Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey

O G-20 Juntos no Combate à Crise Econômica Global

Paulo Galvão Júnior*

O Grupo dos Vinte (G-20) é um grupo formado inicialmente pelos Ministros das Finanças e Presidentes dos Bancos Centrais das 19 maiores economias do mundo mais a União Europeia (UE), representada no grupo pelo Presidente do Banco Central Europeu.

O G-20 foi estabelecido em 15 de dezembro de 1999, em Berlim, Alemanha. O G-20 reúne os principais países ricos e os principais países emergentes do planeta para discutir assuntos da economia global. Após as sucessivas crises financeiras nos países emergentes (Crise do México em dezembro de 1994, Crise Asiática em julho de 1997, Crise da Rússia em agosto de 1998 e a Crise do Brasil em janeiro de 1999), ocorreu em 2000 a Cúpula do G-20, em Montreal, Canadá. Já em 2001, ocorreu a Crise da Turquia em janeiro e a Crise da Argentina em setembro. A Cúpula do G-20 em Ottawa, Canadá, foi em 2001.

Os 19 países (África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, EUA, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia e Turquia) juntos compreendem 75,3% do Produto Interno Bruto (PIB) global, 60,7% da população mundial e 51,8% da área de terras emersas da Terra.

Já os 19 países mais a UE (atualmente com 27 países membros) produziram um PIB de US$ 54,790 trilhões PPC (paridade do poder de compra) em 2007, ou seja, detém 84,4% do PIB global; reúnem 4,447 bilhões de habitantes, ou seja, 64% da população mundial; e somam 80,6 milhões de km2, isto é, 53,8% da área territorial do mundo.

Em 14/11/2008, em Washington, EUA, pela primeira vez, os Chefes de Estado e de Governo dos países ricos e emergentes e da UE se reuniram e não somente os Ministros das Finanças e Presidentes dos Bancos Centrais. Esta inédita cúpula do G-20 foi o início da reforma do mercado financeiro internacional e da economia mundial. As principais metas foram: melhora da regulação e fortalecimento da transparência do mercado financeiro e reforço na cooperação internacional.

Em Pittsburgh, no Estado da Pennsylvania, nos EUA, ocorreu entre 24 e 25 de setembro de 2009 a Cúpula do G-20. Os líderes de 19 países e o líder da UE (presidente do Conselho Europeu) revisaram o progresso feito em relação às últimas Cúpulas de Washington em novembro de 2008 e de Londres em abril de 2009 e juntos discutiram ações adicionais para assegurar uma recuperação sã e sustentável diante da crise financeira e econômica global, iniciada em 15 de setembro de 2008, com a falência do banco de investimentos Lehman Brothers nos EUA.

Os líderes do G-20 chegaram a um acordo histórico, o centro dos esforços é para juntos trabalhar e construir uma recuperação econômica durável, evitando as fragilidades financeiras que conduziram à crise econômica global. Os países do G-20 precisam construir uma economia mundial mais forte, mais equilibrada (leia-se um aumento da poupança americana e do consumo chinês), reformar o sistema financeiro internacional, melhorar a qualidade de vida do cidadão mais pobre, diminuir a emissão de gases de efeito estufa e criar um fundo de combate à mitigação dos efeitos do aquecimento global (secas, enchentes, furacões, tufões, tempestades, elevação dos mares etc.).

Nove países ricos, 10 países emergentes e a UE chegaram a um consenso em Pittsburgh sobre os princípios para reequilibrar o crescimento da economia mundial. O G-20 será o principal fórum de debate da economia global; dará mais influência e poderes aos países emergentes como China, Índia e Brasil no FMI e no Banco Mundial; adotará regras mais rígidas de regulamentação sobre bancos e outras empresas financeiras e uma supervisão maior sobre os mercados de futuros e derivativos – que deram origem a maior crise econômica global, desde a Crise de 1929, que gerou a Grande Depressão dos anos 30 – para que não se repita crises semelhantes no futuro.

Uma das principais características da economia capitalista mundial é o surgimento de crise. As crises econômicas mundiais são cíclicas e obstáculos ao crescimento econômico acelerado dos países e a maximização de lucros das empresas, provocando a falência ou a inadimplência de inúmeras empresas e aumentando o desemprego, a pobreza e a violência. O G-20 se reunirá duas vezes por ano e debaterá os rumos do capitalismo globalizado tardio. Parafraseando outra obra do economista Ernest Mandel: Fim da Crise Econômica Global ou Crise Econômica Global Sem Fim?

A crise econômica global foi superada apenas pelo programa nuclear do Irã nas entrevistas de líderes do G-20 em Pittsburgh. É muito alta a proporção dos gastos militares sobre o PIB em vários países do G-20. Desde 20/03/2003, a Guerra do Iraque provocou mais de quatro mil militares americanos mortos e mais de 30 mil feridos. Estima-se em mais de 654 mil mortos entre os iraquianos nos últimos seis anos. Hoje, o Presidente dos EUA, Barack Hussein Obama, ganhou o Prêmio Nobel da Paz 2009, porque decretou o fim da Guerra do Iraque e estabeleceu uma agenda não apenas de retirada das tropas americanas, mas de construção dos alicerces necessários para uma democracia sustentável no país árabe. Barack Obama discutiu os rumos da Guerra do Afeganistão (chamo atenção que a República Islâmica do Afeganistão está em penúltimo lugar no ranking mundial do IDH, com apenas IDH de 0,352 em 2007) que já dura oito anos com quase 800 militares americanos mortos e o número de mortos civis afegãos a cada ano aumenta ainda mais desde 7/10/2001.

