brasileiro pode se solidarizar na luta do povo cubano contra este criminoso bloqueio dos EUA contra Cuba?

Neste contexto, a comunidade mundial reafirma seu compromisso com a Revolução Cubana, contra o bloqueio, e condenou as novas artimanhas planejadas pelo governo ianque contra nosso país.

O movimento brasileiro de solidariedade a Cuba e muito ativo. Pouco tempo atrás, celebrou a 23ª Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba, reunidos na cidade de Belo Horizonte, Estado de Minas Gerais. Foi uma excelentíssima oportunidade, na qual militantes de entidades de Solidariedade a Cuba no Brasil, representando 17 Estados mais o Distrito Federal, repudiaram a explícita hipocrisia da decisão unilateral do governo de os EE. UU, em romper cláusulas importantes previstas no acordo histórico para a aproximação entre Cuba e os Estados Unidos, firmado na administração do ex-presidente Barack Obama.

Nesse contexto, a solidariedade ratificou a solicitude de por fim do criminoso bloqueio econômico, financeiro e comercial imposto a Cuba, e que traz perdas irreparáveis ao governo e ao povo cubanos, perdas que obrigatoriamente deverão ser ressarcidas.

Para nós está claro que estas medidas tem o objetivo de retirar de Cuba o exemplo de um povo que resiste e luta para defender a sua soberania.

O Presidente Trump, ignora e desrespeita a última votação histórica da 71ª Assembleia Geral da ONU, ocorrida em 2016, na qual 191 países, dos 193 membros da ONU, se posicionaram contra o bloqueio a Cuba, e pela primeira vez, com a abstenção de seu pais e de Israel.

Como toda certeza, com o movimento brasilense temos uma histórica e irrompível irmandade e solidariedade entre nossos povos, que é  de longa data. O povo cubano não pode esquecer a solidariedade com os cinco heróis cubanos, cuja missão foi impedir que atos terroristas como o de Barbados continuassem ocorrendo.

O movimento soma vozes às de todos os democratas do mundo exigindo o fechamento da base de Guantánamo e que cessem imediatamente as violações aos direitos humanas ali praticadas contra presos indefesos. Quem viola os direitos humanos são os Estados Unidos e não Cuba. Além disso, desaprovam as campanhas midiáticas contra Cuba, assim como o bloqueio genocida aplicado contra o povo cubano por parte do imperialismo estadunidense.

Hoje em dia, o movimento tem 19 organizações de solidariedade, de 39 movimentos sociais e partidos políticos de todos os Estados brasileiros, além do Grupo Parlamentar de Amizade Brasil-Cuba. Nossos irmãos estão dispostos a intensificar a solidariedade ao povo cubano. Somos povos irmãos, com sangue latino. Temos muito que agradecer a apoio do movimento brasilense e temos a certeza que daqui pra frente vai ser ainda maior, e que podem contar com o povo cubano, hoje e sempre. Nunca vamos esquecer as mostras da solidariedade.