Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey

O mundo deve unir-se contra os EUA

A retórica anti-Russa que rola pelas línguas fora dos membros sênior do regime de Bush, e a contínua histeria anti-Russa que sai da base de campanha McCain-Palin, apontam para a existência de um demónio à espera de se mostrar num país que parece adorar conflitos e perpetuar a existência do clique sedento pelo poder, pela manipulação do medo.

A posição agressiva tomada contra a Rússia por Condoleeza Rice, Richard (Dick) Cheney, John McCain e Sarah Palin (e naturalmente o próprio George W. Bush, embora a ele se tem que lhe dar um desconto) depois das suas forças americanas ajudarem as forças armadas da Geórgia no acto assassino de agressão contra os russos na Ossétia do Sul (além de planejar um ataque semelhante contra os russos que vivem na Abcázia) é, mais do que o sentimento de fúria pelo lado que perdeu e que foi absolutamente humilhado pelo tamanho da vitória da Rússia, uma amostra valiosa da alma daqueles que controlam Washington, seja eles burros (símbolo do Partido Democrata) ou elefantes (Republicanos).

O lançamento da doutrina de Bush

Os eventos no “9/11” deram a Washington uma oportunidade maravilhosa de lançar a doutrina de Bush, que não é mais nem menos do que a doutrina Rumsfeld/Cheney - anti-Rússia, pro-lobby de energia. Enquanto os Democratas com Presidente Obama apresentam uma possibilidade real de refrescamento, de mudança real - diálogo entre os membros da comunidade internacional, debate e discussão com o Conselho de Segurança da ONU sendo usado como o devido fórum para a gestão de crises, e não guerras e atos unilaterais de chacina baseados em mentiras, o “acampamento” de Obama viu-se obrigado a aceitar a imposição de Joe Biden como Vice-Presidente … e o que Biden representa, a saber, uma continuação da política externa de Washington.

Esta política externa procura isolar a Rússia enquanto os contratos na área da energia são assinados com ex-membros da União Soviética e enquanto Washington considera com olhos de avidez as regiões ricas em gás natural e petróleo nas fronteiras da Rússia. Mullah Omar, do Afeganistão, recusou permitir que os EUA construísse um gasoduto através do seu país em troca de biliões de dólares, e declarou ainda nos anos 90 (antes do 9/11) que soube que Washington inventaria uma razão para invadir - isso, depois de criar o Mujaheddin para desestabilizar um país com um governo socialmente progressivo que queria ter a oportunidade de distribuir a riqueza entre seu povo.

Os tentáculos do Império do Mal espalham-se pelo globo

Contudo é não somente na Rússia onde os tentáculos do Império do Mal são vistos e sentidos. Após décadas de um bloqueio cruel e criminoso contra o povo heróico da Cuba, uma tentativa falhada de um golpe de estado na Venezuela, seguido por uma revolta armada na Bolívia, países onde os governos juraram distribuir os recursos naturais do país entre os povos, são sinais claros que todas as estradas más conduzem a Washington, onde a fonte do fedor se encontra. Não são as pessoas em que Washington está interessado, mas sim seus recursos.

E a mesma doutrina e políticas podem ser seguidas onde quer que Washington esteja através do globo, desde a sustentação de regimes criminosos, assassinos e fascistas na África e Ásia… até a Europa, onde os fantoches da OTAN - “aliados" - são jogados com e manipulados, tiranizados e amimados com diplomacia do tipo “cenoura e vara”, sendo os Balcãs a arena onde Washington joga, dividindo e regendo. Os líderes de Europa olham a Washington como um amigo e um aliado contudo em Washington, o Estabelecimento deve rir à gargalhada por causa do servilismo hipócrita e humilhante dos líderes da OTAN.

