Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey

Movimento de Independência do Alasca

Há muitos potenciais “Kosovos” na comunidade internacional – grande número destes dentro dos Estados Unidos da América, o grande propulsionador da independência daquela província da Sérvia. Nos EUA, o povo Lakota reclamam seus direitos sobre uma grande área no norte do país, os povos da Aztlán reclamam a independência do sul e hoje, o Movimento de Independência da Alasca apresenta seu caso na PRAVDA.Ru

"Os partidos políticos, quer republicanos, quer democratas, dominam desde Washington, D.C., e não entendem muito bem as questões políticas e oportunidades num país árctico e subárctico."

Walter J. Hickel
"Eu sou Alascano, não Americano. Quero lá saber da América e o raio das suas instituições."

Joe Vogler

Entrevista com Lynette Clark, Presidente, Alaskan Independence Party (AIP)


1. Quais foram as estratégias e ideias apresentadas na recente convenção da Alaskan Independence Party?

Os membros da AIP votaram a favor de apoiar o caso de criar um Estado que o fundador, Joe Vogler, tinha preparado, e apresentar o mesmo à ONU para uma revisão internacional compreensiva.

2. Há progresso sobre a organização de um referendo sobre a secessão?

Algum, sim, neste momento. A liderança do AIP acredita na necessidade da consciencialização da população do Alasca quanto a este capítulo na sua história e estamos empenhados nesse esforço. Será necessário ter um público informado na altura.

3. Poucas pessoas sabem dos pormenores do processo quando Alasca se tornou um Estado dos EUA. Poderia contar aos nossos leitores sobre como foi negado o direito a um voto sobre a secessão no Alasca? No seu website, diz “a votação era corrupta e os residentes não tiveram a escolha sobre a constituição de Estado ou Comunidade Associada ou separação total, que foi concedido a outros territórios dos EUA como Puerto Rico”.


Os direitos dos Alascanos, como residentes de um Território Não Autónomo foram protegidos por muitas Resoluções da Assembleia-Geral da ONU. O Governo dos EUA tinha a obrigação de garantir o exercício d’ “o direito do povo e nações a auto-determinação”. A população do Alasca nunca teve a hipótese de fazer a votação mais importante das suas vidas. Aos alascanos nativos não foi permitido votarem porque a maioria não sabiam ler ou escrever em inglês e enquanto o resto da população tentava fazer sentido daquilo que passava, o Governo dos EUA encorajou os 41.000 pessoal militar e 36.000 dos seus dependentes a “ajudar” aos alascanos e votar “sim” e tornar-se um Estado dos EUA.

Com 40.000 votos a favor de sermos Estado e 8.000 votos contra, não é difícil ver que a votação foi corrupta. Alasca não foi diferente das outras colónias – os argelinos não se consideraram parte da França, os líbios não se consideraram parte da Itália e os alascanos não se consideraram parte dos EUA. Dentro do estabelecido pela Lei Internacional e práticas políticas da altura, teria sido natural que os alascanos votassem pela Independência e não ficar “armazém colonial dos recursos naturais para servir de combustível pelas fábricas dos EUA”.


4. Acha que a recente declaração pelo povo Lakota a favor da Nação Lakota possa ter influência?

Enquanto as colónias na América Latina, Ásia e África atingiram a liberdade, os povos e tribos na América do Norte ainda lutam pela Independência. Mas os tempos estão a mudar e as pessoas que sofriam injustiças nas mãos dos seus mestres coloniais norte-americanos fazem ouvir as suas vozes. Tomando em consideração a recente história deste país, não esperamos uma solução rápida e fácil provindo de Washington DC e por isso estamos preparados a usar meios não violentos para atingir nossos objectivos – pedindo um Inquérito Nacional quanto ao estatuto ilegal de Votação pelo Estado do 26 de Agosto de 1958 e um voto livre para os alascanos determinarem seu próprio futuro.

5. Pode explicar o que é um Território Não-Autónomo e como isso levará à Independência?

Os territórios colonizados antigamente reclamados pelas Nações Signatárias da ONU tinham o estatuto de Trusts ou Território Não-Autónomo. Visto que a população indígena não tinha as instituições políticas e administrativas necessárias para governar o território, os poderes colonizadores tinham de providenciar serviços à população. Em tempo, com a população a progredir no sentido de constituir uma sociedade funcional, demonstrando a capacidade de auto-governação, os Trustees foram obrigados a garantir que o povo decidisse sobre a sua própria forma de Governo/Governação. AIP esperaria, e as regras da ONU iteram, que o Governo dos EUA facilitasse uma votação para 1) permanecer um Território dos EUA, 2) constituir uma Nação separada e Independente, 3) aceitar o estatuto de Comunidade Associada (com os EUA) ou 4) tornar-se num Estado dos EUA. O Governo dos EUA não agiu de boa fé e assim conduziu o processo de forma que Alasca ficasse parte da União.

6. O que espera como resultado de auto-determinação? E que papel tem a Constituição dos EUA neste processo? O que acontecerá na área de tributação federal?