O G-20 Juntos no Combate à Crise Econômica Global
O G-20 Juntos no Combate à Crise Econômica Global
Barack Obama ajudou nos esforços de solução do conflito no Oriente Médio entre a Palestina e Israel. E, sobretudo, Barack Obama cancelou a instalação de sistemas de defesa antimísseis na Polônia e na República Tcheca e retomou com o Presidente russo Dmitry Medvedev “um curso transparente e irreversível de redução de armamento”, aprofundando os diálogos à não-proliferação nuclear com a Federação Russa.

Observando os principais indicadores dos 19 países que compõem o G-20, percebemos muitos contrastes entre nações ricas e nações emergentes. Os EUA são o país mais rico do G-20 e do mundo, com o PIB de US$ 13,8 trilhões PPC (paridade do poder de compra), mas a África do Sul é o país mais pobre do G-20 e o mais rico da África, com 467,3 bilhões de dólares PPC (ou seja, ajustado pelo dólar PPC, método que elimina as diferenças de custo de vida entre os países), segundo dados de 2007 do FMI (Fundo Monetário Internacional).

A China é a nação mais populosa do G-20 e do mundo, com 1,3 bilhões de habitantes, porém a Austrália é a nação menos população do G-20 e a mais populosa da Oceania, com 21,2 milhões de habitantes, segundo o Banco Mundial.

A Rússia é o maior país do G-20, do mundo e dos 10 países emergentes do G-20, com 17,0 milhões de km2, todavia a Coreia do Sul é o menor país do G-20 e dos nove países ricos que compõem o G-20, com apenas 100 mil km2. A Coreia do Sul é frequentemente classificado como país desenvolvido, devido aos grandes investimentos em educação.

O PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) recentemente divulgou o novo ranking mundial do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) no Relatório do Desenvolvimento Humano 2009, Ultrapassar Barreiras: Mobilidade e desenvolvimento humanos. A Austrália tem o melhor IDH do G-20 e o 2º do mundo, com 0,970 em 2007, enquanto a Índia tem o pior IDH do G-20, com 0,612, segundo dados recentes do PNUD.

Hoje, o IDH da Rússia (0,817) é maior do que o IDH do Brasil (0,813), ou seja, a Rússia é agora o melhor IDH entre os BRICs. Antes era o Brasil. Outra mudança muito importante, o PNUD agora divide os países em IDH Baixo, IDH Médio, IDH Elevado (IDH entre 0,800 e 0,899) e IDH Muito Elevado (IDH a partir de 0,900). Esta mudança começou este ano, logo, Argentina (0,866), México (0,854), Arábia Saudita (0,843), Rússia (0,817), Brasil (0,813) e Turquia (0,806) são países de desenvolvimento humano elevado, segundo o PNUD. Já a Austrália (0,970), Canadá (0,966), França (0,961), Japão (0,960), EUA (0,956), Itália (0,951), Reino Unido (0,947), Alemanha (0,947) e Coreia do Sul (0,937) agora são países de desenvolvimento humano muito elevado.

Cabe observar que o G-20 tem nove países de IDH muito elevado, seis países de IDH elevado e quatro países de IDH médio (IDH entre 0,500 e 0,799), logo nenhum país de IDH baixo (IDH abaixo de 0,500). Os países de desenvolvimento humano médio do G-20 são: China (0,772), Indonésia (0,734), África do Sul (0,683) e Índia (0,612). O grupo CIAI é uma sigla formada pelas iniciais em português de países do G-20 que ainda não são aceitos no grupo de países de desenvolvimento humano elevado. Requerem grandes investimentos em saúde os dez países emergentes do G-20, sobretudo do grupo CIAI.

Como os dados do PNUD são do ano de 2007, eles não absorvem os impactos negativos da crise econômica global, iniciada em setembro de 2008. No próximo Relatório do Desenvolvimento Humano do PNUD, os novos IDHs revelaram as melhorias ou principalmente os declínios na qualidade de vida entre os 19 países membros do G-20.

De acordo com os dados recentes do PNUD, o Japão tem a maior esperança de vida ao nascer do G-20 e do mundo, com 82,7 anos em 2007, e a África do Sul tem a menor expectativa de vida ao nascer do G-20, com 51,5 anos, em outras palavras, um japonês vive 31,2 anos a mais do que um sul-africano.

Cabe observar também que no G-20 tem cinco países (Japão, Austrália, Itália, França e Canadá) com esperança de vida ao nascer maior do que 80 anos; 11 países (Alemanha, Reino Unido, Coreia do Sul, EUA, México, Argentina, China, Arábia Saudita, Brasil, Turquia e Indonésia) com expectativa de vida ao nascer maior do que 70 anos; dois países com esperança de vida ao nascer menor do que 70 anos (Rússia e Índia) e apenas um país (África do Sul) com expectativa de vida ao nascer menor do que 60 anos.

Constatamos que a República Federativa do Brasil é a nona economia do G-20 e do mundo; é o 5º país mais populoso e mais extenso do G-20 e do planeta; tem IDH elevado (14º lugar no ranking do G-20) e esperança de vida ao nascer de 72,2 anos (14ª posição no ranking do G-20). O Brasil é um país emergente, é o 3º maior exportador agrícola do mundo (atrás apenas dos EUA e da UE) e sede da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016.

É visível a motivação, a mudança e o otimismo na cooperação econômica do G-20 e na construção de soluções eficazes para enfrentar os graves problemas econômicos, sociais e ambientais do mundo. É fundamental um pacto global para um crescimento vigoroso, sustentável e equilibrado da economia com uma nova ordem mundial. Os líderes do G-20 estão juntos no combate à crise econômica global. Enfim, a próxima cúpula do G-20 será na Coreia do Sul em 2010.

*Economista, Especialista em Gestão de RH e Autor do Livro Digital de Economia intitulado RBCAI. E-mail: paulogalvaojr@bol.com.br