O problema não é a Rússia 

Então o problema não é a Rússia. A única coisa que a Rússia queria sempre era a paz, e empenhar-se em laços internacionais baseados na colaboração, cooperação, relações culturais, desportivas e numa palavra só, amizade. O quê é que a Rússia deveria fazer no caso do Afeganistão, quando viu - com horror - a libertação do Demônio pela CIA nos madrassah de Paquistão, nomeadamente a formação, financiamento e cumplicidade com os Mujaheddin, que se transformaram depois nos Talebaan e o lançamento do terrorismo internacional?

A Rússia inventou mentiras e invadiu o Iraque? A Rússia quebrou a lei internacional, reconhecendo Kosovo? Não foi a Rússia eternamente paciente com o Geórgia apesar do fato que este país não realizou referendos em Abcázia e em Ossétia do Sul de acordo com a sua obrigação sob a Constituição soviética, que assinou, a Rússia não procurou uma solução que agradasse a todos os intervenientes durante quase duas décadas? E o quê é que a Rússia poderia fazer quando Tblissi e seus mestres dos E.U.A. lançaram seu ato da chacina, transformando Tskhinval num inferno na noite de 7/8 de Agosto? Colocar sua mão no peito e cantar Deus abençoe a AmériKKKa?

Rússia, consequentemente, não é o problema, mas sim a solução

Moscovo representa um aliado estável com uma economia forte baseada em fundamentos fortes, não o sistema monetarista capitalista idiota patrocinado por Washington, onde os mercados são controlados de perto por uma pequena associação de elitistas ricos e onde os fundamentos são constituídos pelo jogo e pela especulação. Então, depois imaginem quem paga as contas? Os ricos ou os que lutam pela sobrevivência através do seu trabalho? Moscovo representa um mundo baseado em relações fraternais, que usam os princípios de debate, de discussão e de diálogo entre a fraternidade das nações, no Conselho de Segurança da ONU, num mundo que vive, feliz, na estabilidade económica, que vive na amizade e paz, duas palavras que iriam sufocar as gargantas daqueles que controlam Washington.

O caminho pela frente

Apesar do comportamento grosseiro de Washington como um execrável pirralho estragado de mimos, gritando, dando ponta-pés, mordendo, e sendo geralmente insolente, desagradável e extremoso, os corações e mentes do os membros inteligentes da comunidade internacional não odeiam todos os norte-americanos. As pessoas são pessoas. As lágrimas sabem a sal e todos nós preferimos chorar lágrimas de felicidade. O caminho pela frente é que alguém em Washington efectue mudança real, não apenas na maneira em que as coisas são feitas internamente no Estados Unidos da América (isso pertence a eles, e a eles só) mas também, e fundamentalmente, numa atitude fresca e nova nas relações internacionais num mundo cada vez mais globalizado.

Introduzir pessoas como John McCain e Sarah Palin não vai fazer nada no sentido de abrir a janela e refrescar o ar após oito anos de fedor das políticas criminosas assassinas do regime de Bush-Cheney-Rumsfeld (lá por trás)-Rice. McCain representa uma continuação da política que pendure demónios perante os olhos do povo norte-americano, baseando a apresentação das políticas na manipulação do medo. Diz que a Sarah Palin é uma boa escolha porque é Governadora do Alaska, e esse estado está próximo à Rússia. Não tem graça nenhuma. Se não fosse tão perigoso um palhaço deste calibre apresentar-se para a presidência de um do mais poderosos países do mundo, seria totalmente patético. Quanto à Palin – o que acontece se McCain morrer?

A mudança fundamental que a comunidade internacional precisa para tomarmos juntos nossos primeiros passos no terceiro milénio - como amigos, e não perpetuando rixas velhas e animosidades antigas, tem dois nomes: Barack Obama, não Biden. Biden pode passar os primeiros quatro anos da sua vice-presidência a ver o que acontece, enquanto o Presidente Obama, esperemos, faz o suficiente para garantir um segundo termo em que execute realmente as suas políticas. Nós temos um sonho.

Até lá, Washington continuará a ser um pirralho beligerante que precise de uma tareia das antigas, antes de ser atirado sem cerimónias para a rua, onde pertence.

Timothy BANCROFT-HINCHEY
PRAVDA.Ru