O povo do Alasca é “dono da sua própria casa” e tem o direito de decidir sobre seu próprio futuro. Considerando os nossos recursos naturais e o carácter único dos alascanos, o melhor e mais lógico seria a Independência total. Temos o maior respeito pela Constituição dos EUA e a maioria dos alascanos consideram-na um documento inspirada por Deus e dqueria mantê-la como Lei. AIP opor-se-ia a qualquer forma de tributação repressiva e todas as despesas seriam legisladas de acordo com os rendimentos da Nação.

7. Prevê estabelecer relações com outros países?

Como diz o Burlington Declaration, documento adoptado durante a Primeira Convenção Secessionista da América do Norte em 2006: “Nações que foram independentes deveriam ter relações pacíficas, comerciais, de boa vontade e amizade aberta com todas as nações.” Estamos preparados para manter boas relações com os EUA enquanto desenvolvemos laços comerciais com os nossos vizinhos: Canadá, Rússia, Japão e China. Trocas c omerciais livres são marca de qualquer Nação soberana.


8. Qual foi a reacção dos dois partidos principais e seus líderes?

Frequentemente tentam marginalizar ou ignorar-nos. Contudo, também apelam aos nossos membros, para os apoiar. De forma geral, contudo, AIP é respeitado e nossa história é conhecida.


9. Pode explicar a referência a “uma elite política”?

Por exemplo, foi concordado durante a Segunda Convenção Secessionista da América do Norte em 2007, que o poder das corporações colocam em perigo a liberdade tanto como o poder do Governo, especialmente quando se combina como no Império Americano.

Hoje, em vez de promoverem os interesses do povo americano, os políticos em Washington DC promovem os interesses das Corporações Internacionais avarentas. Por isso acreditamos que o poder deve estar nas mãos do povo e não com a elite em Washington DC.

10. Quais são as leis internacionais que estão a utilizar para apoiar as suas reivindicações?


Assembleia-Geral, Resolução 637, 16/12/1952, (VII), considerando o Direito dos povos de auto-determinação e há um direito humano básico que o fundamenta: “3. Os Estados Membros das Nações Unidas responsáveis pela administração de Territórios Não Autónomos e Territórios Trust tomarão os passos práticos, no sentido da realização da auto-determinação e na preparação desta, de garantir a participação directa dos povos indígenas nos organismos de governo legislativos e executivos nestes territórios e prepará-los para plena auto-governação ou independência”.


O Governo dos EUA negligenciou por completo as suas responsabilidades perante o povo do Alasca, que a ONU considerou Território Não-Autónomo e nada fez para informar os alascanos sobre seus Direitos sob esta Resolução. Permitindo ao pessoal militar dos EUA e seus dependentes votar sobre o estatuto do Alasca em 26/08/ 1958, o Governo dos EUA forçou sua vontade sobre os alascanos. Acreditamos que todas estas acções do Governo dos EUA tornam ilegal a votação sobre o estatuto do Alasca em 1958 e que Alasca deveria reter o estatuto de Território Não-Autónomo.


11. Já apresentou o seu caso à ONU. Já teve resposta deste organismo ou da comunidade internacional?

Precisamente quando Mr. Vogler tinha a carta na mão a confirmar contacto da ONU, foi raptado e assassinado. Começamos outra vez na estaca zero.


12. Pode expandir na afirmação oficial que referiu os EUA e o roubo de recursos naturais no Alasca?


O fundador do AIP Mr. Joseph E. Vogler, descreveu a situação da melhor maneira: “Uma economia alascana (financiada por royalties sobre petróleo e impostos) quase não existe, tirando o petróleo e a função pública. Não permitem que processemos nosso petróleo antes de o enviar aos EUA e como referimos antes, eles ousam dizer que a produção dos recursos do Alasca criarão muitos empregos em outros Estados, onde estes recursos serão levados para processos fabris e distribuição. Alasca não passa de um armazém colonial de recursos naturais que servem de combustível para as fábricas dos EUA”. Hoje, a situação é mais ou menos igual.


13. O quê será dos activos ou bases dos EUA no Alasca?

Como Nação Independente, e com a localização estratégica do Alasca, serviria os interesses do Alasca manter uma presença dos EUA. Os militares foram sempre bons vizinhos. Mas como nação soberana, Alasca poderia alugar o terreno e espaço aéreo para instalações militares mas garantindo responsabilidade ambiental. Insistiríamos que todos os danos ambientais de actividades no passado sejam endereçados e remediados


14. Qual foi a reacção do Governo dos EUA sobre os planos de secessão?

Nenhuma. O que significa que ou o AIP tem razão, ou então estamos todos a ser vigiados!

Lisa KARPOVA

PRAVDA.Ru

USA/CANADA

PRAVDA.Ru versão portuguesa reserva o direito de publicar entrevistas com os responsáveis e informações de todo o tipo acerca de todos os territórios que reclamam a independência. Começamos com os membros da comunidade internacional que reconhecem o direito ao estatuto de nação soberana a província sérvia de Kosovo. Entendemos que quem tenha telhado de vidro não deveria atirar pedras.

Timothy BANCROFT-HINCHEY

PRAVDA.Ru

Director e Chefe de Redacção

Versão portuguesa

Alaskan Independence Party

http://www.akip.org/

Lynette Clark

Chairperson

lckark@akip.org