A cúpula da América do Norte

Yeanny González Peña

Caso de Honduras relegado em Cúpula da América do NorteMéxico, 11 ago. (PL) - A Cúpula da América do Norte relegou o caso de Honduras ao antepenúltimo parágrafo de sua Declaração Final, após a arremetida do presidente Barack Obama contra os que exigem dos Estados Unidos uma postura firme a respeito. Sobre esse simples tema, "os três amigos", como se fazem chamar os mandatários do México, Felipe Calderón, dos Estados Unidos, Barack Obama, e o primeiro ministro do Canadá, Stephen Harper, se limitaram a dizer que apóiam a liderança da Organização dos Estados Americanos (OEA).


De igual modo, a declaração confia no estancado processo mediador do mandatário costarriquenho Oscar Arias, que promove a restituição do presidente Manuel Zelaya, mas sem poder nenhum.


"Respaldamos os esforços que atualmente desenvolve a OEA para encontrar uma solução pacífica à crise política; uma resolução que restaure a governabilidade democrática, o Estado de Direito, e que respeite os direitos de todos os hondurenhos", expressa o texto.


Mais além dessas afirmações e em que pese a pressão internacional para que os Estados Unidos assumam uma posição clara sobre o assunto, na conferência de imprensa conclusiva da cúpula de Guadalajara, Obama chamou de hipócritas os que afirmam que seu governo não faz os esforços necessários para que Zelaya recupere o cargo.


São "os mesmos críticos que dizem que sempre estamos intervindo e que os ianques devem sair da América Latina. Si esses críticos pensam que repentinamente deveríamos atuar de uma maneira que em qualquer outro contexto lhes pareceu mal, isso indica que quiçá há certa hipocrisia em seu enfoque", alegou.


Com essa análise, tornou óbvias as denúncias que sinalizam a intromissão desse país no golpe de Estado na nação centro-americana.
A Chanceler hondurenha Patricia Rodas afirmou recentemente que os Estados Unidos, mediante seu outrora embaixador em Tegucigalpa John Negroponte, começou a gestar o golpe em seu país nos anos 80.


Em entrevistas ao diário La Jornada, Rodas expressou que o embaixador dos Estados Unidos em Honduras de 1981 a 1985 e o governo de Ronald Reagan são os criadores das forças golpistas.


Informou que, no dia da assomada, no hotel Plaza San Martín, em Tegucigalpa, se hospedou ,sob um nome falso, Roberto Carmona, sócio de Otto Reich, que foi subsecretário de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental nos tempos do presidente George W. Bush. Também chegou à cidade, Billy Joya, um sicário da década de 80, responsável de incontáveis violações dos direitos humanos, indicou.


Al esclarecer esses fatos, Rodas sentenciou que a ruptura da democracia e do estado de direito em Honduras representam um enorme desafio para o chefe da Casa Branca e pelo compromisso assumido por ele em Trinidad Tobago, ao prometer uma nova era nas relações de Washington com a América Latina.


Em sua recente visita ao México, Zelaya declarou a Prensa Latina que, se Washington tivesse a vontade de apoiar o regresso da constitucionalidade à nação centro-americana, o regime de fato não duraria cinco minutos. Explicou que o encerramento por parte da Casa Branca da atividade comercial, militar e migratória debilitaria irremediavelmente o Executivo ilegítimo.


Sem embargo, as considerações de Obama em Guadalajara não incluíram uma proposta concreta para a solução da crise no país centro-americano, tampouco as de Harper ou Calderón, que não foram mais além de propor a constituição de um "Grupo de Amigos de Honduras" que contribua para a normalização da democracia nesse país.


Pelo contrário, o documento de 10 parágrafos se detém em temas como a competitividade global da região, a segurança, e os laços cada vez mais profundos que constituem uma fonte de fortaleza para que os retos e oportunidades num país da América do Norte impactem a todos. "Temos a segurança de que trabalhando juntos podemos ajudar nossas sociedades a prosperar no desafiante, competitivo e promissor século que temos por diante", sublinha.


Para o México, o futuro não é tão esperançoso como expressa o texto. Apesar das reclamações da cidadania e das gestões de seu presidente, Obama se negou a falar de uma renegociação do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (TLCAN), e Harper descartou revogar a medida de imposição de visto aos mexicanos.


O TLCAN é considerado pelos analistas o mais brutal acordo econômico imposto ao México, mas frente a sua economia sangrando com a crise e a influenza A(H1N1), a Casa Branca prefere estabilizar as finanças antes que discutir sobre novas negociações comerciais. Tampouco se falou de uma reforma migratória, desejada pelo povo deeste país, representado pelos manifestantes que se acotovelaram nas aforas do recinto de Guadalajara onde se celebrou a cúpula de dois dias, para reclamar ser escutados.


A respeito, Obama se limitou a prometer um projeto de lei sobre o tema para finais de 2009, e ainda advertiu que este encontrará forte resistência de parte de alguns políticos em Washington. Sim, se falou de uma modernização da fronteira onde a cada ano morrem centenas de latino-americanos tratando de chegar à nação estadunidense. Além disso, a declaração sublinha a cooperação dos três países no combate ao vírus Influenza, e as medidas para enfrentar um possível rebrote na temporada invernal.


Reconhece que a mudança climática é um dos maiores e mais urgentes desafios dos tempos atuais, que têm Estados Unidos e México entre os principais emissores de gases tóxicos na atmosfera. Sobre segurança, se comprometem a outorgar aos povos maiores garantias, com o combate ao narcotráfico alentado pelo próspero mercado estadunidense, nação que impulsiona a luta contra esse mal sempre que seja fora de seu território.


Por último, disseram reconhecer a participação na tomada de decisões da cidadania, que, não obstante foi silenciada quando simplificaram a análise de suas principais reclamações. Sob um forte esquema de segurança, Obama abandonou a sede do encontro minutos depois de concluída a a reunião de cúpula, deixando para trás temas cruciais para o destino de seus vizinhos. Com sua partida, desapareceu a invasão de agentes do Serviço Secreto, que durante os últimos dias se encarregaram de todos os detalhes de segurança para garantir a estadia em Guadalajara do inquilino da Casa Branca.

Fonte: Prensa Latina

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Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey